O MOS era a sigla do Movimento de Oposição Sindical que nós (um monte de gente e eu inclusive) fizemos, no século passado, pra tomar, com a força do voto, a direção do Sindicato dos Jornalistas. Divergíamos, na época, de uma turma a quem chamávamos de “pelegos” e que achávamos que não nos representava adequadamente.
Foi uma luta longa e difícil. Primeiro, porque tivemos que fazer com que todos os descontentes se filiassem ao Sindicato. Não tem como vencer eleições, se os que estão do nosso lado não têm condições de votar. E além de filiar “os nossos” ainda era preciso fazer campanha pra tentar também cavar uns votinhos entre “os deles”.
O movimento foi vitorioso, tomamos o poder e, embora o esquema petista tenha deixado alguns militantes de primeira hora de fora, a coisa foi bem durante um bom tempo. Até que…
As eleições seguintes, até hoje, foram sempre com chapa única. O que acabou por enfraquecer o espírito de luta, desagregou a categoria e transformou o sindicato numa repartição pública. Coisa que, de resto, aconteceu em muitos sindicatos. Ser sindicalista no Brasil é profissão. É carreira que pode levar à presidência da República. Aos conselhos das estatais. Dos fundos de pensão. Pode-se ficar muito rico sendo sindicalista. E mais rico ainda sendo advogado privativo de sindicatos.
Pois bem, hoje li uma nota, assinada por uma das diretoras do sindicato e, pelo que está escrito, divulgada em nome do sindicato. E acho que foi a gota d’água. Não acredito que só eu, dentre os jornalistas que vivem e trabalham (ou tentam trabalhar) em Santa Catarina, ache esse tipo de “militância” um absurdo, para uma entidade que deveria se preocupar com os problemas do exercício profissional e, quando resolve se meter em algum tema nacional ou internacional, deveria mostrar um mínimo de informação e cuidado.
Esta é a nota:
“O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, diante dos fatos que se agravam em Honduras, com bloqueio de informações, retirada de sinal de rádios combativas, violência policial, assassinatos e desaparições, convoca todos os sindicatos e lutadores sociais para um ato em defesa do povo de Honduras, contra o cerceamento de informações, contra a violência e pelo retorno de Manuel Zelaya ao poder. Honduras é parte da grande pátria Latino-Americana e a vitória de sua gente é a vitória da gente brasileira. Será nesta sexta-feira, dia 25 de setembro, na Esquina Democrática em Florianópolis, das 11h30min às 14h. Veja participar! O povo de Honduras em luta precisa de cada um! (Elaine Tavares)”
Ela me inspirou a fazer, por minha conta e risco, a seguinte contra-nota:
“Os jornalistas catarinenses, diante dos fatos que se agravam no mercado profissional do estado e do País, com redução de salários, diminuição de oportunidades, extinção da obrigatoriedade do diploma, violência patronal, desemprego e desprestígio da categoria, convocam a todos que ainda não são sindicalizados, a se sindicalizarem, com o objetivo de podermos lançar uma chapa nova, combativa, competitiva e realmente revolucionária, que tome o poder no sindicato dos Jornalistas, se possível, já nas próximas eleições. Sabemos que o custo da sindicalização não é barato e que, num primeiro momento, pode parecer contraditório dar dinheiro aos adversários dos jornalistas, mas o objetivo é nobre e a luta vale a pena, quando a alma não é pequena. Viva o Movimento de Oposição Sindical 25 de setembro! Hasta la victoria siempre! (Cesar Valente)”
A propósito, o nome do movimento pode ser decidido depois, em alguma das inúmeras e inevitáveis reuniões e assembléias gerais. Mas me pareceu adequado colocar a data de hoje. Que, por coincidência, é também o dia que que foi fundada, em Londres, a Associação Internacional de Trabalhadores (1864) e em que nasceu Roquette Pinto, precursor da radiodifusão no Brasil (1884).
Como ex-integrante do MOS, aliás, nossa turma de formandos em 1984, foi chamada de “Turma do Movimento de Oposição Sindical”, assino em baixo e estou de pleno acordo com a retomada de algum movimento deste gênero. Nosso sindicato hoje, infelizmente, não representa mais os jornalistas do Estado. A ACI, hoje, por incrível que pareça, tem muito mais representatividade da classe. Abaixo esta turma do Hugo Chaves.
Nada a acrescentar. Ou melhor, será que os pobres hondurenhos estão preocupados conosco, pobres e sem diploma jornalistas?
