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Caderno de Domingo

Conversa de repórter

Ou: um americano apaixonado pela música brasileira

Ou: um americano apaixonado pela música brasileira

Geralmente não leio os livros à medida em que são lançados. A Lúcia, nesse quesito, é muito mais rápida que eu. Como demonstração disso, só agora estou saboreando o “Deu no New York Times” (Objetiva, 2007), do Larry Rother. O fato de estar à venda, na Catarinense, por R$ 9,90 pesou bastante na escolha.

Abre parênteses: levei um susto, quando fui levar meu primeiro livro para colocar à venda na Catarinense por R$ 30,00 e encontrei lá prateleiras e mais prateleiras de livros a R$ 9,90. Claro que não eram lançamentos e tinha muita coisa ruim, mas, numa boa garimpada, dava pra abastecer uma sacola bem fornida. É dura, a concorrência. Fecha parênteses.

Recomendar um livro depois que tanta gente leu pode parecer tolice (e talvez seja). Mas no caso deste livro em especial, lê-lo depois que aquele episódio que se seguiu à reportagem sobre Lula ficou na distância, quase esquecido, permite degustar melhor o relato como um todo, sem ficar procurando, aqui e ali, o presidente Lula e seus pilequinhos.

Trata-se, como o autor esclarece já na apresentação, de um livro sobre o Brasil dele. Que ele viu e viveu. Mais do que um livro sobre o Brasil. E a visão de um estrangeiro sobre a nossa casa sempre é interessante. Ajuda-nos a calibrar a nossa própria visão e a conhecer melhor os efeitos externos do que fazemos internamente. Quando o estrangeiro é um repórter experiente, a coisa fica ainda mais atraente.

Larry Rother morou no Brasil muito tempo, é casado com brasileira, fala português há décadas e, portanto, tem uma visão do país diferente de repórteres que vêm, passam umas semanas e voltam para suas origens. Mas, mesmo assim, é uma visão externa, que se encanta com valores culturais que nós nem sempre valorizamos.

Não sei se é por deformação profissional, mas gosto muito da conversa de bons repórteres. Sempre que pude, sentei-me a ouvir os grandes repórteres que encontrei pela vida. Não conheci pessoalmente o Larry Rother mas acho que agora, depois de ouvi-lo no livro, posso colocá-lo na lista dos colegas que sabem o que estão fazendo e sabem como fazer.

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