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Florianópolis

Afinal, é PDP ou PQP?

Pelo jeito o pau está quebrando na discussão do tal Plano Diretor Participativo (PDP) de Florianópolis. O texto abaixo está circulando por e-mail e tem muitos indícios de que a condução do processo está criando mais atrito do que resolvendo problemas. Mas nada do que está dito aí tem muita importância, porque antes de sair do governo LHS vai chamar Dário e Gean num canto e dizer tudo o que ele, como grande planejador urbano, acha que deve ser feito na capital. O próprio prefeito, assessorado por seu vice, tem idéias brilhantes que não precisam de nenhuma discussão enfadonha com essa gente metida, que só porque vota e paga impostos acha que pode dar palpite no que os gênios da raça farão com a cidade.

Ah, o texto tá cheio de siglas e o site oficial – bem capenga – do Plano Diretor Participativo não tem um glossário. Portanto, deixo o trabalho de identificar a sopa de letrinhas para os leitores familiarizados com o jargão, que queiram colocar a tradução nos comentários. A propósito, imagino que NGM seja Núcleo Gestor Municipal…

Colegas;

A fraude perpetrada no PDP (e “Sustentável” – faz parte do novo nome formal dessa empulhação) se desenrola à nossa vista a partir de amanhã, com a realização das “oficinas” chamadas pelo IPUF-CEPA.

É preciso reiterar que respeitamos as posições diferentes da nossa e, de forma recíproca, pedimos o devido respeito à nossa, como se espera no âmbito de um processo democrático, transparente, ético e de livre adesão política e organizativa.

De outra parte, lembramos que na última reunião do NGM Autoconvocado, realizada no dia 26.11.09, na UFSC, embora houvesse consenso por parte das instâncias que compõe o colegiado em relação a outras questões, não houve consenso sobre a participação nas oficinas, de forma que esta ficou em aberto, a critério, portanto, de cada instância posicionar-se como entender melhor.

É diante desse contexto que nós entendemos importante socializar a defesa que fizemos da NÃO PARTICIPAÇÃO nestas oficinas chamadas pelo IPUF-CEPA na última reunião do NGM. É público e notório que o governo municipal corre desesperadamente para legitimar de todas as formas o seu processo NÃO PARTICIPATIVO, NÃO DEMOCRÁTICO, NÃO DELIBERATIVO, À REVELIA DO NGM – QUE NÃO RECONHECE, COM MÉTODO OBSCURO E A TOQUE DE CAIXA, PARA FINALIZAR UM PROJETO DE LEI QUE RETRATARÁ APENAS O MACRO-ZONEAMENTO – UM PDP PELA METADE, E AINDA POR CIMA, ILEGÍTIMO.

O NGM Autoconvocado posicionou-se por entrar com uma ação judicial contra a PMF-IPUF questionando todo o processo recente a partir de quando alijaram o NGM e instauraram a farsa de uma suposta participação popular. Até sua recente apresentação formal, houve um período de intenso debate que procurou esgotar todas as formas de negociação com o governo municipal, inclusive com a ajuda dos MPs. NÃO HOUVE A MÍNIMA DISPOSIÇÃO DO GOVERNO EM NEGOCIAR, NEM COM OS MPs, MUITO MENOS COM O NGM. A ação foi acolhida pela Justiça e tramita conforme a dinâmica do Judiciário.

ESTÁ CLARO QUE QUEM PROVOCOU ESSE CONFLITO FOI O GOVERNO!!

Coerente com nossa postura diante da APM no Cine Ritz – NÃO PARTICIPAR DA MESMA, mantemos a mesma posição diante das oficinas que transcorrerão nos próximos dias, entendendo que participar destas acaba por legitimar justo o processo que estamos questionando judicialmente no todo. NOS PARECE INCOERÊNCIA.

A par das nuances de como fazer algum tipo de protesto lá dentro ou não, caso agora colocado novamente com as oficinas, fato é que a própria PMF-IPUF propiciou um argumento tão forte quanto o jurídico/legal/político para não participarmos naquela APM farsante: a revista pessoal que os guardas da GMF faziam nas pessoas antes de ingressar no salão do evento. PASSAR POR TAMANHA HUMILHAÇÃO, indigna e aviltante sobre nossa cidadania, é algo que só se poderia imaginar nos tempos da ditadura militar sob o ambiente de paranóia esquizofrênica dos militares e seus aliados diante de qualquer protesto que “imaginavam” acontecer. Estamos em 2009, mas a sensação aqui em Florianópolis é que em alguns momentos voltamos a 1979 (novembrada, por coincidência).

