Quem costuma abrir a caixa de comentários deve ter visto que a assessoria de imprensa do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), mandou uma longa resposta ao “Fala Leitor” do último dia 10 (”O prefeito que adora uma complicação“). Eles parecem convencidos de que o tal sistema é um espetáculo, comparável aos avanços da automação bancária. Tanto que o chamam de “modernização”. Uma maravilha tecnológica que daqui a pouco não conseguiremos mais viver sem. A única coisa com que todos concordamos é que o usuário vai mesmo ter que pagar a conexão com a internet, além da tarifa da zona. E me irritam ao achar que, só porque é pouco (estimam em R$ 0,15 por semana), essa despesa adicional pode ser tratada como se não existisse. Ou fosse irrelevante.
Pois bem, as explicações não me convenceram. Ao contrário, as explicações despertaram novas dúvidas, que tentarei expor abaixo.
Teve um parágrafo (o do item 3) que achei especialmente incompreensível. Olha só:
3. Na verdade, a implantação deste novo sistema irá beneficiar o usuário, inclusive com ganho substancial de tempo uma vez que teremos um controle efetivo do tempo de estacionamento de cada veículo, fazendo com que haja rotatividade real dos mesmos nas vagas, o que certamente diminuirá o tempo desperdiçado na procura por uma delas. Por outro lado o fato de poder realizar este procedimento pelo seu próprio aparelho também substituirá o tempo gasto hoje na localização do Monitor. Após o primeiro momento de adaptação a esta nova forma o usuário regular da Zona Azul verá que o minutinho gasto para efetivar seu estacionamento será recompensado com as outras perdas que hoje ele tem.
Não entendi o que fará exisitir rotatividade real. O que o controle tem a ver com isso? Alguém avisará ao motorista onde tem vaga? E o que se pretenderia dizer com a frase final? “O minutinho gasto… será recompensado com as outras perdas que hoje ele tem“. Por favor me digam se fui só eu que, na minha ranzincice, achei essa frase surrealista?
Entre as perguntas que brotaram à medida em que lia a gentil resposta do IPUF, estão estas:
Posso continuar usando o cartão de papel, se eu não tiver celular? Os dois sistemas vão coexistir? Ou haverá um momento em que só quem tiver celular de determinado tipo é que poderá estacionar?
Se o cartão de papel vai continuar, posso continuar a comprar bloquinhos pra não ter que sair na chuva atrás de um monitor? Ou haverá alguma pressão para que os otários, digo, os usuários migrem para o torpedo-zone?
Se acabar a bateria do celular e eu não conseguir informar que estou saindo da vaga, vou continuar pagando até conseguir ligar de novo o celular? Ou vou ter que perder horas, na chuva ou no sol, atrás de um monitor?
O IPUF está levando em conta que a Constituição permite que a pessoa tenha automóvel mas não tenha celular? Vocês sabem que tem gente que se recusa a ter celular e não pode ser punida ou impedida de estacionar por isso? O IPUF já acertou com algum deputado a criação de um projeto de lei (ou emenda constitucional) obrigando todos os motoristas a portar celular com WAP?
Qual é a remuneração da empresa que fornece o sistema? Como foi escolhida? Quem teve a idéia, a empresa que vendeu o sistema ou alguém do IPUF?
Quem são os sócios e donos da empresa que controlará esse sistema?
Por que e como o IPUF escolheu este tipo de sistema?
As despesas com a criação do código de três dígitos para as zonas de estacionamento e a sua pintura nas placas serão bancadas por nós (via IPUF) ou pela empresa fornecedora do sistema?
Vão contratar mais monitores? Vão reduzir o quadro de monitores? Qual, afinal, a economia esperada para os cofres públicos? Ou não tem isso, o troço é mesmo só pra remunerar a empresa detentora do sistema e encher o nosso saco? Ah, não vale dizer que é pra aumentar a eficiência, porque se eu demoro mais tempo para registrar o meu estacionamento do que demoraria raspando o cartão e ainda tenho que avisar a alguém que estou saindo, a eficiência vai pro beleléu. Certamente vocês levam em conta que a razão de existir de vocês é o usuário/eleitor/contribuinte e que se ele não é o beneficiário direto, a coisa está mal ajambrada, né não?
Acho que é só, por enquanto. Se os leitores tiverem outras dúvidas, podem ir deixando nos comentários, que tenho certeza que mais adiante a turma do IPUF, que acha o sistema o máximo, vai responder e provar pra todos nós que eu sou uma toupeira e eles são legais.
