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Mundo afora

Seja bem vinda, Yoani

O mesmo governo “generoso” que entrega uma embaixada para ser albergue de um fanfarrão, quer porque quer impedir a entrada, no país, da blogueira cubana Yoani Sanchez. O PT e Lula, abraçadinhos com o regime cubano, dão ao mundo uma demonstração prática de inaceitável intolerância.

Que a ditadura cubana impeça seus nacionais de viajarem, é coisa sobre a qual pouco podemos fazer, além de espernear e reclamar. Mas que o governo brasileiro, que deveria respeitar a Constituição, negue visto a essa moça, que viria participar do lançamento de seu livro em outubro, é um descalabro. E um indício preocupante do que poderá ocorrer quando os projetos de poder de gente como Chávez, Evo, Zelaya e, por que não, Lula (que embora se pretenda mais civilizado do que os demais bolivarianistas, apoia-os em tudo e por tudo), conseguirem se concretizar. Tal como em Cuba, serão governos “revolucionários” reeleitos indefinidamente, onde os direitos básicos serão tratados como “frescuras” de golpistas.

Tem uma petição online circulando [aqui], mas é preciso também que as posições fiquem claras. Que até mesmo os lulistas examinem suas consciências pra ver se é isso mesmo que querem para seu País: um paraíso onde as vozes discordantes externas só entram com autorização dos países “amigos” e de onde, daqui a pouco, só sairemos se o inspetor de quarteirão permitir.

Enquanto isso, o Zelaya literalmente deita e rola na nossa embaixada.

E POR FALAR EM HONDURAS

Vou explicar o que penso do caso. Vamos imaginar se acontecesse conosco. Um presidente qualquer (Collor?), foi desautorizado pelo STF, destituído pelo Congresso, tudo conforme os códigos vigentes. Mas se recusou a aceitar as decisões. Quem tinha responsabilidade, mandou o exército fazer, manu militari, o que não foi obtido pelas instâncias civis. Quando a gente impichou o Collor, é claro que os colloridos acharam que foi um golpe. Os demais, acharam que se cumpriu a Constituição e que a democracia deu mostras de vitalidade. Pois bem, apeado do poder o presidente, ele reaparece, na embaixada, digamos, dos Estados Unidos em Brasília. E de lá, com um grupo de fãs, começa a fazer provocações e bravatas. Não seria uma situação esdrúxula?

Por que o Brasil se meteu dessa forma no problema hondurenho? Seilhá. Burrice, talvez. Esperteza demais (que, no final das contas, dá no mesmo), quem sabe. O governo “de facto” não é, segundo se comenta, flor que se cheire. E o Zelaya, igualmente, também não é lá essas coisas. Tomar posição, aqui de fora, é temeridade. Seria mais ou menos como se estrangeiros resolvessem nos dizer que Dilma é melhor que Ciro. Ou que Marina é melhor que Serra. Ou que Sarney é melhor que Jader Barbalho. E ficassem tomando posições em defesa deste ou daquele e pressionando-nos a aceitar suas decisões, ditadas de fora, sobre nosso umbigo.

O governo brasileiro, a gente sabe, não está ao lado do povo hondurenho, está apenas ao lado do Zelaya. Um amigão, da turma, que tem dificuldades domésticas. Uma vez reempossado, contra a vontade do Congresso e do Judiciário hondurenho, o Brasil virará as costas para o que ocorrerá internamente. Assim como não está nem aí para o que ocorre na Venezuela. Só tomará as dores no dia em que o povo venezuelano resolver mudar. Aí, os calos bolivarianistas doerão e o gigante adormecido se encherá de brios.

Como isso tudo é uma via de mão dupla, naturalmente haverá esforço e auxílio internacional para que o lulismo se mantenha. Todos os que se opuserem serão chamados de golpistas. A mídia que mostra os podres, é golpista. A zelite, que pode gestar alguma alternativa de poder, é golpista. Movimentos sociais não alinhados nem financiados pelo governo, que também podem gerar líderes, são golpistas. Os blogs independentes, que não se deslumbram com o poder, são golpistas. E quem quer que veja, no eixo Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, Brasil, lampejos do mal, da supressão de liberdades e do retrocesso político, é golpista.

