Quando eu achava que era apenas um eleitor ingênuo (agora acho que, além de ingênuo, também sou burro), imaginava que, em ano eleitoral, os políticos davam grande importância para o que a gente (os eleitores) pensava ou deixava de pensar. E que, ao montar as chapas para concorrer, a aderência ao programa do partido, a história do candidato e seu discurso em águas passadas, seriam fatores decisivos.
Qual o quê!
Vê-se, até sem muito esforço e cultura, que os grandes fatores, que estão no centro dos sonhos e dos discursos de todos os políticos, de qualquer nível, são os “minutos de tv” e a “distribuição de cargos“. É uma dobradinha imbatível. Se acrescenta minutos ao tempo da propaganda obrigatória (que não é gratuita, porque as emissoras recebem uma compensação com dinheiro público), o partido ou candidato terá toda a atenção dos interlocutores. E, se ainda por cima, houver uma generosa distribuição prévia de capitanias hereditárias ou sesmarias, a coisa fica ainda melhor. É o legítimo casamento por amor. E, com isso, não há quem não mude de idéia.
Depois, a coisa fica mais ou menos como a gente viu durante os dois mandatos em que a penca do LHS geriu SC: secretarias entregues a grupos imexíveis, impossibilidade de cobrar desempenho dos secretários sem criar uma crise partidária, cargos relevantes entregues a gente sem noção (mas com pistolão), etc e tal. Só que a gente precisa aprender uma coisa: político vive para disputar e, se possível, ganhar eleições. O intervalo entre uma eleição e outra é como intervalo de jogo: ninguém presta muita atenção para o que está acontecendo no campo.
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