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Caraminholas

O pessoal tá nervoso…

Pelo jeito todo mundo sonha mesmo é com um bom e velho empreguinho público. Os coleguinhas fizeram aquele concurso da Assembléia Legislativa de Santa Catarina concorrendo a sete vagas. Saiu o resultado, os que foram melhor classificados tomaram posse e, teoricamente, a novela tinha terminado. Mas agora alguns dos que não entraram estão de marcação cerrada, atrás de outras vaguinhas. De um jeitinho que transforme, por milagre, aquelas sete vagas em outras, sei lá, dez, vinte, trezentas.

O último lance é um e-mail distribuído pelo Rafael Leiras, dizendo que os terceirizados, que tinham sido dispensados quando terminou o contrato de terceirização, estão de volta por meio de um artifício ilegal.

A história, até onde consegui saber, não é bem assim. Existem cargos comissionados (de livre preenchimento, portanto, sem necessidade de concurso), que desde que a TV Alesc foi criada (1999, 2000?), estavam preenchidos e continuam. Não se trataria de retorno à terceirização.

De qualquer forma, mesmo que, de uma hora para outra, alguém decida que essas vagas deixarão de ser preenchidas da forma que sempre foram e passarão a ser preenchidas por concurso, será necessário fazer outro… concurso. Até mesmo aquelas vagas que ficaram desocupadas com a extinção do contrato de terceirização não podem ser “automaticamente” preenchidas pela turma daquele concurso das sete vagas. Penso que será necessário um processo específico para essa finalidade. Mas tenho a impressão que o pessoal, que aponta o dedo com tanta ênfase para supostas irregularidades na Diretoria de Comunicação, quer mesmo é que se abra uma entrada lateral, ou mesmo nos fundos, para que os classificados na seleção já feita (mas que não tiveram índice para ocupar as poucas vagas oferecidas) sejam “aproveitados”.

Aí pergunto eu para meus assessores jurídicos informais: esse “jeitinho” não seria imoral e/ou ilegal?

BATE-REBATE

O Leiras ficou muito brabo com a nota acima e me mandou dois e-mails irritadíssimos. Daí, respondi a ele, por e-mail. Depois vi que ele também colocou o texto dos e-mails aqui, nos comentários. Por isso, já que ele resolveu debater em público, trago também pra cá a resposta que tinha enviado a ele:

Prezado colega: quando recebi tua denúncia, procurei me informar (tipo ouvir os dois lados). E o que consegui saber, na Alesc, era diferente do que afirmavas. Podes argumentar, então, que eles estão mentindo. E isso é uma coisa perfeitamente possível. Por isso, preferi não ir muito fundo no exame da denúncia e da contra-afirmação oficial. Acredito que possa existir, naquele emaranhado de cargos comissionados, ex-terceirizados e outras situações, alguma irregularidade, embora não tenha conseguido ver de que tipo nem onde.

O que fiz, então, no blog, que te irritou tanto, foi expor minha opinião sobre a posição daqueles que fizeram o concurso e acham injusto que apenas sete tenham sido aproveitados, quando há necessidade de tanta gente naquele setor da Alesc. Acho mesmo, como falei em público, que o correto é fazer novos concursos para as novas vagas. Não acho legal que o concurso, que foi feito para preencher sete vagas, seja utilizado para preencher as demais. Sinto muito se esta opinião te faz tanto mal. Lamento, mas sempre pensei assim. E não é de hoje.

Da mesma forma, tomastes como pessoal o caso, talvez porque eu tenha citado teu nome. Mas só o citei porque, até onde soube, enviastes aquela denúncia para várias pessoas. Na Alesc, quando fui indagar do caso, já tinham o teu material. E tu mesmo informas que levastes a denúncia ao MP. Achei, portanto, que se tratava de um texto público e que não pretendias o anonimato. Por isso citei o nome. Mas poderia ter citado outros nomes, porque não és o único, daquele grupo que ficou de fora, a se queixar e a ficar procurando brechas e falhas na diretoria de comunicação. Onde, por falar nisso, não tenho parentes nem amigos especialmente queridos. Mas tenho vários colegas, ex-alunos e conhecidos, alguns dos quais entre os sete que recém-ingressaram. E entre as centenas que fizeram o concurso tenho grandes amigos, de longa data, muita gente muito competente e querida, que certamente eu escolheria sem pestanejar, se estivesse montando uma redação.

Se defendes o aproveitamento dos concursados em vagas que eventualmente venham a ser abertas, muito bem, argumenta e defende teu ponto de vista. Não precisas, para prová-lo, considerar ofensiva uma posição diferente, divergente. Basta mostrar que estou errado. Afinal, dizer que estás divulgando aquela informação não é calúnia. E dizer que não consegui confirmar a veracidade dela não é difamação. Assim como achar imoral o que tu e vários outros pretendem, não “denigre” a imagem de ninguém: apenas mostra que temos divergências. E podemos divergir, não podemos?

