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Copa 2014

Dívidas antigas por estádios novos

Preocupado com os gastos com os complexos esportivos que serão reformados ou construídos para a Copa de 2014 no Brasil, o deputado federal Beto Albuquerque apresentou um projeto na Câmara propondo abatimento das dívidas dos clubes com o governo na proporção dos investimentos que fizerem em seus estádios. Evitaríamos, assim, o uso de dinheiro novo em gastos estratosféricos, como fatalmente acontecerá caso a proposta seja derrotada. Virou um debate nacional (e passional, segundo ele)  com interpretações diversas e, no Rio Grande do Sul, tema para mais um Gre-Nal. Leiam a reação do deputado e as justificativas às críticas que vem recebendo, em texto publicado no blog do comentarista da RBS, Wianey Carlet.

                                                      

“Infelizmente, uma proposta sobre qual solução real e concreta para os complexos de futebol que servirão à Copa de 2014 virou um debate passional. No RS um Gre-Nal.

Como muitas coisas no RS, sempre temos que ser ou gremistas ou colorados. Como se isto fosse um fundamento para se viver e o mundo girasse só em torno do futebol. Dependendo do lado em que estamos e por quem somos vistos, podemos ser do bem ou do mal, amigos ou inimigos.

 Há quem faça sua razão de viver, de ver o mundo, de colocar em cheque seu futuro e de sua família, de se relacionar em sociedade e com os outros e de julgar pessoas e amizades com base no time que torce. Eu respeito isso, ainda que considere um total absurdo.

Não tenho isto como parâmetro para o que faço. Minha história de 46 anos de vida e meus 20 anos de carreira pública mostram isto.

 Há muitas coisas que nos motivam na vida. Muito além do futebol, esta pequena referência que muitas vezes herdamos.

Há uma campanha sórdida e tendenciosa pela internet contra mim porque fiz uma proposta objetiva para a falada Copa do Mundo, que até agora não produziu nada de concreto.

A mentira dita e repetida muitas vezes tende a virar verdade para alguns. É um estilo. E cada um com seu modo de viver a vida ou de avaliar os outros pelo que os outros dizem.

 O Projeto de Lei que apresentei quer ser um estimulo a todos os clubes de futebol que serão sede, subsedes da Copa ou que estejam nos 12 Estados escolhidos para os jogos de 2014.

Todos os clubes brasileiros, nestes Estados e fora deles, inclusive Inter e Grêmio, são grandes devedores de dívidas históricas e milionárias com o governo.

Há mais de 20 anos os clubes não pagavam nada disso. Alguns continuam não pagando. Estas dívidas juntas passam de R$ 2 bilhões.

Veja que o dinheiro público, infelizmente, já fora gasto, queimado, comprometido e sem perspectivas concretas de um dia ser devolvido ou quitado por todos, inclusive por Grêmio e Inter.

 Por isso, ajudei a criar a Timemania, dois anos atrás. Uma loteria da Caixa Econômica Federal que destina 22% do arrecadado para os times abaterem em suas dívidas.

Todo histórico das dívidas, de todos os clubes no Brasil, foram contabilizadas na Timemania e reconhecidas pelos clubes que hoje, com ajuda da loteria, pagam modestamente parcelas mensais, sem conseguir reduzir o bolo total apenas amortizar parte do estoque.

Ora, diante deste quadro, pensei que nos 12 Estados que se realizará a Copa deveríamos estimular os clubes a fazerem com dinheiro próprio as reformas ou construção de novos estádios. E isso seria compensado ou incentivado com abatimento na composição das dívidas.

No final, os estádios seriam dos clubes, que pagariam suas dívidas ou parte delas e o governo deixaria de ter que por dinheiro bom e novo em novas obras para estádios de futebol. Claro, em razão da copa.

 A meu juízo, seria melhor o poder público dar incentivo com um recurso que nunca irá receber dos devedores do que despender recursos novos, do Orçamento, para fazer estádios novos e depois entregá-los quase de graça aos clubes. Digo isso porque é uma experiência já vivida em solo brasileiro.

 Olhemos para o Maracanã, reformado (R$ 200 milhões) pelo governo para os Jogos Pan-americanos. Lá jogam pelo menos três grandes times de futebol de graça. Há o Bezerrão, em Brasília, construído pelo governo (R$ 100 milhões) para um jogo da Seleção Brasileira contra Portugal e depois entregue de graça para o Time do Gama, ou, ainda, o Engenhão, também construído com dinheiro público (R$ 500 milhões) e onde hoje quem usufrui a troco de quase nada e sem compromisso com a manutenção é o Botafogo.

 A tendência, sem protagonismo dos clubes que serão sedes ou sub-sedes dos jogos, é que isto continue e em quase todos os Estados os clubes se omitam e o dinheiro público, este sim, meu, teu, nosso e no afogadilho, seja gasto sem limites e depois revertido aos particulares.

Como serão erguidas ou reformadas as arenas de futebol em Recife, Fortaleza, Cuiabá, Manaus, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Natal? Você tem alguma dúvida de que vai rolar muito dinheiro federal ou dos Estados?

Porque, então, condenar de pronto e preconceituosamente o estimulo aos times de cada uma destas capitais a tomar a dianteira, assumir responsabilidades com incentivo fiscal de dinheiro meramente contábil das dívidas impagáveis?

 No caso do RS, Inter e Grêmio poderiam fazer o que será seu, livrando-se ou abatendo suas dívidas monstruosas de dinheiro público com a compensação das obras nos seus estádios e participarem ativamente da Copa do Mundo.

Em São Paulo e Curitiba a mesma coisa pode acontecer na medida em que existem mais de um clube organizado na primeira divisão.

Afinal, Copa do Mundo sem estádios não se realiza. Este é o primeiro pressuposto. E o apoio público inevitável pode ser direto ou indireto e mais vantajoso por não gerar compromissos futuros.

 E tem mais, em estádios feitos diretamente com dinheiro público e depois revertidos para times de futebol, quem fará a manutenção depois da Copa? O poder público é claro. E para sempre.

Do contrário, serão os clubes os responsáveis pela conservação custosa e permanente. Como já fazem Inter, Grêmio e tantos outros nos seus estádios.

 Chamo atenção para minhas verdadeiras motivações.

Como todo o projeto ou proposta que tramita no Legislativo, esta por mim apresentada pode ser aperfeiçoada ou rejeitada.

Aceito críticas e as respeito. Mas me permito reivindicar uma análise mais isenta e sem limitações, chavões ou paixões futebolísticas. E desculpe a sinceridade, com respeito, que é uma boa atitude para quem se diz civilizado.

Discordar não significa ter que condenar, jurar de morte, crucificar ou aniquilar quem tem uma ideia e a coragem de apresentá-la.

 Melhor forma de discordar ou manifestar contrariedade é propor alternativas para a questão.

Afinal, como serão construídos ou reformados os estádios e complexos que servirão como sede, subsede ou de apoio aos jogos da Copa do Mundo?

Você tem a palavra.

Respeitosamente,

 Deputado Beto Albuquerque”.

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