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Jornalismo

Ecos da luta sindical

Ia colocar como título deste post, “Eles que são sindicalizados que se entendam“, só pra fazer uma gracinha. Mas aí pensei melhor e resolvi não avançar nas provocações, até porque tem muita gente séria levando a sério os embates que estão ocorrendo no seio (ôpa) da catiguria.

Vamos por partes.

1) O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, pede-me que avise aos interessados que a resposta dele e do SJSC quanto ao que foi dito naquele “manifesto” cheio de assinaturas (que publiquei há alguns dias aqui), está numa longa nota, publicada no site da entidade.

Para ler, clique aqui.

Ali o SJSC responde às várias provocações do manifesto e expõe as razões da agremiação catarinense ter passado a aceitar filiação de jornalistas sem diploma.

2) No e-mail que me enviou, informando que a posição do Sindicato estava no site, o presidente Lunge resume a questão e a gente percebe o tom em que a discussão está sendo levada:

“Olá, Cesar,

Peço que veja a resposta da Direção do SJSC ao protesto eletrônico divulgado em seu blog. A posição da Direção está aqui: www.sjsc.org.br, caso queira publicá-la. O debate sobre quem é, o que faz, o motivo pelo qual faz, podemos fazê-lo. Mas para isso é preciso desconsiderar os meios eletronicos. Em parte, o sindicalismo está do jeito que está porque deixou de se fazer presente no local em que o trabalhador passa pelo sofrimento da exploração. Estamos tentando, a todo momento, retomar isso. Coisa que abaixo-assinado pela internet não pode fazer. Um abraço, Rubens Lunge – presidente do SJSC.

Ah, sim! Infelizmente, alguns (pena que seja a maioria) dos colegas daquela lista estão na seguinte condição: torcem para o Avaí mas querem mandar no Figueirense! de todos os nomes que ali constam, sete não são filiados (puxa vida! será que eles debatem os problemas e as questões da escola do bairro onde moram, mesmo que seus filhos lá não estudem?). Do total, restarm apenas 10 que, pelo nosso Estatuto, poderiam dizer alguma coisa para a Direção, desde que dissessem a verdade!. Dentro os demais, há quem sequer esteja morando no Estado! E outro que desde 1998, apesar de a Secretaria do SJSC ter tentado contato, nunca mais apareceu no Sindicato! Não vamos comentar o grande número de jornalistas, daquela lista, que simplesmente faz de conta que o SJSC não existe, não participando de nenhuma atividade chamada pela Direção e muito menos respondendo aos contatos que tentamos fazer. Como se diz por aí, Sindicato é para quem quer sindicalizado. Aqueles que não querem se sindicalizar, porque é preciso tempo para as reuniões, para as discussões, para as deliberações, e isso requer comprometimento e, isso é o mais complicado para alguns, seguir o Estatuto da entidade (você deve lembrar dele, pois foi colocado em vigor ao tempo da gestão de Celso Vicenzi, redigido pela Maria José). Gostaríamos de ter todos estes valorosos colegas que assinam a nota de volta. Mas infelizmente podemos dizer que hoje contamos como sindicalizando no pleno direito apenas 10 daqueles valorosos nomes. Ah, sim! Pra finalizar. Recebi o recado de uma colega daquela lista, ontem, pelo marido. Disseram-me que ela assinou porque Sérgio Murillo pediu, e que não havia lido o texto. É lamentável. Mas também temos que ouvir isso!”

3) Não sei se entendi aquela referência aos meios eletrônicos (desconsiderá-los?), mas imagino que seja para enfatizar a presença física nos debates e nas redações, em oposição ao debate por e-mail e coisa parecida. Tudo bem, não vamos desviar o foco, que a briga, do jeito que está, já está bem interessante.

Bom, o Rubens acredita que, por trás do manifesto dos ex-diretores, está a próxima disputa pela direção da Fenaj. E, se não estava, agora está, porque ele a coloca no centro da sua resposta. Há, evidentemente, um conflito aberto como há muito tempo não se via, no modorrento Sindicato dos Jornalistas pós-MOS (o Movimento de Oposição Sindical que sacudiu a cena jornalística catarinense no século passado).

Sei que modernamente muita gente tem medo do debate e das discussões (acha qualquer divergência pública uma “baixaria”). Mas eu acho muito saudável que tenham todos saído de seus confortáveis armários do consenso e da unanimidade, para trocar farpas, pedradas e caneladas no meio da rua. E a mim não me incomoda se a rua é virtual, eletrônica, de papel ou paralelepípedo.

4) A única coisa preocupante, mesmo, é tão antiga quanto o golpe de 64: a turma reclama do sindicato e quer dar pitaco na diretoria, sem ser sindicalizada. Na época do MOS foi assim também: a gente queria tirar os “pelegos” do sindicato, porque a gente se achava o máximo e tudo o que a catiguria precisava era da nossa sábia e esquerdíssima liderança. Pois bem, acreditem ou não, na primeira tentativa tinhamos o apoio da maioria dos jornalistas em atividade, mas perdemos de lavada na urna pela simples razão de que a maioria dos que nos apoiavam não era sindicalizada e, portanto, não podia votar.

Alguns ainda diziam, explicitando o paradoxo tostines: “não vou me sindicalizar neste sindicato de pelegos, só quando mudar a direção é que me sindicalizo”. Dãã!

Como o sindicato (e aí não foi só o caso dos jornalistas, o problema é do sindicalismo de uma maneira geral) foi perdendo apelo, poder de mobilização e todo mundo preferiu tocar a vida sem dar bola pra meia dúzia de três ou quatro que ficava insistindo na… “luta”, tem pouca gente sindicalizada.

Portanto o primeiro passo, caso eu realmente queira me meter nessa briga, é reunir uns pila e ir ao banco redondo preencher a ficha de filiação. Não tem 0utro jeito.

Bom, vão discutindo vocês aí, que eu vou ficar por aqui, no meu canto, cochilando um pouco mais e pensando se darei ou não esse passo.

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