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Eleições 2010

Análise de hoje: Pinho Moreira (PMDB)

Eduardo Pinho Moreira (PMDB) - Foto: Neiva Daltrozo/Secom

Eduardo Pinho Moreira (PMDB) - Foto: Neiva Daltrozo/Secom

Estou publicando esta semana a análise que o Remy Fontana fez sobre os pré-candidatos ao governo do estado que foram entrevistado, em maio, na TV Com. Cada dia um candidato, na mesma ordem em que foram entrevistados (para ler os textos já publicados, é só clicar na linha do dia):

Domingo: texto de abertura (A desidratada política estadual sob exame)
Segunda: Ideli Salvatti (PT)
Terça: Raimundo Colombo (DEM);
Quarta: Eduardo Pinho Moreira (PMDB); e
Quinta: Ângela Amin (PP).

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Entrevistas com pré-candidatos ao governo de Santa Catarina*

Personae, performances, políticas

Hoje: Eduardo Pinho Moreira (PMDB)

Por Remy J. Fontana**

Candidato da situação, se tomarmos como referência o governo Luiz Henrique, do qual pretende ser continuidade assumida. Assim terá obviamente alguns bônus à capitalizar dos eventuais acertos e realizações do governo de que fez parte, seja como vice-governador no primeiro mandato de LHS, seja como destacado membro do colegiado governamental no segundo período ou como presidente do PMDB. Mas também será cobrado e pagará um preço pelas vulnerabilidades, equívocos e insucessos daquela administração. Entre estas se podem contabilizar alguns escândalos administrativo-financeiros, obras de alta visibilidade prometidas e não realizadas ou inacabadas, inconsistência de política salarial do funcionalimo, incapacidade de resolução de tensões entre alguns setores da máquina governamental, estímulo ou incentivos à grandes investimentos de alto impacto ambiental segundo uma ótica economicista, associada antes ao lucro empresarial do que ao interesse coletivo de longo prazo, política cultural pífia, mais de cunho “badalativo” e ostentatório do que de promoção de valores substantivos calcados na realidade estadual, etc.

Pinho Moreira admite ser, como figura pública, bastante desconhecido do eleitorado. Com um currículo e trajetória que incluem o exercício de vários mandatos executivos e legislativos – de prefeito de uma das principais cidades do Estado (Criciuma), deputado federal Constituente, vice-governador, diretor–presidente de uma das maiorias empresas estatais do Estado (CELESC), além de presidente do maior partido de SC (PMDB) -, é um pequeno mistério e certamente uma estranheza esta sua baixa visibilidade. Não foi muito convincente ao responder aos entrevistadores a razão deste fato, segundo seus termos, devido à discrição com que se portou ao assumir eventualmente a vice-governança, ao seu enclausuramento em gabinetes, quando diretor da Celesc, ou pela circunstância de não ter sido nunca candidato à cargo majoritário em cabeça de chapa. Assim, de um lado, o eleitorado catarinense terá nesta campanha a oportunidade de melhor conhecê-lo e quem sabe decifrar este “mistério” de quem é afinal Pinho Moreira, e este terá sua chance de dizer a que veio, em sua postulação de candidato ao governo do Estado.

Provavelmente para isto terá que abrandar um certo ar “aristocrático”, solene, uma gravitas, que emolduram sua figura que, se lhe conferem uma dignificante postura de estadista do império, não lhe é muito útil num ambiente de democracia republicana de massas, sob condições de baixa cultura política.

É uma liderança que parece ter dificuldade de abrir-se para a sociedade e ser reconhecido como tal por ela. Tem algo em sua personalidade que o torna um político talvez mais adequado aos âmbitos internos e organizativos seja do seu partido, ou das estruturas do poder estadual. É um traço algo intrigante, na medida que dos quatro pré-candidatos é o que mostrou postura mais apropriada para uma alta autoridade e o discurso mais articulado, mais seguro em suas respostas, mais hábil em desviar perguntas incômodas.

