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Pérolas do DOE

Critérios & prioridades

O fluxo de dinheiro dos fundos e do tesouro no governo LHS obedece a critérios e prioridades misteriosas. Há projetos que sofrem para receber, precisam recorrer a Deus e todo mundo pra poder ver a cor do dinheiro (se não tinha ou não queria dar, por que aceitaram o projeto, aprovaram o projeto e prometeram o recurso, né não?).

E tem algumas pessoas e entidades que nem precisam fazer força. O governo até parece que vai atrás, insistindo para que recebam o dinheiro. Antecipadamente, ou quando acharem melhor. Mas sempre em dia. E nem precisa de muita papelada ou de muito rigor.

Sem falar que o governo patrocina, com o nosso dinheiro, praticamente tudo. Desde tenores milionários para abrilhantar a campanha eleitoral do prefeito da capital, a um peculiar congresso de “Turismo Odontológico”!

Para esse evento demos “só” R$ 50 mil, mas resta a curiosidade sobre que tipo de coisa se faz em turismo odontológico? Viagem às bocas das diferentes etnias? Especificidades geográficas bucais? (Já, já, explico).

Outra demonstração da amplitude da generosidade governamental, é que, para a Invernada Campeira Amizade Sem Fim, de São Lourenço do Oeste, a gente deu R$ 15 mil para que eles comprassem as indumentárias. As pilchas. A roupinha do tradicionalismo gaúcho.

Nada contra, mas só um governo que tem dinheiro sobrando, consegue distribuir dessa forma, tanta grana. Enquanto isso, algumas coisas secundárias, como escolas, hospitais, estradas, segurança pública, etc, ficam chupando o dedo, morrendo de inveja do pessoal sortudo que tem bons amigos, ou bons canais, no governo.

PRAIAS & BROCAS

O tal turismo odontológico é uma jogada de marketing de um setor da odontologia (no Brasil parece que os fãs mais entusiasmados são da turma dos implantes dentários).

Em vários países do mundo são oferecidos tratamentos dentários como parte de pacotes de férias. Já que o sujeito vai ficar duas semanas de pernas para o ar, aproveita e fica uns dias de boca aberta. Na Europa, a Hungria e Portugal se destacam.

Aqui, a aposta está nos preços baixos (em comparação com o mercado internacional). Parece que há interesse em atrair estrangeiros dispostos a curtir um clima tropical enquanto pagam baratinho por um implante que custaria quase o dobro nos seus países de origem.

A principal crítica que os próprios odontólogos mais sensatos fazem a este tipo de “promoção”, é que muitos dos tratamentos podem necessitar, depois, de um acompanhamento. O profissional que atende o turista não terá como dar seqüência. Quem vai pegar o bonde andando, depois, será um outro profissional. E isso nem sempre dá certo.

Voltando à vaca-fria: o turismo odontológico e seus seminários, congressos e reuniões, portanto, são atividades essencialmente privadas, de interesse específico de um certo grupo de profissionais e fornecedores. Por que, pergunto eu e todos os contribuintes catarinenses, por que temos que dar dinheiro público para eles?

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