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Caraminholas

Fica Zunino, fora Prisco, fora Bopré

Há dois anos, se tanto, seria impensável ouvir de torcedores de Avaí e Figueirense o apelo contido no título aí em cima. Testemunhei na Ressacada e Orlando Scarpelli manifestações opostas a essas, de avaianos descontentes com a administração de João Nilson Zunino, e de alvinegros (ou tricolores? – ultimamente sempre me bate essa dúvida) no paraíso com a parceria da Figueirense Participações. Foram sete anos de série A no Campeonato Brasileiro, hegemonia estadual e enriquecimento patrimonial, enquanto o grande rival se debatia no fundo do poço.

A partir do final de 2008 mudou tudo. O que estava errado virou sinônimo de perfeição, o que dava certo se transformou em fracasso total. João Nilson Zunino acaba de ser reeleito para mais um mandato, vai bater recorde na presidência do Avaí. Paulo Prisco Paraíso, o gênio do futebol catarinense, hoje não seria convidado nem para porteiro do Scarpelli, e Norton Bopré, o presidente dos anos dourados, estaria no olho da rua pela vontade da torcida.

O passionalismo no futebol embota o raciocínio e embaça a visão de quem precisa enxergar longe e trabalhar com planejamento. Zunino agora é o gênio, Prisco e Bopré os incompetentes e sob suspeita. Principalmente Paulo Prisco, o homem que lidou com milhões junto com seus sócios nesses anos de sucesso. As suspeições de hoje vão desde a origem do dinheiro até sua aplicação. A mídia convencional na época sempre teve medo de tocar no assunto, pisava em ovos e falava dos recursos que possibilitaram o reerguimento do Figueirense como se o volume de dinheiro de repente disponibilizado tivesse vindo do Além, trazido por seres de outro planeta.

Passou, agora é tranca de ferro em porta arrombada. Mas, é assim mesmo no futebol. O próprio Prisco encaminhou a definição nestes primeiros confrontos e veladas trocas de acusações entre conselheiros e a Figueirense do Prisco & associados. Quando havia resultado estava tudo na santa paz e os dirigentes honestíssimos mereciam o prêmio Nobel em economia, finanças, gerenciamento esportivo e probidade administrativa.

Do outro lado o inverso. Os recursos do Avaí (ou do Zunino) sumiam ano a ano em um saco sem fundo, gerindo um clube desorganizado e um time derrotado a cada competição. Era um período de dívidas e maledicências.

Como se deu o milagre da multiplicação de recursos e resultados positivos de um, e a rotina de fracassos e operações mal sucedidas do outro? Não houve varinha mágica no Avaí, nem malversação de dinheiro do outro. Zunino não é gênio, nem Prisco e Bopré são os Irmãos Metralha.  Os avaianos ganharam parceiros que já haviam obtido sucesso com o Paraná, e no Figueirense o dinheiro mais curto e mau gerenciamento do futebol interromperam o roteiro até aqui bem sucedido.

O resto é fantasia e movimento de arquibancada, de conselheiro que age como torcedor. No Avaí, seriam lembranças do tempo em que João Salum carregava dinheiro para pagar jogadores em sacos de papel. No Figueirense são os frequentadores do “Recanto do Corneta”, saudosos do tacão da bota. E dos tempos do “tapetão” todo o fim de campeonato, quando se mudava uma súmula e o resultado de um jogo nas “casas de tolerância”, na popularmente chamada “zona”.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Não houve varinha mágica no Avaí, nem malversação de dinheiro do outro. Zunino não é gênio, nem Prisco e Bopré são os Irmãos Metralha

    Mário estás com a síndrome Paulo Brito? Colocar o Zunino e o Bopré no mesmo saco do Prisco. eles não merecem. Dar atestado de honestidade para o Prisco Paraiso é mais do que temerário, é um absurdo.

    Cartão red for you!

    Posted by amilton alexandre | dezembro 20, 2009, 10:01
  2. “Mas, é assim mesmo…”. Nao vai virgula depois da conjuncao.

    Rodrigo Cavallazzi
    Pneumologista e Intensivista
    Universidade Thomas Jefefrson, EUA

    Posted by Rodrigo Cavallazzi | dezembro 20, 2009, 10:44
  3. Boppré, com dois pês.

    Posted by Fabricio | dezembro 20, 2009, 14:30
  4. Incrível esse post…
    Até a grama do Orlando Scarpeli sabe que o sr. Paulo Prisco lavou dinheiro no clube. Exatamente no mesmo modus operandi do sr. Mário Celso Petralia, desta feita no Atlético Paranaense. Os dois formavam uma dupla na Divalpar, corretora de valores curitibana. Que ‘sumiu’ com milhões do tesouro catarinense. No famigerado escândalo das letras.
    A literatura sobre o tema é vasta. Livros, jornais, inquéritos foram montados.
    Todo mundo sabe disso. Até o mais humilde torcedor do Figueira.
    Menos o autor do post.
    Incrível. Desse jeito, o blog do tio César vai acabar tomando furo da RBS…

    Posted by Jurandir Pereira | dezembro 20, 2009, 20:08
  5. Ká, ká, ká, ká! Nada como um dia atrás do outro. Quem sabe na probreza eles aprendem a ser mais humildes.

    Posted by Fernando | dezembro 20, 2009, 21:35
  6. Se o amgo sabe tanto por que não foi a justiça denunciar o escândalo e a roubalheira a qual se refere? Se eu tivesse provas já teria feito isso há muito tempo. Até o ex-governador Paulo Afonso está por aí, livre, leve e solto e com seus bens de volta. Parece que o leitor não entendeu mesmo o sentido do post.

    Posted by Mário Medaglia | dezembro 20, 2009, 22:22
  7. Sobre a vírgula -

    APARECE necessariamente uma vírgula antes ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Neste caso, a vírgula não tem relação direta com o e – ela está lá para fechar ou abrir o encaixe apenas.

    O texto de blog é texto coloquial.

    Posted by Cesar Laus | dezembro 21, 2009, 11:08
  8. Mais,

    Assim como VÍRGULA, por ser proparoxítona, tem acento.

    Posted by Cesar Laus | dezembro 21, 2009, 11:16
  9. Caro Mário,
    Fico feliz ao saber da existência de homens com fé.
    Realmente, como dizes, não tenho documentos que comprovem os rolos do dr. Paulo. Aliás, não tenho nenhum papelzinho que possa levar à prisão o outro Paulo, o Maluf. Eles são muito parecidos. São dezenas as denúncias. Inquéritos e mais inquéritos. E eles não vão para o xilindró.
    E achas que eu, um pobre mané, torcedor do glorioso, mesmo tendo uma tonelada de gravações dos doutores teria coragem de levá-los às barras dos tribunais?
    Mas agora sei que posso contar contigo. Um homem com fé. Que acredita no dr. Paulo mané. E na justiça brasileira. Você, eles, o Daniel Dantas e o Arruda…

    Posted by Jurandir Pereira | dezembro 21, 2009, 20:58

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