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Fala leitor

O motivo da demora em noticiar

O colega Carlos Damião, que além de blogueiro é colunista do Notícias do Dia e coordena o jornalismo da rádio Guarujá, deixou algumas informações, nos comentários, que ajudam a explicar por que a RIC Record (que é do mesmo grupo do jornal em que ele trabalha), teria demorado a falar no assunto do estupro. Naturalmente, ele responde a uma pergunta feita por um leitor, que eu publiquei no pé da nota “A matéria da RIC Record”: o pauteiro (aquele jornalista que define os assuntos a serem cobertos pela reportagem) estava dormindo?

Fala, Damião:

“Cesar – 5 questões.

1 – O caso só foi registrado (BO) na delegacia competente no dia 22. Portanto, oito dias antes da matéria ir ao ar na RIC.

2 – Até o dia 22 era apenas um boato que circulava pela cidade, com informações erradas (tipo dizer que os guris são do Catarinense, o que é absoluta mentira).

3 – O caso corre em segredo de Justiça porque envolve menores de idade. Não é a mídia que decide sobre isso. É determinação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Vale para um ladrão pé-de-chinelo de 14 anos e também para um playboy estuprador da mesma idade.

4 – A história só veio a público, na RIC-Record, porque a Secretaria de Segurança admitiu divulgar parcialmente o registro (BO), como manda o Estatuto. A RIC só colocou a matéria no ar porque uma autoridade (delegado) admitiu a existência do crime sexual.

5 – Blogs jornalísticos, como o meu e o seu, só abordaram o caso depois que houve a divulgação oficial da história.”

Discussão

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  1. Os comentarios na cidade são que o menino estudava no Colegio Catarinense quando ocorreu o fato e foi transferido para outro colegio, pois não havia mais ambiente para permanecer no CC, já que todos sabiam o que tinha acontecido. E aquele velho ditado “filho feio não tem pai”

    Posted by Paulo Cesar Almeida | julho 1, 2010, 23:21
  2. Divulgação “oficial” que só ocorreu pela pressão da internet (blogs, e-mails, twitter, formspring, orkut, etc), penso eu. Do contrário, continuaria sendo apenas um boato. Da mesma forma que passariam por boatos outros casos como o da árvore de natal, do no-show, do episódio “Rejane”, etc. Muitas informações divulgadas neste caso do estupro, de fato, deixam dúvidas. Mas há fumaça. Logo…

    Posted by Aline Graziela | julho 2, 2010, 07:50
  3. Concordo com a Aline e apartir de agora só observar se a mesma regra vai ser adotada em todos os casos envolvendo menores.

    Posted by Fabio | julho 2, 2010, 14:08
  4. César agora que me toquei em outro detalhe da resposta do Damião. Então depois do STF ter decidido o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão o Damião esta defendendo também o fim do “furo jornalistico”?

    Posted by Fabio | julho 2, 2010, 15:27
  5. Fabio, acho que o Damião está apenas explicando que o assunto não ficou na gaveta da emissora muito tempo, como se supunha inicialmente. E não dá, a partir dessas poucas linhas, de um comentário provavelmente escrito às pressas, pra começar a tirar conclusões muito profundas. Imagino que estejas falando isso por causa do item 5 que, de fato, ficou meio dúbio e se presta a essa interpretação. Prefiro acreditar que ele esteja defendendo o cuidado que se deve ter na divulgação, publicando apenas os fatos apurados corretamente. Mas é perfeitamente possível, a meu ver, que a gente consiga apurar uma informação com rigor e até publicá-la, antes da divulgação oficial. “Furo jornalístico”, em todo caso, não é colocar na rede os boatos tal como estão circulando nas mesas de bar e salões de beleza. É preciso ir além daquilo que está na boca do povo: ver se de fato há fogo sob a fumaceira, separar alhos de bugalhos e encontrar os fatos sob as versões. Ou seja, é bom fazer uma apuração jornalística antes de publicar. E nessa checagem, no caso de ocorrências policiais, o BO, a palavra do delegado, as informações oficiais, ajudam a confirmar a veracidade das informações. Acho que foi esse tipo de raciocínio que o Damião fez ao falar em publicar “depois da divulgação oficial”. Mas, em todo caso, se ainda tiveres dúvidas, pergunta pra ele no blog do Damião.

    Posted by Cesar Valente | julho 2, 2010, 15:56
  6. Ai, Cesar, em geral concordo contigo, mas dessa vez tá difícil. Achar que o senhor Damião está certo nesse nhemnhemnhem é difícil! A RIC e o Notícias do Dia deram a informação junto com a RBS, que feio! Tá claro que houve um “acertamento combinado ou um combinamento acertado” de vamos tratar o assunto deste jeito. Ora, ora! É uma vergonha. E se há boato, nenhum repórter pode ir atrás da informação? DEsde quando é necessário esperar o oficial? Não há possibilidade de procurar as fontes “oficiais” para ouvir pelomenos a asneira que disse o tal delegado Nivaldo, que estão investigando para averiguar se foi uma “festinha” ou se houve crime? Aliás, a isso o MP deveria estar atento. O que é isso? Estamos realmente falando de jornalismo? É claro que os blogs que prezam a versão ao invés da informação acabam sendo os únicos a noticiar a situação. E os caras nem são jornalistas! Eu estou envergonhado.

    Posted by Tititi | julho 2, 2010, 18:47
  7. Sempre gostei das coisas que o Damião escreve, contudo desta vez fiquei um pouco decepcionada com a pesquisa feita por ele sobre o caso, pois me estranha essa afirmação dele e da RIC de que nenhum dos envolvidos são alunos do Colégio Catarinense. O garoto filho do Diretor da emissora filiada da Rede Globo, era sim, até há poucos dias aluno do Colégio Catarinense. Foi convidado a se retirar devido a sua má conduta. Meu neto estudava com ele na mesma turma. Que mensagem estão passando para as crianças e adolescentes que conviviam com ele no Catarinense?

