Nos últimos cinco dias estive ocupado numa tarefa pouco comum (pelo menos pra mim): fui e voltei a Brasília de carro. Percorri, no total, uns 3.400 km sem incidentes. E revisitei parte deste País que sempre nos surpreende. Em alguns lugares, como o planalto central, o céu parece tomar conta de tudo, é mais do que paisagem, é abrigo, envoltório. Nos sentimos pequenos diante de tanto espaço acima do horizonte.
Em outros lugares, é a paisagem humana que nos assombra. Seja cultivando campos imensos a perder de vista, seja construindo complexos industriais imensos, tudo revela que somos um País rico. E bonito, muito bonito.
Tá certo, ainda tem coisas a fazer, injustiças a corrigir. Mas um passeio pelo Brasil sempre nos dá força e ânimo para insistir. E persistir. Sem imaginar que fugir para outro País vá resolver tudo como num passe de mágica. Cada vez me convenço mais que vale a pena tentar consertar a nossa própria casa.
BABAQUICE RODOVIÁRIA
Vejam só que coincidência, a maior (e única) demonstração de babaquice no trânsito que presenciei, ao longo de milhares de quilômetros e dezenas de pedágios, foi estrelada por um Land Rover verde escuro com placas de Balneário Camboriú, SC. Vou contar porque, de certa forma, é até divertido ver a que nível chega a estupidez humana.
Na rodovia Régis Bittencourt, sentido São Paulo – Curitiba, tem aquela serra cuja principal característica são as dezenas de banquinhas vendendo banana. A estrada tem três pistas, mas mesmo assim, em algumas ocasiões, um caminhão inventa de ultrapassar outro e um terceiro ultrapassa o segundo, de um jeito que fica a estrada toda ocupada por caminhões, naturalmente mais lentos que os automóveis de passeio.
Pois bem, estava a estrada assim, ocupada, quando o Land Rover esse, aparentemente novinho, dirigido por um bacana sem noção, começou a buzinar atrás do caminhão!
Digam-me vocês, que são espertos e experientes, o que adianta buzinar atrás de um caminhão na subida de uma serra? Será que a buzina acrescentará algumas dezenas de cavalos ao motor do brutus para que ele ande mais rápido?
O babacão dava a impressão de não ter a menor idéia do motivo que fazia o caminhão, que estava ultrapassando outro ainda mais lento, não sair da frente imediatamente.
Como é provável que o idiota leia este jornal (afinal, em Balneário Camboriú todo mundo lê o DIARINHO), vou explicar pra ele como a coisa funciona: quando enfiastes o dedo na buzina, mesmo que o motorista do caminhão tivesse ficado morrendo de medo (coisa que, lamento informar, é possível que não tenha acontecido), não poderia abrir passagem, chegando para a direita, porque ali estava um caminhão tão grande quanto ou ainda maior. E mais, ele não estava andando devagarzinho porque queria. Como deves ter notado (ou talvez não), nas descidas e retas eles correm bastante. Ele estava devagar, seu panaca, porque era um caminhão carregado, numa subida de serra! E como já disse, buzina de carro chiquetoso não faz o menor efeito na potência dos motores de quem está à frente.
O único resultado concreto das insistentes buzinadas do “gênio”, foi atrair, para si e seu reluzente veículo, os olhares de todos os que estavam próximos. E enquanto uns riam do tamanho da bobagem, outros o mandavam para lugares distantes e/ou xingavam a mamãe.
É bom notar que o carro, coitado, não tem culpa. O indivíduo que estava atrás do volante e que, pelo jeito, descobriu onde aciona a buzina há pouco tempo, é que merece toda a nossa piedade: perdoai-o (a), porque, sem a menor dúvida, ele (ela?) não sabe o que faz. E, é claro, dinheiro e cultura (educação, cortesia, inteligência, civilidade) nem sempre andam juntos.
O tal estava xingando o caminhoneiro, tudo porque testemunhar uma corrida de lesmas enche mesmo o saco: não que o caminhoneiro vá se importar com um “vai à merda” a mais no currículo.
Que outra utilidade tem a buzina senão chamar a namorada e xingar motoqueiros e caminhoneiros?
Concordo com você, César. O Brasil é lindo e rico. Só falta os babacas como esse aí da Land saírem da frente…
Beijo.
Tava tudo mais ou menos direitinho até o maniqueísmo da Land ‘chiquetosa’…
Tio, sorry, mas discordo completamente.
Calma, não tenho Land Rover não. Tenho um Golzinho 92.
Mas é o seguinte: tem muito camioneiro “degraçado“ nas estradas. E esse aí, conforme seu relato, deveria fazer a ultrapassagem pela pista do meio. A da esquerda é para os veículos rápidos. Assim diz o Código Nacional de Trânsito.
Aliás, nosso povo aqui de Florianópolis e imediações pulou este capítulo da lei. Pista veloz na Beira Mar, por exemplo, é a da direita. Porque, na esquerda, só anda indivíduo a 60 km pra menos.
Então, companheiro, eu que praticamente sempre concordo contigo, desta vez vou discordar.
Valeu.
Jamil, estamos de acordo que o caminhoneiro não deveria ocupar a última pista da esquerda. Podemos até concordar com o fato inegável de que tem muito caminhoneiro degraçado pelaí. Mas a principal questã permanece: adianta buzinar? Resolve alguma coisa? Funciona como uma multa no caminhoneiro infrator? Fará com que o caminhoneiro deixe de achar que é o dono da estrada? (embora todos saibamos que o Brasil entregou as estradas para os caminhões, deixando nossa economia completamente dependente deles…)
Vais me dizer que a Land (mais especificamente uma Range Rover Sport) não é chiquetosa? Muito mais do que uma Pajero feiosa.
Hehehe.
Vai ver que era o garçon do homem da bengala…
O cara da Land Rover até é meio tansinho, concordo, mas o babaca da “questã” é o féladumaboamãe que tava no caminhão. E como este, existem vários outros félasdasboasmaes que mereciam uma surra e um fusqueta – pra voltar a ser gente.