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Caraminholas

Time for change…

A gente começa a mudar no exato momento da concepção e nunca mais para. Todos aqueles que tentaram frear a metamorfose vital, transformaram-se em caricaturas, múmias pretensamente vivas, arremedo do que temos de mais humano.

Mudar é natural, normal. Gosto de pensar que ao longo de 34 anos de casamento, convivi com dezenas de Lúcias e ela com dezenas (talvez mais) de Césares. Ainda que alguns princípios, em torno dos quais se forjou o nosso caráter, permaneçam imutáveis (como uma espécie de norte magnético), somos mesmo metamorfoses ambulantes. E haja paciência, habilidade, coragem e vontade permanente de reaprender, para reconquistar, de tempos em tempos, aquela nova mulher que emerge dos gestos, da fala, do pensamento, daquela outra mulher, que parecíamos conhecer tão bem.

Mesmo assim, muita gente tem medo de mudanças. Desde mudanças propriamente ditas (empacotar, sair, desocupar, viajar, desempacotar, arrumar, habituar-se com o novo lar) até aquelas mais sutis, quase imperceptíveis a olho nu. Sonham, os medrosos, com o dia em que estacionem num cantinho confortável e de lá não saiam. E imaginam que tudo ao redor fique igual. Paralisado. Congelado. Ora, nem a morte é assim. Quando o coração cessa de bater, tem início uma atividade frenética de organismos de todos os tipos, que em pouco tempo nos deixarão com outra aparência. Nem na morte há esse sonho criogênico de paralisia no tempo e no espaço.

Outra lenda que, aos poucos, vejo que não tem fundamento, é aquele que dizia que, ao ficarmos mais velhos, a velocidade das mudanças reduziria. Ou pelo menos o ímpeto com que nos atiraríamos a elas. Bobagem. As rugas nos dão um sentido de urgência ainda maior. Os problemas próprios do cansaço dessa máquina que tem funcionado dia e noite por quase 60 anos, nos alertam para a necessidade de acelerar o passo. Ver mais coisas, viver mais intensamente, entender ainda melhor o que nos rodeia. É preciso livrar-se do peso (das malas) que a vida foi acumulando no nosso sótão, para poder caminhar mais leve.

Aquele sonho de ter apenas o necessário para manter-se vivo e em movimento, torna-se mais vívido. Que bom se tudo pudesse ser colocado em uma mala não muito grande e se, em poucos minutos, estivéssemos prontos para um novo passeio. Uma viagem. Uma aventura. Uma experiência. Ou apenas um fim de tarde tranquilo, jogando conversa fora.

Sofremos, contudo, com as pressões da nossa (in)cultura e durante boa parte da vida acumulamos coisas, cacarecos, bens, desafetos, mágoas, lembranças e compromissos, que podem ser representados por uma enorme e pesadíssima âncora ou uma lúgubre e invencível raiz, que nos mantém presos, mais do que a um lugar, ao passado. E amarrados dessa forma, acabamos acelerando o processo da mudança mais nociva, aquela que nos transforma em pó. E perdemos a oportunidade de usufruir, da vida, o que ela tem de melhor, que é a própria vida e todas as suas instabilidades. E deste pequeno planeta ameaçado, o que ele tem de melhor, que é a sua diversidade e os pequenos tesouros que se encontra ao longo da caminhada.

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LIVRE, LEVE E SOLTO

Toda essa reflexão aí veio-me à mente (e aos dedos, no teclado), porque hoje de manhã estava começando a preparar as férias que pretendo gozar (isso, isso) em novembro. E também porque, esta semana, tomei algumas decisões que podem parecer banais se olhadas daí de longe, mas que são importantes aqui dentro.