Apoiado! Paulo
Valente, a Esquina Democrática vai bombar hoje por conta dessa convocatória da diretora…
Ainda a pouco fIz um comentario sobre este tema lá no blog do meu Amigo Celso Martins e que tem mais ou menos este tom, um pouco diferente e trago algo parecido para ca.
diante do convocatório da direçao do “sindicato” dos Jornalistas de Santa Catarina, fica a pergunta:
O que o “sindicato” fez de concreto diante da desgraça e calamidade que se abateu o Vale de Itajai?
Que açao de cunho social ou movimento de convocatório o “sindicato” fez por nossa gente tao sofrida e desamparada pelos poderes vigentes?
E ainda bem fresquinho, qual a açao de “movimento convocatório e publico-(em Praça publica)”, o “sindicato” esta fazendo diante da desgraça que se abateu tanto no Oeste, quanto no extremo Oeste de S.C.?
Abrindo um lembrete:
Depois de alguns puxoes de Zoreia, é que resolveram colocar um testinho chumbrega se solidarisando com os coitados da enchente de Itajai, achei um fiasco.
E engrosando o coro, o que o “sindicato” esta fazendo pelos colegas que estao desamparados e sem emprego, colocados a rua pelos dois “monópolis”?
É este o “sindicato” que me representa?
Precocupado com o umbigo dos outros?
ANTES DE QUERER ARRUMAR A CASA DOS OUTROS, ARRUME A SUA.
Está todo mundo ganhando bem, o piso é uma maravilha, tem emprego sobrando, então o Sindica pode ir lá se preocupar com Honduras.
Caro César: como sabes, estou retornando do meu exílio brasiliense. Na minha volta a Florianópolis vou procurar refúgio em nossas embaixadas no Jardim Anchieta e Rio Tavares. Prometo chegar sozinho. E já me considero incluído no MOS 25, abs
Grande Cesar. Onde andam os outros imbuídos de razão e objetividade? Parece que só sobraram você e mais uns poucos!
(ah… aí vem o Mário Medaglia. Vai começar a festa).
abr
É isso ai Medalhão…ferro na boneca….
É
VOU ME SINDICALISAR
Não sou jornalista, mas, no meu pensar o Sindicato da Elaine Tavares pisou na bola. Manifesto pela liberdade de expressão em Honduras? e onde está a liberdade de expressão no Brasil, ou mais precisamente em Santa Catarina? Onde estava esse Sindicato no momento em que foi proibido até a impressão de um livro aqui em Santa Catarina, só porque o conteúdo não agrada ao governador? Deixem de ser idiotas, voltem para os interesses dos jornalistas de Santa Catarina. Parabens César, Medaglia e outros Paulos jornalistas desta República.
É Cesar, o jeito é entrar na guerrilha. Está na hora deste sindicato fazer valer a sua força e se preocupar com salários mais dignos e melhores condições de trabalho. Tem empresa esfolando os jornalistas em nome da falta de ação de um sindicato que só se preocupa em receber os salários pagos pelos trabalhadores. Por uma profissão mais digna e profissional, onde o Diploma tenha valor mesmo. Por isso, “Chapa de Oposição Já”. Tens o meu voto e de quem eu puder influenciar.
Abraço.
To rindo até agora da convocatória da diretora-jornalista-sindicalista e bolivariana Elaine Tavares….
“Quando acabar o maluco sou eu….”
Se acabaram com a obrigatoriedade do diploma… o MOS aceita profissionais de outras áreas? Se aceitar, to dentro.
A propósito, passei pela esquina ao meio dia e tinha mais ou menos meia dúzia de barbudos cinquentões, uma mulher que berrava ferozmente no microfone e uns três jovens, vestidos com roupas típicas dos chilenos que vendem artesanatos na UFSC, coletando assinaturas. Ninguém deu muita bola não…
E eu posso me sindicalizar?
Se puder…. quero.
Abs
Pedro de Souza
Grande Cesar. O Secretário Geral da ONU convocou a assembléia geral, em caráter emergencial, para decidir sobre a crise em Honduras, depois que leu o Manifesto do Sindicato dos Jornalistas.
Agora, sério: abra uma lista e, por gentileza, inclua meu nome. A pelegada está fora da casinha há muito tempo. Com a estima de sempre, Moacir.
“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem caráter, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.” de Martin Luther King.
Caro Cesar, sua manifestação é um grito de alerta em favor do bom senso. Não é só o Sindicato dos Joprnalistas, mas o próprio País que precisa de mais participação dos ‘Bons’.
Palhares,derrubar pelego a gente aprendeu na facu, mas eles não tinham diploma. esses de agora, diplomados, vai ser um avanço!Fora pelegada! Toda força ao MOS.Abraço,romeu
Pelo que estou vendo, com tantos desempregados, o MOS poderia significar Movimento dos Ociosos Saudosistas =-).