Parece lhe faltar alguma característica esencial a políticos de sucesso, algo do âmbito da empatia, dos insights, das intuições, da sensibilidade apurada para captar os humores difusos das massas populares para então torná-las receptivas a suas mensagens, a suas propostas, a seus comandos, conquistando-lhes o coração e, quiça, os votos.

Um ponto alto de suas respostas na entrevista, no que se diferenciou de outros pré-candidatos, foi não ter subscrito a crítica fácil e algo preconceituosa de que todo político no exercício de cargo público é inepto ou corrupto; e, então, deveria ser susbtituído por técnicos. Os técnicos tem certamente seu lugar no aparato governamental e na operação da máquina pública, mas facilmente se esquece que eles não tem a legitimidade do voto nem a responsabilidade pública frente à cidadania pelas decisões que tomam, escorados numa pretensa superioridade de seu conhecimento e numa impossível neutralidade diante de interesses conflitantes da sociedade. Quem tem a responsabilidade pelas macro-decisões públicas e a legitimidade para tomá-las só pode ser o governante, ungido pela vontade popular expressa pelos mecanismos da democracia política, operando os aparatos administrativos, cercando-se do pessoal permanente do Estado e de um quadro de políticos alinhados a sua orientação ideológica e programática.

Pinho Moreira mostrou coragem e pertinência neste ponto escorregadio, ao defender a presença de políticos e até de parlamentares no preenchimento de cargos executivos, sob a ressalva de que não sejam candidatos à próximas eleições. Esta ressalva, no entanto, é um tanto inócua e algo ingênua.

Foi pouco persuasivo na defesa de algumas medidas e procedimentos que adotou quando presidente da CELESC, e na defesa da elevada disparidade salarial entre os servidores da Secretaria da Fazenda e os de outras tantas secretarias no governo de LHS. Também tergiversou sobre os rendimentos vitalícios para ex-governadores, dos quais é beneficiário, mesmo tendo sido governador substituto por poucos meses. Mas se comprometeu a rever os termos deste benefício a ex-governadores, que embora constitucional, soa para muitos como indevido privilégio.

Perguntado sobre o Teatro Bolshoi disse que manteria o apoio, e estranhou a crítica generalizada à política cultural de LHS, que teria contemplado demandas de diversas regiões e setores. Também, como outros pré-candidatos, parece não ter claro, nem muito compromisso com uma política cultural consequente para o Estado.

Embora tenha revelado grande conhecimento sobre a área da saúde pública e esboçado algumas idéias e de como implementá-las, foi mais parco no quesito segurança pública.
Colocou como prioridade de governo, se eleito, a educação, que reputou como grande desafio, embora não tenha avançado nenhuma idéia de como promovê-la, além de uma prosaica e sempre procrastinada restruturação de cargos e salários para os servidores da área.

Politicamente, em termos de articulações e coligações partidárias em torno de candidaturas, na intersecção dos planos federal e estadual, revelou-se tão ambíguo e evasivo quanto os outros pré-candidatos, todos equilibrando-se precariamente entre um mínimo de coerência com ideologia e programas e um máximo de oportunismo próprio do eleitoralismo mais vulgar.

No momento da entrevista, embora isto possa mudar tão rápido quanto as nuvens em dia de vento sul em Florianópolis, declarou-se mais pró Serra, como candidato presidencial, embora seu partido tenha já praticamente sacramentada coligação nacional com a candidatura de Dilma Roussefff.

(Amanhã, Ângela Amin)

*Entrevistas realizadas entre 10 e 14 de maio pela TV Com (canal 36 da Net), do grupo RBS.
** Sociólogo. Professor no Depto.de Sociologia e Ciência Política da UFSC (1976-2010)

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Cesar,

    Pesa sobre o Eduardo Pinho Moreira o fato de:

    1) Não ter pago o Besc, já que ele era o avalista e sócio da Trirradial. Usou subterfúgios (…) no processo judicial para não pagar a conta. E no fim vai ter que pagar.

    2) Por pouco mais de seis meses como Governador, se usufrui da pensão destinadas a ex-governadores, que moral e eticamente não merece.

    Só por isso, não merece um único voto dos catarinenses.

    Posted by Pedro de Souza | junho 9, 2010, 17:51

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