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Recado do editor

A PM que queremos

No sábado, ao chegar em casa, por volta das 19h, vimos que alguém tinha arrombado a porta de entrada. Reviraram a casa, mas levaram pouca coisa. Apenas o laptop da Lúcia, cujo conteúdo mais precioso eram as centenas de fotos do nosso neto, o Augusto (se algém oferecer um Sony Vaio prata baratinho cuidado, pode ser o nosso).

Quando vi a porta arrebentada e a casa invadida, qual foi minha primeira reação? Ligar para o 190. Péssima idéia. Não tem nada pior para quem esteja envolvido em situação semelhante, do que ligar para o 190.

O primeiro atendente queria porque queria um “ponto de referência”: ora, moro num bairro residencial, onde as padarias, postos de gasolina e universidades ficam relativamente longe. Como o diálogo ficou impossível, desliguei. E liguei de novo para recomendar a consulta ao google maps. Mas aí atendeu uma moça, completamente incomodada pelo fato de eu estar nervoso (!). Minha senhora, minha casa foi invadida! Aí ela queria saber se eu sabia quem tinha sido. Ora, se eu precisar fazer uma investigação para dar todas as informações à polícia, vou querer meu imposto de volta. A moça, sem surpresa, desligou na minha cara. Liguei de novo. Atendeu um terceiro (terceirizado, com certeza), que, tal como seus antecessores, não estava preparado para lidar com alguém nervoso, irritado por ter encontrado a porta da frente arrebentada. Me mandou ficar calmo. Ora, meus senhores, por maior que seja a autoridade, nessa hora ninguém manda uma vítima de assalto ficar calma. Acabei, depois de dizer alguns desaforos, desligando.

Aí me lembrei que a associação de moradores do bairro tinha falado bem sobre o posto policial das redondezas, ali na Madre Benvenuta. Encontrei o telefone e liguei pra lá. A pessoa que atendeu pediu o endereço e disse as palavras mágicas, que eu esperava ouvir desde a primeira ligação para o 190: “vamos dar uma passadinha aí, para lhe orientar”.

Em poucos minutos apareceram, na frente de casa, os soldados Dos Anjos e Borges. Corteses, gentis e atenciosos, fizeram com que a gente esquecesse toda a má experiência com os terceirizados do 190. Eram dois PMs profissionais, calmos, que sabiam que a gente estava frustrado, chateado e incomodado com a invasão e que naturalmente ninguém esperava que eles saíssem à caça de um malfeitor cuja cara não conhecíamos. Mas fizeram o que a gente precisava do poder público naquele momento. Deram-nos atenção e orientação.

Amanhã vou enviar ao secretário da segurança e ao comandante da PM cópias deste post. Porque não é possível que eles não saibam que dentro de uma mesma corporação existem duas formas antagônicas de atender o cidadão. Eu mandaria andar a turma do 190 que me irritou ainda mais, frustrou-me ainda mais e deu-me um sentimento horrível de impotência. E promoveria imediatamente os soldados Dos Anjos e Borges, fazendo com que, em todo o estado, o contribuinte-eleitor, no momento de aflição, pudesse contar com milhares de Dos Anjos e Borges, chegando rápido ao local do problema e trazendo a solidariedade e o apoio da força pública às vítimas dos criminosos.

Quando fui registrar a ocorrência, na degacia da polícia civil mais próxima, tive que enfrentar uma fila de colegas de infortúnio, assaltados, roubados e invadidos, com diferentes níveis de gravidade. Espero que, na polícia civil, também existam investigadores e policiais que, a despeito das injustiças salariais e da falta de equipamento para o trabalho, consigam ir atrás dos indícios e levar, pelo menos a alguns daqueles reclamantes, alguma satisfação. Para mostrar que, apesar do desinteresse das autoridades de alto coturno, o andar de baixo, que tem garra, faz o que pode para que a população não perca a fé nas instituições.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Cesar,
    sinto muito que tenham invadido a casa de vocês. A sensação de insegurança é terrível, não é? Eu como sou pós-doutora em ser assaltada quero te dizer o seguinte: fizesse muito bem em brigar com o pessoal do 190. Se a polícia, que sabe exatamente de qual lugar a ligação está partindo, se ligasse de telefone fixo, pergunta onde é, e pontos de referência porquê? Parece que é para irritar. Afinal, ninguém liga para a polícia para pedir cachorro-quente, quem procura a PM tem uma situação de emergência. Eu já tive que dar ponto de referência com assaltante dentro de casa. Pode? Mas, pelo menos em minha experiência, o tratamento indecoroso é apenas no atendimento telefônico, pois os policiais que vêm ao local em geral são educados e conscenciosos. Não que isso impeça novas tentativas de roubo, pois há muito tempo não há uma política de segurança séria.

