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Política

A prefeitura e seus caquinhos

Ninguém é contra a instalação adequada da Prefeitura e suas repartições. Ninguém, em princípio, é contra trem, bonde, navio, metrô, ponte, túnel… O que a gente não aguenta mais é ver os administradores municipais tratarem cada coisa como se fosse um pedaço isolado de todo o resto.

Um dia, já faz tempo, algum ser humano razoavelmente inteligente descobriu que se planejasse antes de executar, poderia estudar melhor as alternativas, conhecer o que já foi feito no mundo e ao longo da história e poupar a si e seus semelhantes de aprender dando marradas com a cabeça na parede.

Planejar a curto, médio e longo prazos tem inúmeras vantagens. E quem sabe utilizar melhor essa ferramenta, acaba sendo mais respeitado por seus contemporâneos. E mesmo pelos que virão depois e saberão avaliar, ao estudar a história, que aquele foi um tempo de gente iluminada, esperta, avançada.

É próprio dos trogloditas políticos e dos embaçados sociais uma visão fragmentada que despedaça a cidade. Com isso, atuam solenemente em cada caquinho, tentando fazer-nos crer que estão realizando coisas duradouras e solucionando os problemas do todo.

É próprio dos que têm cabeça fraca e inanição cultural administrar por espasmos, apagando incêndios (muitas vezes provocados pela decisão espasmódica anterior), tentando fazer-nos crer que sabem o que estão fazendo e que ao final nos salvaremos todos.

O problema do péssimo transporte público, com suas greves periódicas e aumentos de tarifa idem, ônibus desconfortáveis, funcionários descorteses e olímpico desrespeito pelo cliente (o contribuinte/eleitor, aquele que deveria sempre ter razão), nunca é enfrentado com vontade.

O político de plantão, de olho no dinheiro dos empresários do transporte e no que tão bons amigos podem fazer por sua “carreira”, tem medo de criar inimizades. Se o povo florianopolitano não fosse tão gentil, generoso e cordato, teria erigido um monumento ao desligamento do ar condicionado dos ônibus. Este “downgrade” autorizado pela Prefeitura é emblemático e sintetiza, de maneira inequívoca, o que pensam do povo os administradores municipais, vereadores incluídos.

No pé desse monumento, que poderia ser uma escultura em bronze, uma lata de sardinhas suarentas (tipo chafariz, em que a água escorreria como gotas de suor), estariam os nomes de todos aqueles que participaram da decisão direta ou indiretamente. E a gente, sempre que passasse por ali, seria convidado a cuspir nessa nominata infame.

Depois que o poder público municipal, eleito e pago pelo povo, autorizou as empresas a circularem sem esse item de conforto, o recado foi dado: vale tudo. E só os néscios imaginam que há alguma negociação entre prefeitura e empresas de transporte coletivo: há determinação, pelas empresas, do que o governante de plantão precisa fazer. Talvez o momento de fazer fique meio ao sabor da conveniência política, mas o resto, é puro deboche.

E a sede da prefeitura, então? Uma novela a reboque da criação do Centro Administrativo estadual. Nem Dias Gomes escreveria um enredo melhor para esse ímpeto de um Odorico Paraguaçu galego que se acredita administrando Sucupira, na companhia de igualmente caricatos ajudantes (ou seriam acólitos?).

Em que plano a coisa se insere? A cidade está no meio de um parto doloroso da montanha escarpada que é o novo Plano Diretor, e Odorico vai à Câmara pedir alteração no Plano Diretor moribundo. Não há plano, companheiro, o plano se faz ao andar da carruagem e ao tilintar das moedas (verdes?).

E assim vai. Todos se levam muito a sério. Acham-se importantes. Tomam decisões graves, anunciadas como se fossem a salvação da lavoura. Mas qualquer eleitor/contribuinte de média estatura e algum bom senso, sabe que é tudo tão oco, apagado e escandaloso quanto a árvore milionária de Natal.

Ainda bem que hoje é sexta…

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. César,

    Só podemos concordar com tuas palavras. No inicio da “operação Paulo Fontes” comentava com amigos de que a Prefeitura estava na fase “erro/acerto”, na verdade usava outra expressão, mas acho não ser condizente com o blog. E nesta fase do “planejamento”, o Senhor Prefeito (Odorico) informou ao Hélio Costa e toda a equipe técnica (?) da PMF, que irá construir, na Paulo Fontes, uma “passarela subterranea” para acesso ao TICEN. Agora vale a máxima: Chama a mãe que o pai tá doido.
    Abraços.
    Beto Tillmann

    Posted by Beto Tillmann | maio 7, 2010, 14:23
  2. Aleluia, o Cesar voltou! E voltou dando de bico, no melhor estilo “tolerância zero” com os incompetentes que administram esta cidade. Spread the news, Cesar is back!

    Posted by Carlos | maio 7, 2010, 15:39
  3. O lugar que o Dário escolheu para construir a nova sede da Prefeitura é totalmente inviável. COmeça pela localização, completamente fora de mão, junto a avenida mais movimentada da cidades, em uma área predominantemente residencial, um terreno pequeno, que caso no futuro seja necessário ampliar (e com certeza será) ficaria inviável a ampliação. Fora que existe no terreno uma frondosa e maravilhosa arvore, que desde que fui morar ali perto (e fazem mais de 30 anos) já era enorme.

    Posted by Ale | maio 7, 2010, 16:17
  4. Se a escolha dos assessores, secretários, gerentes e coordenadores dos órgaos/secretarias fosse calcada na formação, no conhecimento, no profissionalismo, e não na política, nas amizades, no apadrinhamento, e no amadorismo, as coisas seriam bem diferentes.

    Posted by Aline Graziela | maio 7, 2010, 16:42
  5. Sem comentários, perfeito!!!

    Posted by Moisés | maio 7, 2010, 17:17
  6. Muita lúcida a manifestação sobre a desordem de nossa cidade. A cidade está abandonada. Faltam dirigentes que não apenas a amem, mas que saibam como tratá-la. Quando a burrice e desamor se unem, como parece ocorrer hoje em dia- o que nos resta é que os mandatos passem rápido para que na próxima escolha, possamos melhorar nossa cidade.

    Posted by Marcelo Rams Peregrino Ferreira | maio 7, 2010, 19:41
  7. Baita texto Tio Cesar.
    Parabéns!

    Que bom que voltou.

    Posted by Wilmor Henrique | maio 7, 2010, 20:06
  8. O Dário acabou com o melhor que a Prefeitura tinha: o Pró Cidadão na Felipe Schimidt. E por que acabou? Só porque era obra da Angela Amim?
    Mas era muito bom, bem central e era ali que o povoera bem atendido. Vender ali para construir na Beira Mar é ridículo. O Prefeito precisa ouvir o povo e não só os construtores

    Posted by Belmiro | maio 8, 2010, 01:48
  9. O Prefeito poderia usar essa grana para terminar a beira mar continental, que ele inaugurou sem inaugurar nada. Não acaba nada que promete, uma baderna.

    Posted by Aline | maio 8, 2010, 11:23

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