As oficinas que o IPUF-CEPA farão, procurarão, através de uma suposta “participação ampla da população” (coisa restrita a no máximo 200 pessoas), chancelar um escopo de planejamento urbano que formará a espinha dorsal do futuro projeto de lei do PDP, tudo isso à revelia do NGM, cuja função precípua é estabelecer a metodologia geral do processo, suas fases, os prazos, o cronograma, o orçamento – a coordenação geral.

Como se vê, é uma empulhação atrás da outra, patrolagem sobre a autêntica participação popular, alijando qualquer possibilidade de deliberação e intervenção sobre o produto final que já se afigura estar pronto. O caderno “Etapa Conclusiva do PDP”, recentemente distribuído – produto atraente, de personalidade cativante, prova nossa assertiva, quando apresenta inúmeras máculas que evidenciam sua ilegitimidade diante do que já foi discutido e deliberado ao longo dos anos nos Núcleos Distritais e entidades do movimento social – deliberações de diretrizes em Audiências Públicas Distritais com caráter deliberativo, que viraram letra morta.

É O CARÁTER DESSA FARSA TODA QUE ESTÁ AQUI EM JOGO. Nós do ND do Pântano do Sul decidimos não participar dessa fraude, e sim denunciá-la e exigir nossos direitos assegurados em lei, sem arredar um milímetro dos mesmos, embora já tenhamos definido o micro-zoneamento distrital, que agora, se percebe, sequer será levado em conta. Ao que tudo indica, discussão inútil que transforma o povo num ente bobalhão no jogo trapaceado onde ele delibera, delibera…….. mas, ao final, não leva o que deliberou.

Por isso nós chamamos mais uma vez à reflexão sobre a participação ativa na consumação dessa fraude perpetrada deliberadamente para atender os grandes interesses econômicos em jogo no PDP 2 – o “sustentável”. SUA ATITUDE É IMPORTANTE !!

NÃO CHANCELE O QUE ESTÁ ERRADO POR PRINCÍPIO (e pelo princípio)!!!
NÃO SE DEIXE LEVAR PELA FARSA MONTADA PELO GOVERNO PARA LEGITIMAR O PDP2 !!!

Att
Gert Schinke – Representante Titular Distrital do Pântano do Sul junto ao NGM-PDP

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Tem uma coisa Tio, esse tal de “GERT” é um trememdo cara-de-pau, se não for do jeito dele, não concorda é contra, mesmo que a maioria ganhe numa reunião, aliáis faz parte de um grupelho que querem impor suas vontades aos outros , em Ratones apareceram vários para impor sua visão sobre o bairro, não deixando a população local opinar, dai ocoreu todo o esvasiamento nas reuniões, , ou seja, ele também não é flor que se cheire.

    Posted by silvio | dezembro 2, 2009, 10:09
  2. Mensagem do gaúcho “auto” exilado, ex-PTista e PVista Gert Schinke, o Homem Factóide da guerrilha cultural ecomarxista, autor da “obra” Ecologia Política? O grande campeão na gastança com os telefones celulares dos Núcleos Distritais (apenas três dos 16 representantes de ND gastaram metade do total!)? (Vejam lá, no blog do Damião, meus coments sobre o caso do Ruy Pures Alves, do Maciço do Morro da Cruz, para quem o Pe. Vilson Groh “comprou” uma casa em área de preservação que a Prefeitura tentou demolir e foi impedida por uma “manifestação popular”… são todos farinha do mesmo saco: é uma quadrilha montada dentro do PDP para defender os interessantes da ocupação desordenada na Ilha!) Essa não! Sabem onde mora Gert, o grande moralista do urbanismo e ambientalismo de Floripa, que se arvora líder de uma “rebelião popular” na cidade? Numa edificação em pleno morro do Pântano do Sul, de frente para o mar. O acesso à casa é feito por uma servidão clandestina a partir da estrada geral, que originalmente era a trilha (que foi desviada para a esquerda) para a Lagoinha do Leste. E a Prefeitura mandou pavimentar com lajotas…

    Posted by Maria Aparecida Nery | dezembro 2, 2009, 10:24
  3. Eu participei das reuniões inciais do PDP nos Ingleses, ali ja era visto que a coisa iria mudar de lado, ou melhor, nada daquilo que as comunidades iriam reivindicar seria aprovado sem autorização da ADM Pública, ou alguém acha que eles fazem realmente aquilo que é bom para as comunidades, para os nossos bairros ou pra cidade??????????? Pobre Floripa.

    Posted by Adriano Flor | dezembro 2, 2009, 10:49
  4. [...] de Floripa é a indústria criativa Afinal, é PDP ou PQP? 2/12/09 Por Cesar Valente (DeOlhoNaCapital, [...]

