O prefeit-o-Dário fica muito chateado quando a gente critica a administração municipal. Choraminga pelos cantos que nem tudo é culpa dele. Às vezes é coisa dos secretários que ele escolheu. Ou dos grupos a quem ele loteou (a exemplo do que fez LHS), o governo. E só porque ele tem esse cargo de “chefe do executivo” e a caneta, os maledicentes ficam dizendo que é o único responsável.
Ele tem razão. Tá na hora de deixar ele de fora, pelo menos pra poder curar as mágoas do recente escanteio, na candidatura ao governo do estado. Fica tranquilo, Dário: vou enumerar as razões pelas quais tenho a impressão que a capital está abandonada, mas não vou citar teu nome.
1. PRA QUE SERVEM AS CÂMERAS DA IN-SEGURANÇA?
Não consegui entender direito, até agora, por que a cidade e o estado têm investido tanto dinheiro em câmaras de segurança nos locais públicos. Na minha ingenuidade, achava que, monitorando a cidade, a polícia poderia agir mais rápido e até preventivamente. Mas o que se tem visto é que as imagens das câmeras só servem para ilustrar o noticiário das TVs.
Naquele caso mais recente, do racha dentro do túnel, ocorrido no final de semana, só na segunda à noite, depois que o troço passou nos noticiários de TV, é que a expedita Polícia Rodoviária começou a cogitar que ali pudesse ter ocorrido alguma irregularidade. Na hora do acidente, portanto, não tinha ninguém assistindo à imagem. Porque se tivesse, na mesma hora teria dado voz de prisão aos dois malucos barbeiros que tentaram “costurar” em alta velocidade e se deram mal.
Pelo jeito, quando a gente vê na TV imagens dessas câmeras, de gente assaltando veículos, ou arrombando portas de loja, a polícia também as está vendo pela primeira vez. Porque não aparecem, nas imagens, os policiais chegando e dando o flagrante. A câmera gravou, mas a turma só se deu conta que era um crime algumas horas depois. Será isso?
O Cacau publicou uma nota em que um leitor contava que viu um morador de rua ferido. Provavelmente foi espancado na rua, nas proximidades de uma dessas câmeras. Mas ninguém apareceu para socorrer. E horas depois, já dia claro, o cara continuava sem merecer atenção de ninguém. Ora, se nem para evitar o crime nem para socorrer as vítimas as câmeras servem, então não servem pra nada.
2. A CIDADE DO RAMLOW
O comandante do policiamento da capital, tenente-coronel Newton Ramlow, já entrou para a história ao fazer campanha política aberta dentro do quartel. Trata-se, portanto, de um inovador. Onde outros baixavam a voz e procuravam ser discretos, ele fala alto e não esconde de ninguém sua eterna gratidão a quem o colocou ali, pedindo votos a seus comandados. Afinal, deve ser pra isso que a hierarquia militar foi inventada, né?
Pois bem, ele colocou a tropa na rua para impedir que os manifestantes fechassem a Beira Mar Norte. Não explicou direito para seus comandados que sair quebrando máquinas fotográficas pode repercutir mal e a coisa, de fato, repercutiu muito mal. Chegou a proferir mais uma das suas frases célebres: “eu dei a cidade toda, menos a Beira Mar”. A cidade, ficamos então sabendo, é dele. Ou, pelo menos, pode dispor dela conforme ache conveniente.
Decerto porque a repercussão da manobra de sexta foi ruim, na segunda resolveram nem tentar manter a ordem. E a Beira Mar e outras vias importantes foram fechadas no final da tarde, penalizando a população, que além de pagar impostos e já sofrer normalmente com a falta de transporte público, ainda leva bordoadas de todo “movimento social” que aparece na cidade.
O problema da PM, parece, é sua excessiva politização. Polícia não tem que ser simpática nem popular, tem que ser eficiente, profissional e respeitadora da lei. Deveria poder manter as vias desimpedidas sem sair quebrando máquinas, batendo em desafetos e gritando palavrões que só demonstram insegurança e despreparo. Lidar com multidões e “movimentos sociais” exige treinamento, comando firme, nervos de aço e tampões nos ouvidos para não aceitar as provocações.
