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Fala leitor

O poder público invisível

Trago pra cá comentário que o Paulo Henrique Souza deixou. É um relato triste de uma situação que possivelmente ocorre em vários municípios, em um estado onde as autoridades, no momento, parece que só pensam naquilo (alianças bípedes, tríplices e quadrúpedes).

“César, a violência está se espalhando pelo estado todo. Minha mãe mora no outrora pacato Balneário Arroio do Silva, que um dia foi parte de Araranguá, no extremo sul. Ela está apavorada com a criminalidade. Como há um único carro para policiar o município e dois policiais de plantão, os ladrões simplesmente estacionam os caminhões em frente às casas e levam tudo, mas tudo, mesmo. E está ficando pior. A droga se alastrou a um ponto inimaginável. Resultado: assassinatos, coisa que não acontecia há uma década. Cada vez que eu falo com ela por telefone ela me conta a história de alguém que foi morto. Ontem, me disse que foi a vez de um menino de 18 anos, que um dia foi amigo do meu irmão mais novo. Estava na droga. Isso em um município de menos de 10 mil habitantes. A cidade está largada às moscas. Minha mãe não consegue nem vender a casa; não há compradores. Pudera, aquilo é uma terra de ninguém. Repito, há uma década, ainda era um lugar muito seguro. E ninguém faz absolutamente nada. O mesmo deve estar acontecendo em outras pequenas cidades do interior, mas a coisa é pior no litoral, durante a baixa temporada, quando os ladrões se aproveitam da total ausência do poder público – estadual e municipal.”

Paulo Henrique

Discussão

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  1. Professor, obrigado pela atenção e por ter corrigido o texto (faltou uma palavrinha importante, né:)

    Quando falei de ausência do poder público, não mencionei o governo federal simplesmente por considerá-lo inepto para resolver problemas desse tipo.

    Outro dia eu comentava com um amigo: o que faz um governador de estado hoje em dia? Paga o funcionalismo público, quando muito. E mais nada! Os estados, com uma ou outra exceção (São Paulo), estão falidos.

    Quando falo que prefiro um “estado mínimo”, meus amigos esquerdistas torcem o nariz e me chamam de neoliberal. Eu retruco: liberal. Mas prefiro um estado que se dedique a nos prover serviços básicos de qualidade e mais nada: segurança pública e educação média. Todo o resto, incluindo saúde, deveria ficar a cargo da iniciativa privada.

    É claro que o governo deveria reduzir a carga tributária para que nós pudéssemos escolher o melhor serviço de saúde para cada um. Do jeito que está, a gente acaba pagando tudo em dobro. Paga-se para o governo, mas é preciso depois pagar segurança privada para casa, seguro pro carro, plano de saúde, de previdência…

    Mas, na América Latina toda, o liberalismo e o capitalismo passam longe. Preferimos que os governos nos deem tudo, mesmo que eles só finjam que dão.
    abraço

    Posted by paulo henrique | junho 4, 2010, 17:40
  2. Conheço o município. É outro que se desmembrou sem ter condições para tanto. Durante a temporada ainda rola algum dinheiro no comércio devido aos veranistas, mas no restante do ano fica às moscas. Nessa época, deserto, próximo da BR-101 e não muito longe do estado vizinho, vira esconderijo para todo tipo de bandido.

    Posted by Carlos Henrique | junho 4, 2010, 17:44

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