MAIS CACETE

O Leiras não descansa. Meia noite e tanta deu-me mais uma espinafrada por e-mail, dizendo que eu quis diminuí-lo, que eu o coloquei como “um boca aberta qualquer”. Li e reli meu post e não consegui ver todo esse potencial ofensivo dirigido a ele. Em todo caso taí a última bronca do Leiras, pra que vocês tirem suas próprias conclusões:

“Caro Cesar,

Entendo a sua posição, mas nunca pedi anonimato em nada, sempre fui digno o suficiente para ser o único a dar minha cara a tapa nesta questão. Estou absolutamente seguro de estar defendendo uma posição justa, mas, ainda assim, respeito quem defende o contrário, pois compreendo a extensão dos interesses que regem o espírito das pessoas.

Porém, nunca coloquei o nome de ninguém na frente dos meus argumentos.

Gostaria que você refletisse sobre a forma como você colocou a questão. O que aconteceu foi simplesmente que você, sem me conhecer, pelo fato de eu ser um “zé-ninguém” desconhecido, você quis sim me diminuir, me colocar como um boca aberta qualquer que “sonha” com um “empreguinho público”. O seu azar foi que eu não sou esse boca aberta. Sou muito mais do que isso. Sou um “zé-ninguém” sim, mas com sonhos muito maiores do que “empreguinhos públicos”, e tenho dignidade e luto por aquilo que acho justo. E luto por não ter padrinhos políticos e por me indignar contra essa escrotice que acontece em toda a administração pública e, ainda, por ter um filho pra criar. Se você teve sorte, deve saber o que é isso. E deve saber também o significado da palavra injustiça, sem sofismas, sem forçação de barra.

Podemos divergir sim. Mas você me desrespeitou, tentou me diminuir publicamente. Afinal, eu sou um “zé-ninguém”… Isso está claro. Mas não me surpreendo com mais nada, colega. Infelizmente conheço bem a alma humana, muito mais do que gostaria. Só lamento e sigo em frente. Boa sorte pra você.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. esse Rafael passou em 17 e quer entrar, os 7 classificados foram chamados, os outros esqueçam, agora só comissionado, esses sim dão votos, que é disso que os deputados precisam VOTOS.

    Posted by patricia | maio 12, 2010, 19:57
  2. Para muitos tio, tem coisa que só é imoral ou ilegal quando são outros que fazem.

    Posted by Wilmor Henrique | maio 12, 2010, 20:00
  3. Já que você se julga no direito de ironizar quem busca justiça, pois para mim a sacanagem está bem clara, apesar da sua visão torta e imoral das coisas (na minha visão), publica aí então: meu sonho não é ter um empreguinho público nem ser mais jornalista e muito menos blogueiro. Estou sonhando em outras áreas. Vou lançar um romance agora e um documentário no fim do ano. Ainda sou novo e tenho um longo caminho a percorrer, sigo devagar e sempre, com humildade e respeito, apesar de toda a babaquice que sou obrigado a ver e ouvir todos os dias de gente como você. O mundo dá voltas. Um dia você vai perceber como são pequenas, covardes, injustas e arrogantes as suas ironiazinhas pretensamente geniais. Lamentável a sua postura, como de resto de todos os que se julgam acima dos outros. Dá pena. Muita pena.

    Posted by Rafael Leiras | maio 12, 2010, 20:45
  4. A propósito, conta pra gente quem são seus amigos ou parentes que estão lá dentro ocupando esses cargos comissionadas (mui legítimos) para fazer trabalhos rotineiros na Diretoria de Comunicação? Ah, você não defende amigos; só defende a moralidade e a legalidade né? Então tá bom. É de homens assim que o Brasil precisa. Daqui a pouco você recebe (se já não recebeu) seu título de cidadão honorário e aí entra definitivamente para a galeria dos imortais…

    Posted by Rafael Leiras | maio 12, 2010, 20:54
  5. A Patricia tem razão, o que se ve em vários órgãos públicos é a tercerização, que é politicagem total, pq a turma trabalha por quem os colocou na “repartição”, vota nos mesmos e ainda pede votos na família.

    Posted by theodora mussi | maio 12, 2010, 21:13
  6. Bem engraçadinho vc, meu caro Cesar Valente de meia tígela, sabe o que é ética? Justiça? Com certeza não, deve ter sangue político correndo nas suas veias, daqueles que sempre gosta de dar um jeitinho em tudo…

    Posted by Simone Maria | maio 12, 2010, 21:26
  7. Concordo com o Wilmor acima, só quando os outros fazem é ilegal. Na verdade eu acredito que tudo isso que nós vemos por aí, é um problema cultural do nosso povo (infelizmente). O povo critica o governante, mas faz exatamente o mesmo nas pequenas coisas do dia-a-dia.
    Tem gente que acha que a palavra corrupção só pode ser utilizada para políticos, quando na verdade é qualquer atitude ilegal. Será que aquelas pessoas que estacionam na frente do shopping iguatemi não são tão corruptos quanto os políticos. É tudo uma questão de acesso. Se eu tenho acesso a uma vaguinha no concurso, então eu vou tentar, se for dinheiro na cueca, então vamos lá. Qual é a diferença afinal? Em maior ou menor grau, é tudo corrupção. Nosso presidente é o maior exemplo de que político é apenas alguém do povo que chegou ao poder.

