Estava dando a olhada de todos os dias no Sambaqui na Rede, blog do Celso Martins, e vi a nota do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina “sobre o caso Dunga“. Comecei a ler e até fui ao site do Sindicato pra conferir. Não que desconfiasse do CM, mas vai ver era apenas uma manifestação isolada de algum diretor ou diretora. Que nada, a nota estava lá, no sjsc.org.sc sem assinatura e, portanto, como se tivesse sido aprovada pela diretoria.
A nota chama a atenção primeiro porque nenhum dos jornalistas envolvidos no tal caso é filiado ao sindicato ou trabalha em veículos de Santa Catarina. E depois porque trata o assunto de uma forma esquisita, ao pretender defender os jornalistas ofendidos sem, contudo, defendê-los de fato. O uso de ressalvas como “o jornalista, mal ou bem, está cumprindo sua função” e “se o jornalista é um equivocado ou não, não importa”, demonstra que o Sindicato não se sente à vontade. Talvez porque não saiba direito todos os detalhes do caso. Talvez porque não queira defender funcionários da rede Globo.
A nota acusa a Globo e a CBF de pretenderem dominar o país. Pelo menos foi o que entendi desta frase: “A rede Globo é realmente um monopólio neste país e, com figuras como Ricardo Teixeira, busca impor uma dominação midiática”. Dunga estaria, portanto, incomodado com as “armações globais” e, por sua luta, estava a ponto de ser elevado ao panteão dos heróis do sindicato catarinense. Mas aí teve um complicador: ele ofendeu um jornalista. Como fazer para escrever uma nota elogiando o Dunga, sem endossar completamente o pau que ele deu nos jornalistas da odiada Globo? Parece que foi esse o principal dilema do redator (ou redatora).
O fato é que só tem sentido um Sindicato profissional sair em defesa de jornalistas se tem certeza do que está fazendo. E aí, ou se repudia a forma como Dunga tem atendido os jornalistas de uma maneira geral e se defende com vontade os jornalistas que o sindicato acredita que foram agredidos, ou é melhor ficar quieto. E concentrar esforços na campanha salarial e na luta contra eventuais problemas que o oligopólio que nos cabe, a RBS, afiliada (sinônimo de filhote?) da rede Globo esteja criando nas condições de trabalho e na remuneração dos que lá trabalham.
Taí a íntegra da nota. Leiam, por favor, com atenção e digam se eu estou exagerando:
“Nota do SJSC sobre o caso Dunga
O treinador brasileiro, Dunga, envolveu-se em uma polêmica com a Rede Globo, ao ofender, com palavras de baixo calão, a um jornalista da emissora. Independentemente do que se pode pensar de todo o episódio, que envolve a decisão unilateral do presidente da CBF em beneficiar a Globo com entrevistas exclusivas, situação que, corretamente, não foi aceita por Dunga, o que tem de ser observado é a posição do treinador diante do repórter.
Quem trabalha com comunicação sabe que, muitas vezes, o trabalhador não está visceralmente ligado aos interesses da empresa. É certo que há muitos que “vestem a camisa” de forma acrítica, mas isso não está em questão. O que realmente deve chamar à atenção aos jornalistas é que uma autoridade – seja ela política ou futebolística – não pode ofender um profissional por conta do que a empresa onde ele trabalha anda fazendo.
A rede Globo é realmente um monopólio neste país e, com figuras como Ricardo Teixeira, busca impor uma dominação midiática. Mas, o profissional que a representa não pode ser agredido por isso. O jornalista, mal ou bem, está cumprindo sua função. Se o jornalista é um equivocado ou não, não importa. Precisa ser respeitados no exercício da sua profissão como qualquer outro trabalhador.
Por isso, repudiamos a atitude de Dunga. Se estava o treinador incomodado com as armações globais que se manifestasse publicamente sobre isso. Profissionais como o jornalista em questão, e até mesmo o todo poderoso William Bonner, que já chamou o brasileiro médio de Homer Simpson, nada mais são do que trabalhadores assalariados da Globo. Mais dia, menos dia, também eles sofrerão na pele o que isso significa. Mas, para nós, do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, o que deve ser preservado é o respeito ao trabalhador que foi ofendido. Todo o nosso repúdio à rede Globo e as suas maracutaias. E a nossa completa desaprovação à atitude do treinador. Bater no menor elo da corrente não é a melhor opção.”
Sem comentários. As vezes é melhor ficar quieto.
Cala Boca Galvão
Cala Boca Shimdt
Cala boca Globo
Dá-lhe Dunga!
Sexta um dia sem globo. Veja o jogo em outra emissora!!!!! (…)
tá não, Cesar. O seu comentário é inteiramente lúcido.
quantos equívocos e erros gramaticais em apenas uma nota. é por isso que mantenho uma saudável distância de qualquer sindicato. na república petista, eles estão no poder.
jornalista que erra ,se equivoca ,tem emprimeiro lugar que pedir desculpa , todo trabalhador deve ser rspeitado sim ,medicos ,advogados ,engenheiro e a de se respeitar tb o direito de que se querer falar com a imprensa, a de se ter responsabilidade com o que se fala e se publica a libertade nao ‘e para imorais e pessoas parciais.