Está muito mal arranjado, o governador Pavan. Levou uma rasteira histórica, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, de seus próprios companheiros de partido. Fim de festa em casa de malandro é assim mesmo, cada um carrega o que pode, sem ligar para outras consequencias. Pois acabaram deixando o dono da casa até sem ter onde sentar.
Pra ficar bem com os servidores públicos de algumas secretarias, esperando, naturalmente, o voto deles e de seus familiares, entre outros apoios, deputados tucanos inventaram de estender a eles um benefício que deveria ser restrito aos procuradores do estado. Coisa parecida já acontecera no passado, com a tal de GAF (Gratificação de Atividade Fazendária, que acabou gratificando gente de outras secretarias não fazendárias). E desde então SC tem servidores de duas categorias: os felizardos que têm gratificação e os coitados que não têm.
Bom, mas o fato é que o governo não queria ter mais essa despesa (e nem deveria querer, porque há vários problemas salariais e de carreira a serem ainda acertados, na máquina estadual). Mas os seus deputados ignoraram olimpicamente o que o governador quis ou deixou de querer. Quando falo “seus”, estou falando de amigos do peito, companheirões, que apoiaram Pavan incondicionalmente em outras ocasiões. Não se tratavam de peemedebistas ressentidos ou demos ressabiados, daquela polialiança que está fazendo água.
Pra completar o inferno astral do governador, ao desentendimento com a base soma-se a pressão de cima: o PSDB nacional quer saber que sacanagem é essa que estão aprontando com seu carismático candidato, o José Serra. Afinal, num estado onde o governador é do PSDB, o palanque para o tucano já deveria estar armado e as bandeiras desfraldadas.
O PSDB dividido governa o estado em coligação com o PMDB dividido. Parte do PMDB de SC quer se abraçar a Dilma e já anda de mãos dadas com Ideli & Cia. Parte quer distância do PT e flerta abertamente com Serra, embora não troque carinhos com Pavan. E o Dem-o está onde sempre esteve, correndo por fora… e por dentro. Agarradíssimos a José Serra, parecem mais tucanos do que os tucanos catarinenses.
Nesta sopa de letrinhas que, ao que parece, desandou (não tá dando liga, saca?) os defensores da velha aliança (aquela que o LHS costurou, não tem?) já não sabem mais o que fazer. Morrem de medo que tanta divisão acabe levando o eleitor a escolher “o outro lado”: tia Ângela. Que, por sua vez, ainda tem que resolver a equação Ideli. As duas não vão caber na mesma cadeirinha estofada governamental. Uma terá que concordar em ficar um degrau abaixo, caso queiram estar na mesma chapa.
Em resumo: se eu fosse amigo do Pavan, a esta altura estaria pensando seriamente em tirar umas férias.
Eu entendo que o benefício deveria ser apenas dos Fiscais. Mas já tem muita gente com a mão na cumbuca. O pessoal da PGE é engraçadinho neh? Tudo que eles pedem tem fundamentação a favor. Tudo que os outros pedem tem fundamentação contra. É um barato!
O Serra vai mesmo querer subir no palanque com o Pavan? Bom, isso não deve ser nada comparado a ter que aturar a Yeda mais ali pro sul…