No sábado falei aqui da Diuma, coitada, jogada aos leões na corrida presidencial, sem ter tido alguma experiência eleitoral antes. E prometi falar do Serra.
Um dia, quando ainda morava em São Paulo (no final da década de 90, que é também o final do século passado), ouvi uma história, de um colega que tinha trabalhado nas campanhas do PSDB, que definiu bem um dos problemas principais desse candidato: “Quando a gente saía com o Mário Covas pra fazer corpo-a-corpo na rua e ele entrava num botequim pra conversar com o pessoal que lá estava, dava trabalhão pra gente tirar ele de lá e manter a agenda, sempre atrasada. Conversava com todo mundo, todo mundo falava com ele, parecia ser um velho amigo, morador antigo do bairro. Já quando a gente saía com o Serra, dava um trabalhão pra fazer ele entrar num botequim e conversar com o pessoal”.
São estilos diferentes, é claro. Mas não deixa de ser interessante imaginar como Serra conseguirá conquistar os eleitores que precisa para, pelo menos, ir para o segundo turno. Depois de oito anos de um presidente que é só simpatia e conversa de botequim (mesmo nos temas sérios, Lula se esforça para trazer o texto ao nível que acredita ser acessível ao “povo”), será um desafio e tanto colocar o arredio Serra para tomar um cafezinho no balcão e se entender com a turma.
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