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Política

O financiamento das campanhas

Esta é uma questão antiga, sobre a qual de vez em quando nos debruçamos, mas na maior parte do tempo deixamos ficar, quieta, sob o tapete: vereadores, deputados, prefeitos, governadores, senadores e presidentes, gastam em suas campanhas eleitorais muito mais dinheiro do que receberão legitimamente, de seus subsídios oficiais, durante o mandato. Em alguns casos gastam muito mais até mesmo do que a soma de todos os benefícios diretos e indiretos, passagens aéreas inclusive.

E, principalmente, a grande maioria gasta mais do que declara à Justiça Eleitoral.

Ora, a matemática é ciência que, em geral, é exata: se a campanha custa mais do que o sujeito vai receber nos quatro anos seguintes, há aí um mistério contábil.

Certamente os políticos não ficam no prejuízo. Caso ficassem, não haveria tantos interessados em concorrer, nem por tanto tempo. Tem gente que está a vida inteira (e tem filhos ou filhas na fila da boquinha) mamando nas generosas tetas dessas sinecuras.

Esse mistério é que nos leva a suspeitar que aquilo que os vídeos mostraram ocorrer no governo do Distrito Federal seja prática comum e disseminada. Os políticos precisam, para suas campanhas, de muito dinheiro. De chapéu na mão, batem de porta em porta, pedindo esmolinhas para os empresários amigos e inimigos. Sabem que não conseguirão ganhar o suficiente para pagar os “empréstimos”. Fica implícita, em toda conversa de pedido de “apoio”, que o doador terá um amigo eterno, cheio de gratidão. Mas poderá dar adeus àquele dinheiro.

O político, agradecido, quando eleito, naturalmente tratará seus apoiadores como príncipes. Dará a eles todas as oportunidades de recuperarem, com juros e correção monetária, o que “investiram”. E aí não vem muito ao caso se o “apoio” foi explícito (com declaração à Justiça Eleitoral e valores contabilizados) ou discreto (por fora, por baixo ou no panetone). O fato é que sempre que o vereador, deputado, prefeito, senador, governador ou presidente estiver gozando as delícias do cargo, vai se lembrar com carinho de quem o colocou ali, naquela “carreira política”, da qual só sairá se fizer alguma besteira grossa.

Então, senhoras e senhores, lembrem-se que somos um país endêmicamente corrupto. E que, infelizmente, parece que na tal “classe política” inverteu-se a coisa: eles são suspeitos de meter a mão no baleiro até prova em contrário.

E a prova em contrário não pode ser “não sabia”, “não era meu, estava recebendo para um amigo, que mora longe”, “botei na meia por segurança” ou “era apenas uma contribuição não contabilizada”.

Discussão

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  1. Cesar, bem-vindo seja.

    Só para lembrar do óbvio. Frase de um vendedor de tapetes que mora na Trindade, nascido no Irã e que já morou na Alemanha.

    No Irã o que vale é a palavra.
    Na Alemanha o que vale é a lei.
    No Brasil não valem nem a palavra nem a lei.

    Abs.

    Cesar

    Posted by Cesar Laus | dezembro 3, 2009, 17:29
  2. A sugestão mais eficaz é o financiamento público de campanha. Assim o dinheiro que se gastaria indiretamnete, através de licitações direcionadas, se gasta comedidamente e contabilizadamente.

    E tudo que o político receber a mais é crime.

    É doído saber que o dinheiro sairia do nosso bolso, mas indiretamente já sai de qualquer maneira, e muito mais do que qualquer campanha com dinheiro público financiaria.

    Posted by Bernardo | dezembro 3, 2009, 20:46

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