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Jornalismo

Desleixo jornalístico

Ando muito desiludido com a qualidade dos textos jornalísticos. Nem tanto pelo desrespeito que uma notícia mal escrita representa, mas principalmente pela distorção informativa que o desleixo na construção das frases produz.

Vejam, por exemplo, este título e esta linha fina (ou linha de apoio) que encontrei hoje num portal de notícias (clicrbs, aqui):

“Delegado dispensa apoio nas investigações no caso da menina violentada e morta em Criciúma
Ademir Serafim, diretor-geral da Polícia Civil, pode determinar uma intervenção”

Muito bem, o título e seu complemento levam-nos a crer que existe alguma coisa errada com a investigação e que o diretor-geral está pensando em intervir no caso.

A leitura da notícia mostra que, apesar de existir a possibilidade regimental de intervenção (pode, sim, o chefe pode, como pode tantas outras coisas), não está sendo cogitada, porque a central de Criciúma seria perfeitamente capaz de tocar o caso sozinha.

Ora, se o que o título sugere é verdadeiro, o texto está mal escrito e o desmente. Se o texto está correto, o título está mal feito. Parece um daqueles casos, muito comuns, em que o chefe de redação ou o próprio repórter tem uma tese (”a polícia de Criciúma é incompetente e deviam chamar o DEIC pra assumir”) e sai a campo não em busca da melhor informação, mas à cata da confirmação de sua tese.

Não tenho a menor idéia se está ou não havendo falha na condução das investigações. E, pela leitura desta notícia, continuo sem saber. A notícia ainda sugere que existe um desagradável e inoportuno conflito de egos entre setores policiais. Mas, como não vai fundo, fica no ar apenas a insinuação.

Aparentemente, a uma apuração preguiçosa se somou uma edição desleixada. O resultado? Informações incompletas que transferem ao leitor várias suspeitas e dúvidas. Quando deveriam trazer respostas e fatos.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Isto não é nada, se comparado ao que o jornalista da RBS fez no início desta semana, ao atribuir ao José Serra uma frase jamais dita por ele, no evento evangélico de Camboriú. Coisa, a meu ver, extremamente grave.

    Posted by Guilherme | maio 6, 2010, 13:57
  2. Tenho tido a mesma sensação ultimamente. Reportagens que não servem pra nada, ou seja, fazem todo um drama no início e depois não falam como se desenrolou a história e o leitor/telespectador fica com carra de “tá e daí, o que aconteceu ou vai acontecer, morreu, se salvou, vai ser preso, o que?”, coisas desse tipo.

    O detalhe é que vejo isso não apenas nos portais, mas também em grandes jornais televisionados como os da RBS e o Jornal Hoje, para citar dois exemplos.

    Acredito que tenha a ver com a cultura “fast-food” que vivemos hoje em dia, infelizmente.

    Posted by Marlon | maio 6, 2010, 15:03
  3. Perfeito Tio César.Pingos em todos os is.

    Posted by Amilton Alexandre | maio 6, 2010, 17:33
  4. Guilherme, desculpe-me se não captei uma possível ironia sua, mas na verdade o José Serra (PSDB) realmente disse o que a RBS havia publicado em primeira instância. Como a frase não “pegou bem”, houve uma operação abafa e ficou tudo no disse-não-disse. Mas ele disse sim. O jornalista reproduziu corretamente o fato, mas o editor “corrigiu” o subordinado. O mesmo aconteceu em todos os outros veículos de comunicação simpatizantes ao PSDB. Seria uma coincidência enorme essa alucinação coletiva.
    Sds,

    Posted by Yuri | maio 7, 2010, 00:01
  5. Yuri, você não captou a ironia simplesmente porque ela não houve. O áudio do discurso do Serra foi distribuído à imprensa e, no único momento em que ele falou da questão do tabagismo, as palavras dele foram bem diferentes daquelas divulgadas pelo jornalista da RBS. Ao contrário de uma operação abafa, o que vi foi uma tentativa, bem sucedida, de esclarecer uma inverdade publicada num veículo de comunicação.
    Saudações.

    Posted by Guilherme | maio 7, 2010, 10:31
  6. Cuidado com o pelegão da laia da repóter do lullo petismo da RBS no RS que levou uma empenada do Serra, com o papo trouxa de privatização etc etc. Não te ocupa do cabra.

    Posted by Matraca | maio 7, 2010, 12:13

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