Se a ventania estranha de ontem à noite já fez uma trilha sonora tétrica pra quem estava em área que não teve problema de enxurrada e inundação, imagino naqueles locais onde, além das janelas batendo, das árvores sacundindo feito doidas, a água ainda ajudava a criar um clima de catástrofe.
Não sei vocês, mas eu já estou razoavelmente acostumado com o vento sul. Mas quando o vento sopra de outra direção, quente e em rajadas fortíssimas, acendem-se os alarmes. Ainda mais quando o temporal vem depois de muitas horas ou dias de chuva, com o solo encharcado e saturado.
Particularmente, não tive grandes problemas com o temporal. Uma ou duas telhas do beirado caíram e a brava aceroleira do quintal tombou. Justamente onde estava a casinha dos passarinhos. Isso, é claro, não é nada. Hoje cedo, quando saí da cidade e peguei a estrada, dava pra ter uma idéia, pela água que ainda inunda as áreas baixas ao longo da 101, do que deve ter sido a noite.
Aquele terrenão entre Biguaçu e Tijucas, onde LHS e empreendedores espanhóis pretendiam instalar um condomínio espetacular, parecia uma enorme lagoa. Os boizinhos se acotovelavam (boi tem cotovelo?) nos morrinhos, pra não ficar com os cascos úmidos. O canal transbordou. Um cenário lindo para colocar nos folhetos de propaganda das novas e luxuosas moradas que estão sendo planejadas para aquela área que, viu-se agora, é inundável.
Quanto à cidade, acompanhei um pouco pela Guarujá (o rádio é imbatível nesses momentos e é nessas horas que a agilidade das equipes fica visível… ou audível). Tive a impressão de sempre: estamos um tanto quanto abandonados à nossa própria sorte. Mas posso estar errado, porque vi a coisa de longe e não tive ainda tempo de conversar com quem estava na linha de frente.
Em todo caso, deixo minha solidariedade para quem teve problemas com esse temporal.
Acompanhando o trabalho da Guarujá do início ao fim, ontem, tive essa mesma sensação de abandonado. Talvez envolvido no clima colaborativo entre rádio e ouvintes, mas ficou mesmo a sensação de “agora é SÓ com a gente” – falando de Florianópolis. A situação pedia um prefeito de galochas, sem demagogia, mas com verdadeiro interesse pelas coisas da cidade (as ruins também). Não duvido que se fosse ele o candidato ao governo, o interesse seria outro.
excelente texto