A população não gosta de ficar num engarrafamento causado por alguma manifestação, por mais justa que seja. Mas também não se sente bem ao saber que sua PM tem brucutus agindo com a complacência dos comandantes. Se um oficial não sabe conciliar esses dois apelos da civilização moderna, então precisa voltar para a escola. Ou cair fora.
3. OS PROFISSIONAIS DO AGITO
Ninguém, com um mínimo de inteligência, tem ilusões sobre o motor das manifestações que empolgaram tantos jovens nos últimos dias. A oportunidade criada pela insatisfação popular com a má condução dos negócios do transporte coletivo municipal é aproveitada por organizações que sabem o que fazer com esse tipo de ânimo. E aí alguns se surpreendem com o fato das manifestações terem líderes que vieram de outros estados. Ora, isso não é novo e nem é, em si, ruim. Sempre pode rolar uma espécie de “transferência de tecnologia” e acabarmos, um dia, tendo nossos próprios agitadores sociais.
O grande problema, a meu ver (e já falei isso aqui ao longo de vários anos), é juntar alhos com bugalhos. Soma-se o descontentamento do florianopolitano com seu péssimo e caro sistema de transporte, com um movimento nacional (ou internacional) que propõe a estatização e a gratuidade de todo o transporte público. Ora, isso exige, naturalmente, a mudança do sistema de governo. Enquanto vivermos num país capitalista, o tal “passe livre” é apenas uma utopia. E, se advogado apenas para estudantes, também uma enorme injustiça social.
Portanto, esse movimento não tem reivindicações que o município ou o estado ou mesmo o governo federal possam atender dentro das atuais normas legais. É certo que a maioria dos manifestantes, em cada capital ou cidade onde florescem esses protestos, quer solução para seus problemas imediatos: reverter o aumento recente da tarifa, por exemplo. Mas as lideranças, que viajam pelo País dando forma e organização às insatisfações locais, têm um projeto de longo prazo para o Brasil que, com certeza, não conta com o meu apoio. E talvez nem com o apoio da maioria dos que, movidos por legítima indignação, foram às ruas.
Só que, enquanto o poder público for ineficiente, arrecadando muitos impostos e dando quase nada em troca ao contribuinte, esse tipo de movimento encontrará sempre solo fértil para sua pregação. Porque entre uma tarifa escorchante, ônibus desconfortáveis, horários e trajetos bagunçados e um apelo, ainda que inalcançável, de “uma vida sem catracas”, a escolha é simples.
EM TEMPO: o Marcelo Pomar (que acha que eu fui superficial na análise) faz, nos comentários, a defesa do Movimento Passe Livre.
Caro Cesar! A última do prefeito itinerante é de que ele simplesmente desmanchou a secretaria de transportes!!! Não existe servidor, muito menos Secretário. Aliás, ele é o novo Secretário!!! Se der alguma zebra no sistema de transporte público, o que não é raro, não tem quem resolva!!
Big Cesar,
Grande verdade. Amigo meu, médico, filho do deputado ilutre que e,presta o nome ao Plenário da Assembleia,e bastante conhecido na cidade, teve seu filho violentamente agredido por vérios motoristas de taxi na frente do Shopping Beira Mar, devidamente filmados pelas cameras de segurança, sem que a polícia tivesse tomado alguma atitude. Pra nada serve a camaras de segurança. Neste episódio o Minitério Público está tomando medidas contra essa ineficiencia, desatenção e negligencia da Polícia da Capital, que tem como única meta multar carros em estacionamentos proibidos ou em velocidade acima do permitido.
A segurança da cidade, e do resto do Estado, cada dia é mais frágil.
O Estado está falido e o poder Legislativo bem como o Judiciário, a cada dia se locuplatam mais dos altos impostos que se paga nessa nação.
E ninguém faz nada!!!!
