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Cartinha do Emanuel

Não, Darcy Ribeiro não era um embusteiro

Agradeço os comentários postados sobre o meu texto.
A gente cresce (também) na divergência.
Num mundo fundamentalista, onde impera a intolerância e o maniqueísmo, muitos pessoas – carregadas e onipotência -, não suportam críticas.
Gramscianamente, sempre defendo a democracia como valor universal, mantendo o pessimismo da inteligência e o otimismo da vontade.

Não, Darcy Ribeiro não era um “embusteiro”.
Foi um autêntico ser humano, um dos grandes brasileiros que tivemos.
Pagou um alto preço por seus ideiais.
Mas não vendeu a sua alma.
Sempre digo: é melhor não ter um público amplo do que dobrar a espinha.
Na vida, é sempre fundamental ser fiel a si mesmo.
Ele não trocou seus ideais (como muitos) pelas benesses do poder.

Posso não conhecer tudo sobre a transposição do Rio São Francisco. Mas estudei o assunto.
É uma obra – insisto – que favorece às empreiteiras, às oligarquias nordestinas, às empresas do agro e e do hidronegócio, não às populações ribeirinhas.
Deveria servir ao povo nordestino e não aos privilegiados de sempre. E não o serve.

Abração “tolerante” e agradecido do Emanuel Medeiros Vieira

Discussão

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  1. Concordo plenamente, todo o processo do Rio São Francisco não é pensando nas pessoas pobres que vivem no nordeste brasileiro e sim em uma meia dúzia de exploradores.

    Posted by Valter | novembro 3, 2009, 18:01
  2. Quanto a Darcy, era um homem de idéias brilhantes, por isso mesmo hostilizado pela mediocidade dominante.
    Quanto ao São Francisco, o argumento de que serão beneficiados empresários, sustentado por parte do clero, pode ser contestado.
    A manutenção apenas da assistência pontual e em pequena escala não só não basta para conter a migração como protege um tipo de sociedade em que as relações se aproximam da servidão: fé primitiva,dependência cultural e religiosa, estagnação.
    Onde quer que chegue, o empreendimento capitalista cria o de sempre: uma escala de profissionais intermediários, do tratorista ao agrônomo e ao trabalhador da indústria. Altera-se o perfil de consumo e de informação. Não é o melhor dos mundos, sei disso, mas é algo que aproxima a realidade rural nordestina de uma nova tomada de consciência em que não caberão oligarquias e cultos fundamentalistas.

    Posted by Nilson Lage | novembro 3, 2009, 20:06
  3. quem sabe ele não trocou seus ideais pelas benesses do poder pois faltou-o chegar até lá…
    ninguém nasce torto, torna-se torto….é só uma opinião…

    Posted by Diogo Gustavo | novembro 4, 2009, 08:13
  4. Darcy Ribeiro era um “viajandão”, suas grandes idéias não resistem a um sopro de racionalidade. E sua vida pessoal tem algumas passagens que eu repudio em qualquer pessoa, e mais ainda em alguém mitificado pela “inteligência” nacional. Como dizia o Nelson Rodrigues, de perto, ninguém é normal …

    Posted by Carlos | novembro 4, 2009, 10:16
  5. Somos privilegiados. No lugar de Darcy Ribeiro, fundador da Universidade de Brasília, autor do clássico “O processo Civilizatório”, livro que inverteu o foco das ciências humanas na abordagem dos povos ditos periféricos, um pensador brilhante, um político ético e um exemplo eterno, temos agora o “sopro da racionalidade” dos mediocres que se acham o que jamais serão. Para que a inteligência, de Darcy Ribeiro e de Emanuel Medeiros Vieira, se temos à disposição a idiotia de plantão?

    Posted by Nei Duclós | novembro 4, 2009, 22:29

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