De hoje até quinta publicarei a análise que o Remy Fontana fez sobre os pré-candidatos ao governo do estado que foram entrevistado, em maio, na TV Com. Cada dia um, na mesma ordem em que foram entrevistados (para ler os textos já publicados, é só clicar na linha do dia):
Domingo: texto de abertura (A desidratada política estadual sob exame)
Segunda: Ideli Salvatti (PT)
Terça: Raimundo Colombo (DEM);
Quarta: Eduardo Pinho Moreira (PMDB); e
Quinta: Ângela Amin (PP).
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Entrevistas com pré-candidatos ao governo de Santa Catarina*Hoje: Ideli Salvatti (PT)
Por Remy J. Fontana**
Apresentou-se com uma postura um tanto ambígua ao procurar mostrar-se amena, suave, quando fez sua vida política num registro mais combativo e mesmo agressivo. É fato que como líder de seu partido no Senado, aprendeu a compor e a negociar afastando-se, aliás como o próprio PT, de atitudes confrontacionais do tempo em que eram oposição. Assim cria uma certa indefinição quanto a sua imagem pessoal, seu novo perfil, sua própria identidade. Isto pode ser um risco, enquanto deixa para trás um certo tipo, um certo estilo, um outro ainda não está bem delineado ou consolidado.
Como todos outros candidatos, talvez como reflexo de uma cultura política ainda em parte provinciana, incorreu num vício de linguagem bastante desagradável, ao dirigir-se reiteradamente aos entrevistadores chamando-os pelo nome próprio. Isto pode parecer um detalhe, mas pode ser revelador de uma pretensa intimidade com os jornalistas, uma familiaridade artificial, como querendo tranformar uma interpelação jornalistica, potencialmente crítica, em uma conversa amena entre amigos.
Embora tenha sido enfática na defesa de sua candidatura, dada como definida há mais de um ano, sustentada pela unidade partidária e pela adesão já de outras siglas (PR, PSB e PcdoB), permanece em uma zona de indeterminação, veja-se suas tentativas de composição com dois partidos (PP e PMDB), que são antípodas entre si na política estadual. É uma situação que fragiliza um tanto sua postulação de candidata, aliás, como a dos outros em diferentes medidas, ao submetá-la às vicissitudes de arranjos para adensar apoios à candidatura presidencial de seu partido.
Ao responder ao jornalista Moacir Pereira sobre a diluição ideológica entre partidos antes tão distantes (PP e PT), começou corretamente pela afirmação da contínua validade do espectro ideológico, para em seguida negá-lo em nome do pragmatismo do governo Lula, valendo-se de uma prosaica analogia da prática política com a ciência física.
Outra questão respondida oblíquamente foi sobre a histórica e atual baixa representatividade e força dos políticos catarinenses no âmbito federal. Em vez de fazer uma análise, respondeu que esta questão não se colocaria agora, haja visto a pletora de obras do governo federal em SC.
Sobre segurança pública, um dos tópicos apresentados a todos os candidatos, Ideli além de criticar os equívocos da política salarial do atual governo estadual, indicou apenas a necessidade de que chamou de justiça salarial e a necessidade de maior harmonia e corresponsabilidade entre os dois ramos da força pública. Mesmo com as limitações de tempo para maior elaboração, é pouco como esboço de proposta para uma área tão crítica.
Ao ser perguntada sobre se manteria o apoio do Estado ao Teatro Bolshoi, fez o inevitável reconhecimento de sua importância para dar visibilidade à Joinville e ao Estado e sugeriu que também a iniciativa privada deveria ajudar a financiá-lo. Perdeu aqui uma oportunidade de criticar a fraca, equivocada e quase ausência de uma política cultural efetiva dos últimos governos, e adiantar algumas idéias sobre como formulá-la.
Esquivou-se, quanto ao que faria com as Secretarias Regionais, marco da gestão do governo Luiz Henrique, fazendo o elogio da diversidade da economia e da sociedade catarinense . Apontou com propriedade, porém, a necessidade de fortalecer ou ajustar políticas de desenvolvimento regional.
Indagada sobre o que aprova e desaprova do governo LHS foi parcimoniosa e cautelosa; pois, embora o PT tenha sido arraigada oposição à sua gestão, espera contar com o apoio do PMDB estadual à candidata presidencial do PT. A propósito, e isto vale para todos os quatro pré-candidatos, este embaralhamento de alinhamento político entre os planos nacional e estadual acaba por pasteurizar o debate eleitoral, empobrecendo-o.
Sobre sua possível eleição como governadora, sendo eventualmente oposição ao governo central, com a vitória de José Serra, disse apenas que opera melhor sendo governista, como atestariam seus anos de senadora sob o governo Lula. Deixou de esclarecer como se daria, no caso, seu relacionamento político e institucional sob tais condições.
Dos candidatos que são parlamentares (Ideli, Angela e Colombo), Ideli foi a única incluida na lista dos 100 destaques do Congresso Nacional elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), nesta legislatura. Isto certamente atesta seu ativismo parlamentar e seu prestígio nos altos círculos do poder federal, conferindo-lhe importantes credenciais para apresentar-se diante do eleitorado catarinense como alguém com capacidade e relações estratégicas para afirmar os interesses de SC , como eventual governadora junto ao poder central.
Revelou-se, no conjunto das questões, bem informada sobre a realidade catarinense e com conhecimento adequado dos mecanismos administrativos da máquina pública. Tem uma boa articulação verbal o que denota clareza de idéias e vivacidade de inteligência, ativos valiosos numa campanha e mais do que bem vindos a um prospectivo governante.
(Amanhã, Raimundo Colombo)
*Entrevistas realizadas entre 10 e 14 de maio pela TV Com (canal 36 da Net), do grupo RBS.
** Sociólogo. Professor no Depto.de Sociologia e Ciência Política da UFSC (1976-2010)
Acho que o PT vai perder tempo com Ideli como canditada ao governo,será que alguem seria capaz de dizer pelos menos 5 benificios que ela trouxe para SC?, que realmente ela fez, porque falar ela sabe. Como gestores a turma do PT são fraquissimo, o exemplo maior esta na maior cidade do estado, nunca se viu uma admistração tão ruim, fazendo tanta propaganda de sua admistração que te tanto falar o povo acaba aceitando uma mentira como pura verdade, claro para os menores esclarecidos. Ideli, em Joinville voce não vem com papo mole, o que pessoal está escaldado com a turma do PT.