    Posted by Janine Koneski de Abreu | junho 20, 2010, 18:38
  2. Dê um tempo a este governo. Eles só têm 8 anos de experiência. O Raimundo (Deus nos livre) conpletará este infortúnio, pois nomerá o Jorge Bornhausen secretário da Segurança Pública.]]

    Posted by lf | junho 20, 2010, 19:49
  3. Sinto muito pelo ocorrido Cesar. E o que relatas não é novidade para quase ninguém. Um grande abraço.

    Posted by Maria Marta | junho 21, 2010, 12:12
  4. Pq vc não contrata a CASVIG para fazer segurança eletrônica da tua residência?? Eia nóis….

    Posted by Eduardo | junho 21, 2010, 13:41
  5. Há dias telefonei para o 190, denunciando a perigosa fila de caminhões que diariamente se forma na Rua Santa Mônica, todos esperando vaga para descarga nos fundos do Shopping Iguatemi. Alertei que muito em breve teremos notícia de grave acidente, por conta do traçado da rua (em “L”), pois os carros que nela entram não visualizam o perigo (haverá choque frontal com a traseira de um caminhão). Resposta recebida: “o senhor deve procurar o IPUF…”.

    Posted by Ademir | junho 21, 2010, 15:04
  6. César, lamento pelo ocorrido. Passei pela mesma situação quando morava em São Paulo. Entraram no meu apartamento. A sensação é horrível.
    Mas em Florianópolis?! É aquilo que você já disse aqui no blog: a polícia está se armando para conter os perigosos manifestantes do delírio do tal do passe livre. Mas é incapaz de conter a onda de assaltos e crimes ainda piores, na nossa capital – e em todo o estado.
    Um casal de médicos amigo nosso teve o apartamento arrombado no centro de Balneário Camboriú. Levaram um monte de coisas, e, claro, ninguém jamais foi preso.
    A impressão é de que os bandidos estão tomando conta do estado (nos dois sentidos, não tem? :)

    Posted by paulo henrique | junho 21, 2010, 18:23
  7. Cesar,

    O Eduardo, que te sugere contratar a Casvig, de forma inteligente e debochada, bota o dedo na ferida.

    Não há interesse em ter uma boa segurança pública porque os corruptos estão aí para se associar com as Casvig da vida.

    O setor que mais cresce na economia é a Segurança Privada. E os donos dessas empresas tem ligações perniciosa com o poder.

    A CAsvig é classico exemplo disso.

    Posted by Pedro de Souza | junho 21, 2010, 19:02
  8. Na última vez (faz 2 meses) que liguei para o 190, pois um malaco havia entrado no terreno de casa e estava ameaçando meu pai, reportei, nervoso (óbvio), rapidamente o ocorrido fornecendo também nome e endereço, pois não queria deixar meu pai sozinho com o cara, e ouvi o seguinte do atendente: BAIXA A BOLA! Segurei-me e não mandei o cara à merda, mas desliguei o telefone. Quinze minutos depois aparecem 3 carros da PM. Nesse ínterim, o malaco continuou seguindo pela rua, abordando mulheres e crianças que caminhavam pelas calçadas. Não sei se pegaram o cara ou não, mas como escrevestes, o atendimento “in loco” da PM é bem melhor do que o atendimento pelo 190. E não adianta dizerem que são terceirizados. Oras, são contratados ou não pela PM? Quem tem o poder de contratação e recrutamento, além do treinamento (existe) para lidar com o CONTRIBUINTE?

    Posted by Yuri | junho 21, 2010, 23:54
  9. É Tio Cesar…
    Nosso bairro já foi mais tranqüilo. Ainda não recebi uma visita dessas mas meu vizinho do lado e o da frente já receberam. Tenho o telefone do Posto Policial do bairro no primeiro lugar da minha agenda do celular. Mais uma coisa: não sei se ainda está ativo, mas a associação do bairro tinha um convênio com a “Puliça” que no caso do alarme da sua residência disparar eles são informados imediatamente.

    Grande abraço!

    Posted by Gilson | junho 22, 2010, 17:53
  10. Pro if: E quando é que o lula vai liberar a grana pra segurança pública? Com a dilma ou enquanto o dilmo `emprega` sua (dele) filha?

    Posted by TOLINHO DIFARINHA | junho 28, 2010, 00:03

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