Desde que comecei a usar profissionalmente o computador, na década de 80 (primeiro na empresa e depois em casa), sempre busquei máquinas mais parrudas, mais rápidas, mais completas e, naturalmente, trambolhos que ficavam solidamente estacionados, presos por fios, imóveis em cima ou em torno da escrivaninha. O computador portátil era apenas um acessório, para suprir a ausência do computador “principal” em ocasiões específicas. E para tarefas mais “leves” como escrever, trocar correspondências, atualizar o blog, fazer apresentações… Não dava, por exemplo, para fazer a editoração de uma revista e preparar ali algumas centenas de fotos, com a mesma rapidez do computador “principal”.

Pois agora preparo uma inversão radical: o computador principal será um pequeno (no tamanho) Mac Book Pro com tela de 13″. O computador de mesa e seu monitorzão, passará a ser secundário. E só por um tempo, até que seja descartado, vitimado por sua imobilidade.

Antigamente, quando ainda havia alguma diferença na capacidade de processamento ou de armazenamento entre os computadores portáteis e de mesa, fazia sentido, para quem usa programas mais pesados e lida com arquivos maiores, ter que escolher entre um e outro. Agora não existe nenhum motivo pelo qual devamos ficar presos a uma única mesa. Sem poder levar o computador pra lá e pra cá numa mochila pequena.

Para assistir algum filme ou ver alguma imagem que exige tela grande, é só conectar a uma tv ou a um monitor maior. Para escrever um livro, se o teclado incorporado parece incômodo, é só conectar um teclado que seja mais confortável, que é encontrado facilmente e custa barato. Com os preços dos hds externos caindo, a capacidade de armazenamento é literalmente ilimitada (1TB já custa menos de US$ 150).

Eu sei que esse movimento está um pouco atrasado. Muita gente já tomou essa decisão há algum tempo. Mas não me move a modinha ou a pressão tribal. Movo-me conforme meus vários relógios internos e externos. E mover-se é que é importante. Agora ou daqui a pouco é só uma questão de conveniência e de possibilidade. Ao começar a economizar graninha hoje para a viagem do ano que vem, já se está em movimento. As vitaminas do sonho, as proteínas da esperança, a espetacular capacidade nutricional da alegria, que são componentes da expectativa e da preparação do próximo passo, nos manterão vivos desde já.

Um bom feriado a todos. E até terça.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Cesar.
    Só te digo que vais te deparar com outras coisas pra encher o teu saco da nossa cidade.
    Se não tiveres alternativa verás que mobilidade é algo relativo ainda na ilha. Alguns lugares oferecem wireless, mas é tão ruim que dá até pena. Outros lugares (como o shopping Iguatemi, p. ex.) não tem sequer tomadas.
    Eu fiz esse caminho a dois anos e te conto que a dois meses comprei um monitor de 23″ que me deixou muito mais “móvel”.
    Não que seja de todo ruim, porém talvez percebas que conforto é dezenas de vezes melhor do que mobilidade, assim como eu percebi. Por falar nisso, queres comprar um notebook HP? Hehehe.
    Boa sorte e paciência.

    Posted by Rockarei | outubro 11, 2009, 20:08
  2. Tio, com certeza não vai se arrepender.
    Ganhou na mobilidade, e na qualidade, tanto de hardware quanto de software. Leva uns dias pra se habituar, mas muito a pena.
    Tenho um mac também, não uma Ferrari como o seu (hehe), e não troco mais de plataforma.
    Infelizmente o preço ainda está alto. Mas um dia melhora.

    Posted by Wilmor Henrique | outubro 12, 2009, 00:30
  3. Parabéns pela mudança, se a vista nao se adaptar podes acoplar um bom monitor externo, mas tens uma exelente e confiável máquina. De quem trabalha com a maçã a mais de década.

    Baron

    Posted by Ruy Baron | outubro 12, 2009, 09:44
  4. Grande mudança, Cesar. Nunca mais vais querer ver um ruindows pela frente. E como disse o Baron, arranja um monitor externno. Um lcd de 22 polegadas (já tá uns 500 pilas), por exemplo, e, em casa, conecta o teu macbook nele. Se tens café no bule, compra um cinema display 30 polegadas da apple.
    Um mundo novo se descortinará pra ti.

    Posted by Edu | outubro 13, 2009, 14:28

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