Tenho a impressão que os historiadores que se debruçarem sobre nossa época, em Santa Catarina, tomarão muitas notas sobre essa ferramenta espetacular que a dupla LHS/Knaesel tem usado à saciedade: os fundilhos sem fundo, de onde jorra dinheiro a mais não poder.
O Tribunal de Contas do Estado (esse mesmo que vocês às vezes criticam como se estivesse fazendo vistas grossas) já anotou em seus caderninhos, algumas dezenas de observações nada abonadoras sobre a forma como os fundos de cultura, esporte e turismo são geridos. E espantaram-se com as falhas nas prestações de contas dos projetos.
Agora mesmo, no Diário Oficial do Estado, lê-se que estão sendo realizadas tomas de conta especiais em projetos beneficiados com recursos dos fundilhos. Tomada de contas especial é quando há indícios de irregularidades. Aí as contas passam a ser olhadas com lupa. Dá um incômodo danado e não raras vezes termina com a devolução do dinheiro (claro, a turma esperneia, entra com recursos, demora um tempão, mas acaba tendo que repor).
Estão em tomada de contas algumas coisas menores, como projetos da Criacom Publicidade e Propaganda (“apenas” R$ 400 mil do Funturismo) e da escola musical Bicho Grilo, de Jaraguá do Sul (apenas R$ 46 mil do Funcultural) e até coisa maiorzinha, como um velho conhecido nosso, o Icades, do projeto Arena Jurerê, ou Espaço Jurerê (com substanciosos R$ 1,2 milhão do Fundesporte).
E, para coroar o elenco de dados que farão a alegria dos historiadores, o presidente do Conselho Estadual de Turismo, Fernando Marcondes de Matos, saiu atirando. Pediu demissão e botou a boca no trombone, contra o método Knaesel de passar por cima do Conselho.
Fiquei agradavelmente surpreso: agora já não estou sozinho na crítica ao estilão LHS/Knaesel de distribuir dinheiro. Pensei até em oferecer um jantar de desagravo ao Marcondes (meus pais eram amigos dos pais dele, quando morávamos em Tubarão). Mas é capaz dele ficar constrangido de aceitar meu convite, porque, afinal, assim como critiquei a dupla dinâmica, também não o tenho poupado.
Bom, mas rapapés à parte, o fundamental é que as situações estranhas que a gente tinha notado, olhando de fora, são mesmo o que parecem: minúsculas pontinhas de gigantescos icebergs. Marcondes esteve lá, no fundo (sim, sim com duplo sentido) e parece que não gostou do que viu. E olha que para o Marcondes, que é um cidadão do mundo, acostumado aos jogos nem sempre fáceis do poder, estranhar, se estranhar e pedir o boné, é porque a coisa tá feia.
Quem deve estar dando pulinhos de satisfação é o Pavan, que vai assumir o governo com a presidência do conselho de Turismo vaga. E, naturalmente, o Knaesel, que se sobreviver a toda essa marolinha vai continuar a nadar de braçada no mar de dinheiro dos fundilhos, com um chato a menos pra incomodar. Ô vida boa…
A coisa tá feia “seo Cesar” e tem gente agarrada nos fundilhos. Mas ainda não contaram para o Marcondes? Dos milhões q o Boccelli vai levar, alguns vão ficar com ele, nas hospedagens no Costao do Santinho.
Pois é, e o WTTC, que deixou milhões na conta corrente do Costao, o Marcondes não fala?
Se o Marcondes, que foi agraciado com palcos, WTTC, e outros eventos turísticos reclama, é porque a coisa está feia mesmo.
Meu advogado para assuntos knaseanos me pede subsidios para a ação que o ladrão move contra esse blogueiro.
Uma das ações contra o blogueiro Mosquito é também do casal da Arena Jurerê, Marúcia e Rgogério Zanetti
Grato ao amigo pelos informes fresquinhos.
Que bom que você está vendo mais o outro lado da história, das pessoas do lado do governo que não necessariamente são corruptos e que também querem fazer a coisa do jeito certo.
Só me estranha bastante chamarem o Marcondes de Mattos pra trabalhar com o Conselho Estadual de Turismo com a família sendo dona de Resort. Será que não tá rolando um fundinho pro Costão entrar também?