// você está lendo...

Florianópolis

O jeitão Berger de fazer as coisas

Copyright: Walt Disney Productions. Modus operandi: gestão Dário Berger.

Copyright: Walt Disney Productions. Modus operandi: Pateta e seus amigos.

A patética entrevista coletiva da sobrinha do ex-governador serviu para afastar as nuvens que toldavam a nossa visão e transformar em fundados indícios algumas hipóteses:

1. A arquiteta, nos seus dias de glória, não tinha pejo de se apresentar, por onde andava, como “sobrinha do Luiz Henrique”. Por mais que seus méritos profissionais a qualifiquem para o cargo, essa ligação que ela fazia questão de enfatizar dava uma aura política à nomeação que, afinal, tinha mesmo sido política, como ocorre com todos os comissionados. Sua exoneração, portanto, deve ter uma lógica semelhante à da nomeação: a sobrinha do LHS pode ter dançado porque Dário e LHS não dividem mais a primeira classe dos vôos internacionais.

2. O pretexto para a exoneração é apenas um pretexto. Os esquemas são montados de comum acordo, com perfeito conhecimento de todos os envolvidos (ninguém, nesses ambientes onde todos desconfiam de todos e todos querem saber quem leva o que, assina sem ler um convênio para arrecadar R$ 25 milhões). Tirar o corpo fora quando necessário ou quando se pressente que vai dar merda, é recurso rasteiro de bandos que não hesitam em “queimar” companheiros para preservar os líderes.

3. Alguém precisa dizer, urgentemente, à população catarinense e em especial aos agentes políticos e servidores comissionados, que dinheiro de renúncia fiscal é dinheiro público. O inefável Mário Cavallazzi também volta e meia vinha com essa história de que “não teve dinheiro público na festa de Natal”. Agora ela ressurge, com a alegação que o dinheiro para o restauro da antiga cadeia não era público porque seria “captado via incentivos da lei Rouanet”. No caso da arquiteta, deve ser cacoete herdado do tio, que também tratava assim os fundilhos que montou para que o dinheiro dos impostos não chegasse ao tesouro estadual.

Continua, porém, sem resposta a principal pergunta: o que teria levado Dário Berger a fazer o que fez e da forma que fez? Qual o gatilho (ou catalisador) que teria disparado o processo de interrupção do esquema, com a consequente cremação pública da sobrinha do LHS? Não teria sido, com toda a certeza, um ataque de honestidade repentina, uma crise ética, uma erisipela cívica que afetou a consciência de tão ilibados operadores da vida pública municipal, fazendo-os ajoelhar no milho e admitir que trilhavam o caminho do mal. Até porque nenhum deles admitiu ter lido o convênio antes de assiná-lo. E todos estão fazendo cara de paisagem.

Mas assim são as coisas. O prefeito Dário Berger vai para o Disneyworld descansar de fazer nada e quem fica com cara de pateta somos nós, os eleitores/contribuintes deste município dos casos e ocasos raros.

EM TEMPO

Acho que agora não tem mais volta: a restauração daquele prédio histórico terá que devolve-lo à sua função original. A cidade precisa urgentemente dessa cadeia com paredes de um metro de espessura, reforçadas com óleo de baleia. E sua localização, na praça, é muito adequada. Permite que o eleitor/contribuinte possa ver, nas grades, os malversadores do dinheiro público.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Não me aprofundei no caso, mas a exoneração não seria justamente para “legalizar” os contratos (ou convênios) firmados pela prefeitura, uma vez que a sobrinha do governador figurava nos dois pólos da ação? Eles cancelaram todos os contratos com as entidades que a moçoila tem parte?

    Posted by Aline | julho 21, 2010, 16:19
  2. “Legalizar” neh… pq legalizar mesmo, é difícil.

    Posted by Aline | julho 21, 2010, 16:20
  3. Tio César,

    Sua análise é mais que oportuna.
    Só fico com uma dúvida: A sobrinha do Luiz Henrique é funcionária de carreira do IPUF? Caso seja, é necessário um processo administrativo para demití-la! Só exoneração do cargo comissionado é muuito pouco!
    Em tempo: o choro na entrevista é arrependimento ou tristeza pela falta dos milhões!?