    Posted by Neli | julho 2, 2010, 19:12
  8. Não quero me estender nessa polêmica, porque vou acabar colocando em pauta a questão da “internet limpa”. Mas o que é preciso deixar claro é que blogs não-jornalísticos aceitam qualquer coisa como verdade e publicam o que querem, sem nenhum critério (li hoje o blog de uma menina de 20 anos, sobre o caso: um horror, baseado em outros horrores, e tem gente que acredita!). Carta apócrifa, desabafos anônimos, afirmações caluniosas merecem crédito? Nunca. Isso não passa pelo crivo de nenhum jornalista sério. Acho que a mídia de fato demorou muito a correr atrás da história. Admito que o fez de certa forma pressionada pelo tamanho que o caso adquiriu. E principalmente por causa de mentiras como aquela de que os estupradores e a vítima eram alunos do Catarinense (nenhum deles é; um foi, mas acabou expulso por mau comportamento). Diga-se de passagem, aliás, que a mídia foi à luta a partir do momento em que o colégio emitiu uma primeira nota oficial, distribuída pela internet na noite de terça-feira para todas as redações. E não é verdade que a RBS e a RIC divulgaram matéria ao mesmo tempo. A RIC divulgou na noite de quarta-feira, a RBS somente um dia depois.

    Posted by Carlos Damião | julho 2, 2010, 19:15
  9. Antes da internet limpa, temos de fazer uma campanha para jornais e tvs limpas, sem comprometimentos com árvores, prefeitos, deputados e governadores. Enquanto os grandes meios estão comprometidos, nos resta, como leitores, os blogs. Ah! e ainda tem jornalista que jura que é imparcial, neutro. Às vezes até o jornalista pode tentar ser, mas o patrão não é, não tem?

    Posted by Luiza Guerreira | julho 2, 2010, 19:55
  10. Concordo com o Damião sobre a grande diferença entre blogs de jornalistas e outros sem o compromisso jornalístico, mas o ponto é que por muito menos as redes midiáticas mobilizam seu pessoal e vão atrás da notícia. Vão atrás para saber se há alguma verdade ou não e mostram isso ao público. Agora, 8 (oito) dias para saber se foi fato ou não, foi uma eternidade. E se tomarmos como parâmetro todas as notícias que são veiculadas diariamente, e cito um exemplo: O metrô de superfície. Noticiaram diversas vezes e ninguém chegou a questionar ou verificar se ao menos os prazos anunciados eram factíveis, e hoje vemos que foi uma grande cascata, então não me venham falar em apurar fatos e tal que os pesos e as medidas são claramente diferentes neste caso.
    Em tempo: Esse fato infeliz serviu, ao menos, para mostrar que atualmente não dependemos tanto da grande mídia para estarmos informados. E também serviu para explicitar a omissão de notícias e a manipulação do que “podemos” ou não saber, dada a vontade dos que possuem uma concessão pública.

    Posted by Yuri | julho 2, 2010, 22:22
  11. Deus salve os blogs não-jornalísticos e nos livre dos profissionais.

    Posted by Vitor Santos | julho 3, 2010, 07:13
  12. Pelo que soube (divulgado), o MPSC estaria acompanhando os fatos através do procedimento instaurado pela Polícia Civil. Não nos esqueçamos que o atual Procurador-Geral de Justiça, Dr. Gercino, atuou, de forma enérgica, legal, transparente e profissional, por muitos anos na Vara da Infância e da Juventude da capital.Acredito que, com base no conhecimento do trabalho do Dr. Gercino , o MPSC, através de sua promotoria específica, se posicionará , em breve, de forma legal e isenta , apresentando à sociedade catarinense a satisfação legal apropriada , conforme determina o ECA, diploma legal ao qual se encontra obrigado ao cumprimento.
    Entretanto , entendo ainda que ,mesmo que a legislação (ECA)imponha uma série de restrições (” proteção”) quanto à publicidade dos protagonistas dos fatos em tela, a graviddae do mesmo, a repercussão atingida e a natureza social dos ernvolvidos, autorizaria, de forma preventiva e didática,a menção exaustiva visando demonstrar que SIM , EXISTE LEI PARA TODOS!!!!!!.O caso é emblemático e deve ser , de forma responsável , explorado. Em um país que possui um sistema jurídico privilegiado para a casta ,é compulsório a reflexão pública de tais casos para o aprimoramento de nossa sociedade.
    Devemos , agora, acompanhar e aguardar as manifestações do MPSC e do PJSC.

    Posted by andre | julho 3, 2010, 13:53
  13. Neli, a mensagem que estão passando para as crianças e adolescentes que conviviam ou não com ele é que o estupro quando menor vale a pena. A maior pena será socioeducativa. Um convite.

    Posted by cego | julho 3, 2010, 16:37
  14. “Ir à luta” depois de uma nota oficial do Colégio? Quanta seriedade e comprometimento com a verdade! Agora as coisas só acontecem quando uma instituição lança notas oficiais? Olha, senhor, encobrir a política da empresa sob o manto do “bom jornalismo” é desastroso. E colocar o seu nome a serviço disso é algo no mínimo indigno.

    Posted by Tititi | julho 4, 2010, 02:50
  15. Que tal fazermos uma campanha para irmos todos na 6ª DP no dia do Depoimento do SrºZinho!!!
    Parece-me que é dia 08/07 as 09 hrs.
    Seria uma boa eim. oque acham?

    Posted by Ivan | julho 5, 2010, 14:01

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