    Posted by Marlon | maio 12, 2010, 21:33
  8. Marlon é um gênio. Falou tudo.

    Posted by Rafael Leiras | maio 13, 2010, 00:27
  9. (…)
    Ô Leiras, vai para casa, toma um calmante e tenta ler tudo de novo.
    (…)
    (Cortei algumas partes deste comentário, porque só jogavam gasolina na fogueira. CV)

    Posted by epa | maio 13, 2010, 09:52
  10. Acho que a situação é mais complicada do que parece. O fato de apenas 7 terem classificado não impede que os seguintes sejam chamados e/ou classificados também, caso abram novas vagas. Pelo menos eu entendo assim. Se estes sete desistem, por exemplo, os sete seguintes classificam, e assim por diante. Enfim, a questão, pelo que compreendi, é que existem jornalistas concursados e existem jornalistas ocupando cargos comissionados. O que se deve perguntar é: pode? Qual a razão da Alesc optar por comissionados e não por efetivos? Não deve ser pelo custo, uma vez que os comissionados, na maioria dos casos, recebem mais do que os efetivos. Pode existir um cargo comissionado com as mesmas atribuições de um efetivo? Sem falar do compromisso das pessoas. Dificilmente um comissionado tem o mesmo comprometimento que teria um efetivo para com a instituição. Comissionado, via de regra, tem compromisso com o seu QI. Eu sou um tanto quanto radical neste ponto, e entendo que todos os cargos, comissionados ou não, deveriam ser preenchidos por empregados da carreira, e da própria instituição (exceto secretários e diretores). O que vemos no estado hoje é uma farra. Gente cedida pra todo lado, politicagem para transferências, gente caindo do céu nos cargos comissionados, gente sem qualificação… Não vi, no texto do CV, ofensa ao Leiras. Foi apenas uma opinião pessoal. Apoio a “luta” do Leiras na tentativa de moralizar o negócio. Sabemos que os cargos nem sempre são preenchidos por pessoas com qualificação, mas por apadrinhados de alguém.

    Posted by Aline Graziela | maio 13, 2010, 10:26
  11. Aline, de fato não é fácil nem simples e tenho a impressão que as filigranas jurídicas só “ajudam”: tem cargo que foi criado para preenchimento em comissão e cargo que foi criado para preenchimento por concurso e qualquer alteração precisa de igualmente complicada tramitação (e vontade política, que é uma espécie de animal em extinção). E, como cereja do bolo, o ano eleitoral bloqueia (às vezes com suspiros de alívio), qualquer tentativa de consertar ou remendar o imbroglio. Quanto à situação ideal, de ocupar cargos comissionados com funcionários de carreira, houve um começo de caminhada nessa direção, com a lei do tempo do LHS, que reservava um certo percentual (que era crescente), para os efetivos, nos cargos de confiança. Mas o problema, para os jornalistas, é que a profissão nunca foi levada a sério no serviço público. Não há sequer previsão da existência de jornalistas no quadro da maioria dos órgãos públicos. Na Alesc poderia ter sido diferente, já que resolveram ser proprietários de veículos de comunicação. Mas desde a trapalhada da TV pirata (a Alesc colocou a TV em sinal aberto sema necessária autorização), passando por coisas como a compra da fabulosa bateria, não chega a ser surpresa alguém ter feito um concurso tardio apenas para sete vagas. Quando todos sabemos que, para movimentar o conglomerado midiático da Alesc, são necessárias dezenas de profissionais especializados.

    Posted by Cesar Valente | maio 13, 2010, 10:53
  12. Bom pessoal, lendo as coisas aqui consigo até acreditar que o que está acontecendo é correto. Quando CV fala que o concurso foi feito para 7 vagas e não acha justo mais pessoas serem chamadas, Ok é o direito dele. O que revolta é ver pessoas em cargo de comissão lotadas na coordenadria de comunicação que ficaram em quase na posição 200! Você que fez o concurso e ficou em oitavo se sentiria legal? Como ela está lá e quam ficou próximo está fora? Outra coisa o que uma pessoa que fez o concurso para Operador de TV está fazendo como comissionado? A situação não se restringe somente a jornalistas…

    Posted by Arthur | maio 13, 2010, 11:19
  13. Essa questão de “não levar a sério” as profissões é uma lástima do serviço público que afeta não só os jornalistas, mas também os administradores, os economistas, os pedagogos, etc. Os contadores, depois de muito esforço dos Conselhos, vem conseguindo seu lugar ao sol. E esta questão casa com um assunto que você levantou dias atrás, sobre a atuação dos sindicatos, dos órgãos de classe, etc. OAB, CREAs e CRCs, e os respectivos sindicatos das classes, são fortes. Resta aos demais correrem atrás do prejuízo e buscarem, também, o reconhecimento do canudo suado.

    Posted by Aline Graziela | maio 13, 2010, 11:33
  14. …Essa discussão não vai dar em nada, o Leiras não vai ser efetivado, os comissionados não serão exonerados, os terceirizados vão continuar sendo nomeados, ano eleitoral chove ouro….

    Posted by theodora mussi | maio 13, 2010, 12:56

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