    Posted by lf | julho 21, 2010, 18:44
  4. Erisipela cívica, é demais…!!!
    kkkkkkkk

    Pode ser tb uma sarna patriótica…

    Posted by luiz | julho 21, 2010, 21:01
  5. Bela e lógica visão do fato, seus agentes e antecedentes. Achei muito interessante, oportuna e até gravíssima, uma colocação: “os fundilhos que montou para que o dinheiro dos impostos não chegasse ao tesouro estadual”. Quanto foi desviado? Ora, se não entra no orçamento não é distribuído nos percentuais mínimos exigidos por lei (educação, por exemplo. Seria uma nova prática do que a turma do LHS chama de “transposição”. É descaminho orçamentário. Mais um crime.
    E quem foram os “benfeitores” que aplicaram seus impostos em tão árduo escaninho? Quais as ligações diretas ou indiretas desses contribuintes diferenciados com os governantes?
    Essas renúncias representam uma prática sistemática para burlar a lei e, ainda, é dirigida. Houve manipulação indevida de recursos públicos e envolve interesses escusos. Agiram de má fé. Burlaram leis e direcionaram recursos ao seu bel-prazer. Tipifica crime de quadrilha. Quadrilha tem líder e seguidores.
    Seria mais do que oportuno um levantamento do montante desviado, dos beneficiados (até a Vera Fischer levou 500 mil) e a nominata dos “parceiros”. Depois… Bem, depois vamos cruzar os dedos e sonhar que algum tribunal em alguma instância faça um pouquinho de justiça.

    Posted by Schneider | julho 22, 2010, 01:45
  6. hahaha, a restauração do uso original como cadeia foi sacada genial! :)

    Posted by fonjic | julho 22, 2010, 13:23
  7. Os irmãos metralhas entram para a história de santa catarina, como administração mais corrupta, desatinada e sem vergonha da história. O Estado e a capital, nunca em tempo algum foram alvos de tantos escandalos.

    De fato: o melhor para o prédio é restaura-lo para abrigar os presos condenados de corupção pública.

    Posted by Pedro de Souza | julho 22, 2010, 16:14
  8. Pelo menos a sobrinha do “tio Luiz” não tentou defender o prefeito, como fez o Cavallazzi… que no mesmo dia que recebia elogios do chefe, era processado pelo mesmo, se ferrou igual e não tinha mais argumentos !
    A dúvida é se só ela vai ser a culpada, pois ela admitiu que o filho do Rauen “iria atuar” na OSCIP dela !

    Posted by Carlos | julho 22, 2010, 18:46
  9. Não ela não é funcionária de carreira. Entrou em 2008 por indicação do Rauen, braço direito do nosso prefeito.

    Posted by Helena | julho 26, 2010, 21:52
  10. Olha só sobre a Sra Maria Cristina Piazza. Primária ela não é… tá mais do que acostumada a mamar as custas de….
    Em 2003 o pai dela foi nomeado Diretor Geral da Fundação Casa do Professor (a mais escondida das autarquias do Estado) Fica na almirante alvim 494 em frente ao badesc. Bom, o papai, a guisa de reformar o tal local, fez a dita reforma sob o comando da filhota!!!
    Então: resumindo: Titio governador, papai diretor e ela aparecem (caras de pau) em placa comemorativa a esta reforma, lá na sede da Fucapro. É aberta a visitação.. é só chegar na porta e dizer que é da imprensa e quer conhecer a instituição. A plaquinha tá na entrada!! À direita!!
    Se isso não é nepotismo, não sei o que é… e reforma em órgão público sem licitação?? E quem levou o dindin foi a sobrinha do governador?? Ladroagem é pouco para o que estas pessoas fizeram!!

    Posted by Joseane | julho 29, 2010, 17:16

Posts recentes

Férias!
26 de janeiro de 2012, 15:16
Por Cesar Valente
O engenheiro amador
26 de janeiro de 2012, 7:58
Por Cesar Valente
Finalmente! O ano do Dragão!
24 de janeiro de 2012, 6:07
Por Cesar Valente
A cadeia que não prende
20 de janeiro de 2012, 10:14
Por Cesar Valente
O dia em que deu tudo errado…
19 de janeiro de 2012, 6:07
Por Cesar Valente

Comentários

Arquivos