Desde que comecei minha vida de colunista político (agosto de 2005), sempre me incomodei com esse período de indefinições eleitorais que antecede o lançamento oficial das candidaturas. Parece que há uma norma não escrita pela qual os colunistas precisam comentar as idas e vindas, estudar as probabilidades e tentar montar os cenários que poderão ou não ocorrer se isto ou aquilo acontecer.
É como comentaristas de futebol antes do jogo ou em início de campeonado. Tudo pode acontecer e pode também que não aconteça nada.
Não é à toa que os pré-candidatos estão ainda com os quatro pés atrás, falando coisas sem muito sentido, para não magoar nenhum futuro aliado. Nunca se sabe.
Mas parece que, aos poucos, as pressões das candidaturas à presidência estão colocando os vários pré-candidatos ao governo estadual nos eixos. E, até este momento (política é uma nuvem, agora está assim, mas daqui a pouco pode estar completamente diferente), parece que teremos a seguinte situação:
No primeiro turno concorrerão Eduardo Pinho Moreira (PMDB), Ideli Salvatti (PT), Ângela Amin (PP) e Raimundo Colombo (DEM). Não sei exatamente por que cheguei a essa conclusão, mas não vejo, na minha bola de cristal, o Pavan como candidato.
No segundo turno ficam, de um lado, PMDB e PT e de outro PP, DEM e PSDB. Mas também podem ficar PT, PP e PMDB de um lado e DEM e PSDB de outro. Ou PT e PP de um e PMDB, DEM e PSDB de outro (hipótese mais provável se PT e PMDB forem para o segundo turno).
Ou seja, não adiantou nada escrever isso aí e também de nada adianta ficar lendo esses exercícios de futurologia. Porque num país onde os partidos não têm ideologia e ninguém leva a sério programas e diretrizes partidárias, qualquer coisa é possível. Talvez uma chapa PT/DEM seja mais complicada de explicar ou de fazer a militância engolir, mas não é impossível de ocorrer. Se não em nível nacional ou estadual (tem mais gente olhando), mas pelo menos municipal (não duvido que algum município já não esteja sendo governado por essa composição).
No fundo, todo mundo espera uma grande decepção. Ela pode ser maior que a esperada, menor… tudo é possível. Como você falou: num país onde os partidos não têm ideologia e ninguém leva a sério os programas e diretrizes partidárias (e as promessas de campanha), tudo é festa.