Eeeeeeeeeeeeee!
Voltou!
Que bom!
Sou sua admiradora. Acompanho seu blog desde… Faz tempo!
Fiquei triste quando destes tchau.
Procurei outros blogs que mostrassem Florianopolis como vc.
Nao encontrei.
Hoje te achei la no Canga…
Fiquei feliz de novo!
Boa sorte!
Eu
Acrescento ainda, por que não posso fazer o registro via computador por um browser qualquer? Assim, se o celular falhar, ao menos tenho a opção de fazer o registro do trabalho ou de casa.
Reforço a pergunta sobre os cartões, posso comprar 10 blocos hoje para usar até o fim do ano?
Aproveitando, já que o valor para quem usar o celular é irrisório segundo a tchurma do IPUF, porque não abatem o valor gasto com o torpedo do estacionamento do barnabé que usa o sistema?
Mas sejamos otimistas, talvez complicar a ZA, faça parte do plano da prefeitura para que o pessoal use mais o transporte coletivo, que é de qualidade e baratinho.
Aqui vai uma sugestão de tópico para o blog: Táxi em Floripa. Eu uso muito o táxi e sei o transtorno que é pra conseguir um. Outro ponto para o qual a PMF está evacuando durante a sua caminhada (para não soar pejorativo) .
Assim temos o manual completo de como acabar com o paraíso (by PMF):
- transporte coletivo (desintegração, motoristas “pilotos”, tarifa muito cara)
- táxi (central de rádio táxi única, central de rádio táxi sobrecarregada, atendentes de rádio táxi extremamento mal-educados, motoristas “pilotos”, poucos táxis)
- automóvel particular (ruas em péssimo estado, “tapete preto do paraguai”, falta de fiscalização contra irregularidades)
- bicicleta (poucas ciclovias, ciclovias desintegradas, ciclofaixas eleitoreiras, falta de fiscalização quanto ao estacionamento indevido em ciclofaixas, falta de incentivo do uso de transporte alternativo, falta de bicicletários)
- pedestre (calçadas “trincheira de guerra”, poucos pontos para atravesar as ruas e avenidas, calçadas quase inexistentes, falta de fiscalização com relação aos carros estacionados nas calçadas)
Este é o retrato de Floripa, o paraíso. Infelizmente, e digo isso porque adoro essa cidade, as únicas belezas de Floripa são as naturais, ou seja, aquelas que não foram feitas pelos governantes. Estes por sua vez estão querendo é acabar com as belezas naturais. Tá tudo invertido!
O melhor sistema era aqueles parquimetros fixado nas calçadas, era só chegar colocar as moedas ou as cedulas que o sistema já emitia a hora, o tempo de duraçao e a hora de termino, não sei pq tiraram aquele sistema. Será pq se ele se multiplicasse iria acabar com os azulinhos de açucar, pois basta uma chuva que não se encontra uma alma viva para comprar a folha da zona azul, mas isso também acontece em dia bom.
Abraço.
Rafa.
Cesar, bom poder voltar a ler teu blog. Era teu leitor assíduo e fiquei decepcionando quando abandonastes. Achei por acaso novamente e aqui vou eu participando pela primeira vez. Sou manézinho de Coqueiros e gostei muito desta tua nota que tem eco e voz nos meus pensamentos. É no mínimo ridículo nossa capital sendo administrada por gente que só pensa em encher os bolsos (deles e dos outros cupinchas). Este IPUF é um dos braços armados da máfia da prefeitura, que não é de hoje (já vem desde os tempos daquela tia que agora quer ser governadora) gosta de esfolar o povo. Aproveito para fazer uma provocação:
- Falando em Táxis, domingo agora vai ter o tal concurso da prefeitura para autorizar novas placas (ou carros) para prencher o déficit de táxis existente na cidade. Tem gente graúda que se inscreveu. Sei que tem diretores de empresas do governo e da própria prefeitura, ex-funcionários da Celesc e outras estatais que se inscreveram, de olho em pontos para faturar uns $$$. Acho que pode rolar um apadrinhamento descomunal….Lembra que já teve este concurso, mas foi anulado porque até médicos foram aprovados? Pois é, fiquem de olho. A turma anda com muita fome de grana, enquanto o povo paga a conta.
Desculpe o “jornal”. Bom retorno e forte Abraço.
João Otavio Mendes.