Olá Cesar,
O post é bom, e a avaliação sobre o Ramlow é muito pertinente. Mas a avaliação sobre o “passe livre” está superficial. Na realidade, o Movimento Passe Livre, apesar de levar essa nome, não defende passe-livre estudantil, nem mesmo acredita que somente a superação do capitalismo poderá porporcionar uma tarifa justa ao usuário, que nesse caso nos consideramos a “tarifa zero”. Apenas, nesse momento inicial, propõe uma nova forma de organização do transporte, baseado na inversão do seu financiamento. Hoje, a tarifa que é escorchante, como você acertamente afirma, é paga quase que integralmente pelo usuário. Nós dizemos que ela deve ser paga pelos setores organizados da economia da cidade, que mais se beneficiam com o fluxo normal de pessoas e mercadorias na cidade, ou sejam, ou grandes meios de produção e comercialização dessas mercadorias e serviços. Por exemplo, o shoping Iguatemi, que alterou tão profundamente o trânsito da região da trindade e santa mônica, porque não paga uma taxa transporte? Somos favoráveis à criação de um Fundo Municipal de Transportes que subisidie o custo da tarifa, através de imposto progressivo, onde os setores que tem maiores condições pagam mais, e os usuários do transporte, geralmente com menores condições paguem menos. Partimos do princípio do direito à cidade, que o trasnporte é a ferramenta pela qual esse direito se exerce. O direito aos direitos da cidade, tais como a saude, a educação, o lazer, a cultura, etc. A tarifa zero, de quebra, ainda estimularia o uso do transporte coletivo, em detrimento do transporte individual que lota as nossas vias públicas todos os dias, causando ainda mais transtorno do que as manifestações dos estudantes.
Por fim, para o MPL, essa não é uma luta estudantil, embora tenha um protagonismo desse setor, até por ser um setor com mais tempo livre, digamos assim, para se organizar e manifestar. Essa é uma luta da sociedade, por melhores condições de vida na cidade.
Saudações cordiais,
Marcelo Pomar
Marcelo Pomar, conheces a máxima que diz “do couro se tira a correia”? Você acha que se o transporte fosse pago pelos setores organizados da economia, ele sairia de graça para o povo? De onde essa classe econômica iria tirar dinheiro para bancar o transporte público? Do lombo do cidadão, com aumento de seus preços, (…)!!!
Belmiro,
(…) O Estado existe precisamente para mediar as formas de controle e as relações entre as classes. Pro bem ou pra mal. Ele pode e deve estabelcer os patamares de cobrança para o estabelecimento de qualquer tipo de financimanto, seja ele oriundo de qualque setor. Não o faz porque os grupo políticos que o dirigem não tem esse interesse. O que não quer dizer que as coisas não possam mudar. A História da humanidade está aí para provar isso.
Agora sim, nossos problemas foram resolvidos!! Tio césar para prefeito, não, não, para presidente!! Sabes tudo ô, desde a criação dos berbigones até o desenvolvimento da bomba atômica…Te cuida heim, que o lulinha vai te convidar pra ser o 171º ministro dele!! kkkkkkkkkkkk
Ah, as utopias do século XX!! é triste ver que o Brasil entra no XXI com a cabeça lá na década de 1960. Belmiro, você está certíssimo: there is no such a thing as a free lunch! é uma lição que a gente não consegue aprender, porque contradiz as nossas mais elevados boas intenções de salvar o planeta, salvar a humanidade.
A proposta não deixa de ser interessante Marcelo. No entanto, considerando os atuais operadores da política brasileira, esse dinheiro se perderia em meias, cuecas, conchavos, entre outros fins escusos.
Está na hora de mudar não só as caras, como o caráter desses operadores, não?
Cassius, a única vantagem de ter muita idade, é ter vivido mais e visto mais coisas. Essa experiência é que me anima a publicar minhas opiniões sobre quase tudo. Mas, embora conheça o cultivo de mexilhões e ostras, não me arriscaria a criar berbigões e ainda que saiba construir um barrelote bem estável, não me animo a sugerir “melhorias” para a bomba atômica. Quanto aos convites e candidaturas, tenho preferido ficar de fora, só “de olho”.
O pior é ouvir o (des)Prefeito como moralizador da construcao civil.
Para a crítica às ideologias do século XX, as mesmas fórmulas liberais do século XX. Estamos empatados. Ninguém quer “almoço grátis”. Estamos propondo que o transporte público seja financiado pelos setores que mais se beneficiam do bom funcionamento do fluxo de mercadorias na cidade, e não os setores que utilizam o transporte pela sua mais absoluta necessidade. Mas ainda bem que as utopias seguem alimentando os nossos espíritos. Elas permitem pensar numa perspectiva que dialogue com o comentário do Henrique.
