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Arbitragem

O pior que temos hoje no futebol

 Quem gosta de futebol gosta de falar de arbitragem. Mal ou bem. Não há como evitar, é o assunto da hora após cada rodada do Campeonato Brasileiro. Os programas de rádio e tevê na segunda-feira não deixaram passar e foram contundentes. Os jogos do último final de semana bateram recorde de erros, daqueles perceptíveis a olho nu, sem a necessidade de equipamentos sofisticados e repetições infindáveis de ângulos distintos por não sei quantas câmeras de televisão ou flagrantes fotográficos. Em um dos jogos o árbitro errou antes mesmo de a bola rolar, ao autorizar o confronto entre Inter e Flamengo não à beira rio, como sugere o nome do estádio, mas dentro do rio, tal era o estado de alagamento do gramado.

 Essa questão da arbitragem brasileira precisa ser aprofundada, distante do passionalismo do torcedor ou da febre do regionalismo, comum à parte da mídia, relação que prejudica a abordagem correta do problema tanto quanto os efeitos da paixão da arquibancada. A discussão tem que andar bem próxima da razão e sensibilidade, em busca da solução para que tenhamos profissionais de boa formação, como em qualquer atividade, mas especialmente esta tão exposta ao julgamento como é a da arbitragem.

 Em primeiro lugar, ninguém sabe nada sobre o passado e presente do senhor Sérgio Corrêa, e sua capacitação para ser a autoridade máxima da Comissão Nacional de Arbitragem, órgão da CBF. Sobre o seu futuro já imaginamos. Vai para o olho da rua qualquer dia desses por comprovada incompetência, de quem o escolheu, inclusive. Esse cidadão, ao que me consta, uma vez na vida foi auxiliar de arbitragem, o conhecido bandeirinha. Bom perfil para pau mandado, sem nenhum destaque ou prestígio no meio. Não tem o pedigree nem a bagagem de alguns bons árbitros brasileiros como tinha, por exemplo, o Armando Marques, uma “tia rabugenta”, mas conhecedor do ofício.

 O atual dono do cargo e dos encargos é um ilustre desconhecido que deve saber de trás pra frente, letra por letra, todo o livrinho de regras. E daí? Decoreba já era um dos equívocos no meu tempo de bancos escolares. Bota tempo nisso. A grande questão é essa. Qual é a formação dos nossos árbitros? Quem os ensina e o que? Pelo pouco de conheço de alguns “mestres” e de “escolas” de arbitragem, é auto explicativa a condição profissional da quase totalidade dos nossos homens do apito. 

 Falta tudo neles. Com as exceções de praxe, são mal educados. Não estou falando de boas maneiras. Poucos sabem juntar meia dúzia de palavras. Muitos são pusilânimes, ouvem de tudo de dirigentes, técnicos e jogadores e não reagem. Geralmente fazem jus à pecha de “caseiros”, especialmente quando o time da casa é um dos grandes Quando punem, usam de critérios diferentes para situações parecidas. Os jogadores também não ajudam porque igualmente são mal educados pelas vozes dos vestiários.  

 Só não acusem a nós jornalistas de comentaristas de replay. É a resposta fácil e pronta às críticas para as inúmeras situações repetidas rodada a rodada, e sempre mais graves que as anteriores. E olhem que esse estado de coisas nem é tão novo assim no futebol brasileiro. Nos últimos anos títulos já mudaram de dono por erros graves de arbitragem, por trapalhadas de gente que tem, por decisões políticas, um escudo da FIFA pregado no uniforme, mas cujo currículo e trabalho não correspondem à honraria. Por sinal, nossa Federação tem sido o endereço preferido para a aposentadoria de alguns destes tipos, enquanto os da casa são obrigados a procurar abrigo em outros estados.

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