    Posted by FloripAmanha.org / Notícias de Florianópolis e da Associação FloripAmanhã » Blog Archive » Afinal, é PDP ou PQP? | dezembro 2, 2009, 10:51
  5. Só um comentário: no dia em que um Guarda Municipal ensaiar fazer uma revista em mim, além de tomar umas porrdas, eu chamo a PM (já que não se dão bem mesmo). Aviso: GM NÃO PODE FAZER REVISTA PESSOAL; GM NÃO PODE FAZER REVISTA EM VEÍCULOS; GM NÃO PODE PEDIR DOCUMENTOS, SEJA DE IDENTIFICAÇÃO PESSOAL, SEJA DE VEÍCULO. Não permitam essa ilegalidade. Chamem a polícia militar na hora. Isso é contrangimento ilegal e abuso de autoridade, pois a GM não possui essa atribuição.

    Posted by Eduardo | dezembro 2, 2009, 10:58
  6. O Ex-Gov.Hercílio Luz já dizia: o povo gosta é de música e chicote. Quem é esse tal de Gert p/ escrever tanta besteira. Que experiência ele tem em planejamento urbano? Há qto tempo mora em Fpolis? É honesto? Aliás, plano diretor tem é que ser discutido entre técnicos e arquitetos. Tanta “participação” popular dá nisso!

    Posted by lourenço | dezembro 2, 2009, 11:28
  7. Não sou muito a favor de discutir as pessoas e sim as idéias, mas não dá para atirar pedras nos outros tendo telhado de vidro…

    Até robusta prova em contrário, sempre acreditem nos fatos que a Maria Aparecida Nery apresenta.

    Ela está sempre em cima do lance e não fala por ouvir dizer.

    Nenhuma reunião para tratar de urbanismo com mais de 20 técnicos pode ser realmente produtiva, imaginem então uma com 200 leigos. E ainda acham pouco?

    Posted by Ernesto São Thiago | dezembro 2, 2009, 23:25
  8. Êita, São Thiago! E, sabem do que mais? Esse negócio de “participação popular” é que uma grandiosa fraude, porque a população está cansada de demonstrar que não quer saber desse participativismo todo (e, aí, quem acaba falando e votando em nome dela? Bingo! Gert Schinke e seu bando): se não fosse obrigada, a população não ia nem votar em nome da democracia representativa, quanto mais andar de assembléia em assembléia para “decidir” sobre coisas que já sabe de antemão que não vai respeitar. Porque povão gosta mesmo é de fazer o que bem entende e que atende os seus interesses de momento. Querem conhecer a Floripa sob a ótica da “participação popular” do Gert Schinke e sua turma? É esta que aí está, pronta, acabada… e fora de qualquer controle!

    Posted by Maria Aparecida Nery | dezembro 3, 2009, 09:42
  9. Quem é este baderneiro Gert que se acha??Vai procurar sua turma, qual a sua formação ô estepÔ??!!Não gosto e nem votei no Dário mas vamos combinar, com uns caras assim fica dificil trabalhar e avançar no PDP…

    Posted by Bella Siqeira | dezembro 3, 2009, 11:11
  10. Desde o início o objetivo do governo é este mesmo. Plantar a discórdia nas reuniões setoriais para causar o racha, ai o governo diz que o povo é incompetente fica livre pra fazer o que quiser.

    Se for verdade o que a Maria Aparecida escreve ali em cima, quem garante que a servidão não foi lajotada pela prefeitura justamente pelo “apoio” dado pelo Gert na bagunça proposital????

    A opinião da população local é sim muito importante para o PD. Mas colher a opinião é muito diferente de exigir de um cidadão comum definir um plano diretor.

    Tem que ouvir o que a população local vê de problemas na sua região e o que eles gostariam de melhorar. Depois os arquitetos, urbanistas e engenheiros é quem deveriam compatibilizar o resultado de todas as comunidades e decidir que medidas devem ser tomadas pela cidade como um todo.

    Posted by daniel | dezembro 3, 2009, 13:01
  11. Ok, Daniel, dezembro 3, 2009, 13:01 – A “população” foi “ouvida” (em muitos Núcleos Distritais pelo Gert e sua turma) durante quase dois anos, com todas as despesas pagar pelos cofres públicos. Agora chega, né? Não se trata de ter simpatia ou não pelo atual prefeito – aliás, NUNCA devia tratar-se disso. Trata-se de que há um momento em que a fase do tal de “participativismo” se encerra e começa a fase de leitura técnica e a conclusão do Plano. É aí que a porca da politicalha torce o rabo: “Mas, e a causa? O que faremos nós sem mais esta causa?” Resultado? O Homem Factóide já está armando seu circo em outra freguesia: o da Casan (daqui a pouco entra mensagem com o convite para a próxima grande atuação comunitária do Gert: desta vez vai ser no Campeche, no domingo, dia 6). Vai ser chato assim lá em Porto Alegre, trepado nas árvores (comendo banana?) e chaminés…

    Posted by Maria Aparecida Nery | dezembro 4, 2009, 11:07

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