Marcelo Pomar, assim como o MST, sindicatos, movimentos sociais e ongs, é apenas mais um chantagista social.
Quando nos comentários começou a defesa do pagamento de mais impostos ainda pelos empresários para subsidiar o transporte do trabalhador, parei de ler.
Se a causa principal da não abertura de mais vagas de trabalho e da não melhoria dos salários é justamente a escorchante carga tributária (esta, sim), inclusive sobre a folha, como é que alguém vem defender que seu aumento vai beneficiar o trabalhador??? Ora, o pagamento de vale-transporte pelo empregador já não é exatamente uma forma de subsidiar o deslocamento de seus empregados???
Sim, o vale-transporte já sai do bolso do empresário para pagar o transporte do empregado. Mas se todos enfiassem a mão no bolso para contribuir com essa conta, cada um de acordo com sua capacidade, todos teriam uma despesa mais leve e passaríamos então a contar com um transporte público gratuito, o que estimularia sua utilização e de quebra contribuiria muito para melhorar as condições de tráfego em nossa cidade.
Mas se vocês acham que está bom desse jeito mesmo, então não precisa mudar nada…
Pior “cego” é aquele não quer ver… Eu sou “chantagista social”, e a crítica é assinada pelo cego. Aham, quase me convenci. Bom, o velho Tostoy dizia que “(…)há quem passe pelo bosque é só veja lenha para queimar”. Muito construtivo. Ernesto, tenho familiares no comércio, e sei do esforço e dificuldade dos pequenos e médios comerciantes. A carga tributária é estúpida para o tamanho do retorno ofertado pelo Estado. No entanto, não propomos a taxação desses setores, mas dos grandes meios de produção, comercialização e circulação de mercadorias. Gente que muitas vezes nem está morando ou tendo qualquer relação com a cidade, a não ser o investimento dos seus capitais. Aumento do IPTU de bancos, e grandes empreendimentos geradores de pontos de trafégo, por exemplo. Cheguei a usar o exemplo do Shoping Iguatemi, mas você não deve ter lido, por que desistiu num primeiro momento. As pessoas desistem, e as nossas representaçãos políticas são como são. Depois vem um néscio falar em “chantagista social”. Isso é comodo, ainda mais na covardia do anonimato. Difícil e aceitar o debate, tomar parte dele, sentir-se cidadão, ator da História, tomar parte da ágora. Dar a cara a tapa, ser preso, processado, ganhar todos os processos, pelo absurdo que eles representam.
Agradeço ao César pelo espaço aberto, termino aqui minha participação, e reitero meu respeito por esse espaço e pelo seu autor. A superficialidade se referiu apenas ao item “passe-livre”, embora o autor tenha dado destaque a isso.
Saudações aqueles que criticaram de maneira corajosa e respeitosa, aberta, digna, sem anonimato e ofensas.
Marcelo Pomar, convido vc a ir na ACIF apresentar sua tese. Aceita?
Marcelo, você errou nos cálculos: o liberalismo começou lá no XIX e seu édesenvolvimento foi interrompido pelos rompantes ideológicos do XX. Desculpe-me, mas é a História. Todos as tentativas de levar adiante os delírios do velho Marx e suplantar o capitalismo deu em tirania, aniquilamento dos direitos humanos, assassinato em massa, etc. Mas voltando ao caso de Florianópolis. Até a linguagem que vocês usam para defender essa proposta é nitidamente marxista. Quando eu disse que ´não há almoço grátis, quis dizer que empresário nenhum vai pagar esse custo. É tanta ingenuidade que fico constrangido em ter que “revelar” aqui o óbvio: eles repassam isso ao preço do produto ou serviço, meu caro. Eu até entendo a sua boa intenção, mas não é assim que funciona. Infelizmente, o mundo é um pouquinho mais complicado do que propagam os manuais do esquerdismo latino-americano. Por que será que eles sempre fazem sucesso por aqui, né, umas das regiões mais atrasadas do planeta. Ah, claro, a culpa é dos imperialistas, nunca nossa.
“e seu édesenvolvimento foi interrompido pelos rompantes ideológicos do XX”
Kkkkkkkkkkkkk……….
Interrompido????
Rompantes ideológicos????
XX?????????????
Ai ai…. calma que eu tô rindo ainda….