Hoje é aniversário da ponte. Para comemorar, deixo duas sugestões: a leitura de uma crônica do Sérgio da Costa Ramos que, como em tantas outras ocasiões, diz o que era preciso ser dito e o endereço de um álbum coletivo com centenas de fotos. E, mais abaixo, um textinho antigo (que também está no meu livro), que lembra a ameaça permanente que são os aterros.
A crônica do Sérgio está aqui.
A VELHA SENHORA
No dia 13 de maio, a ponte Hercílio Luz, principal cartão postal da cidade, completa 80 anos. Mesmo enferrujada, sustentando-se sabe Deus como, apoiada nos últimos rebites, rangendo de cansaço, ela está lá ereta e orgulhosa. Acho que até sabe que só serve para aparecer nas fotos, mas mesmo assim ergue-se altiva sobre as águas cada vez menores das baías do Desterro.
Agora mesmo, enquanto ela passa por uma intervenção cirúrgica (que por enquanto só lhe retirou parte da maquiagem), caminhões, dragas e gente tratam de estreitar o estreito, para resolver o problema dos automóveis. Ou, como diria o mané descrente: “Esses aterros só servem para criar novos locais de engarrafamento”.
É bom o pessoal da reforma da ponte se apressar. Nem tanto pelo perigo da velha senhora desabar, mas principamente porque daqui a pouco algum dos irmãos Berger pode ter a ideia de aterrar tudo, para unir a beira-mar do continente à beira-mar norte e à beira-mar sul, resolvendo de uma só vez vários problemas: acabaria a Ilha (será que viraríamos um imenso São José? Ou Palhoça, o que é mais provável, se levarmos em conta a força que o Ronério tem junto ao LHS/Dr. Moreira); não precisaria mais de ponte, pouparíamos a despesa de conservação e agradaria as empreiteiras de asfalto, viadutos e avenidas.
Pobre senhora. Merece todas as honras e todas as nossas preces neste aniversário.
(Publicado originalmente em 9 de maio de 2006)
E viva a “politicagem”.
A bela crônica do Sérgio da Costa Ramos definitivamente nos reconcilia com a permanência da ponte. Que seja restaurada.
Eu sou a favor da restauração, mas uma pulguinha atrás da orelha fica me perguntando, com certa insistência: quantas campanhas esta reforma já bancou? Mistério!!!