Lembram do “yankee go home”? Tá na hora do “brasileiros, vão pra casa!” em Honduras.

VOLTADO A YOANI

Não deixem de ler o post “Bluetooth: decir sin palabras”, no blog da Yoani, para terem uma idéia do tipo de “perigo” que ela representa e do motivo pelo qual os ditadores (e aspirantes a), temem “esse tipo de gente”.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Caro Cesar, aqui no Brasil, digo, em Santa Catarina, já não está muito parecido com o que ocorre em Cuba e no Brasil? Reporto ao livro do Nei Silva, que até hoje se encontrada vedada a publicação, só porque contraria o interesse de um cubano, digo, de um ditador tal qual Fidel…o LHS

    Posted by Belmiro | setembro 23, 2009, 10:42
  2. CV, quem sabe tu não fazes um aprofundamento acerca do caso Zelaya, para enterdermos melhor as relações entre amigos que afirmas haver entre o tal Presidente deposto e o Lula, o Evo, o Chavez, o Fidel e quem sabe o Uribe.

    Falando nele, mais uma sugestão: que tal aprofundar um pouco em relação à aprovação do terceiro mandato do Uribe! Como ele conseguiu? Pagou mensalão, como fez FHC quando acertou a medida da sua reeleição aqui na terra, ou o povo conclama a sua manutenção no poder à base de desfolhante?

    Posted by Diego | setembro 23, 2009, 12:34
  3. Lá vamos nós de novo: como o FHC comprou sua reeleição e o Uribe foi pelo mesmo caminho, devemos absolver os demais? Por que raciocinar sempre em termos excludentes? O Chavez não pode estar errado porque quem o antecedeu era também canalha? Ou, sempre que alguém quiser criticar Fidel precisa, no mesmo parágrafo, condenar todas as ditaduras de “direita”? Ou, se não achamos lindo o que os bolivarianos preparam para nosso continente, é porque achamos legal o que Somoza, Stroessner e tantos outros orangotangos pretendiam e fizeram? Não é assim que a coisa funciona. Nada, a não ser no mundo idealizado dos fanáticos, tem contornos tão definidos. Mas não vou entrar nessa discussão. Deixo-a para quem tem tempo, cultura e paciência, coisas que me faltam cada vez mais a cada novo dia.

    Posted by Cesar Valente | setembro 23, 2009, 13:49
  4. Esse pessoal do PT e da esquerda tem uma fixação enorme pelo FHC. É só apontarmos algum “deslize” do Lula ou alguma atitude mais, como direi, contundente dos “bolivarinos boys” que eles logo apontam o dedo pro FHC. Freud explica!

    Posted by Ale | setembro 23, 2009, 13:53
  5. Pra mim o Zelaya só foi pra nossa Embaixada em Honduras porque recebeu o sinal verde de alguem lá de Brasilia do Ministerio das Relações exteriores…Aí com a repercusão foi grande ninguem tem coragem de admitir!!E agora??!!

    Posted by pedro dantas | setembro 23, 2009, 13:58
  6. Zelaya é um ensaio para os comandates do Foro de São Paulo: os nossos porcos petralhas estão fazendo em Honduras o que planejam para o Brasil e não fizeram porque sabem que a bicharada da nossa fazenda botocuda não está bem pronta: falta muito “anjurro” (mistura de anjo com burro) atravessar o portão para dentro “daquele outro mundo possível”, antes que o alçapão bolivariano seja trancado… O problema agora, é que os hondurenhos estão menos prontos ainda do que os brasileiros… Parabéns César, pela sua simplória e certeira comparação para ilustrar o que pensa das bravatas botocudas em Honduras.

    Posted by Maria Aparecida Nery | setembro 23, 2009, 15:47
  7. É com grande tristeza que devo, depois de muito resistir, admitir a morte do único blog jornalístico que merecia ser lido em SC. Morreu de mesmice. Escondeu-se na multidão que toca uma nota só.

    Posted by Valmir | setembro 23, 2009, 16:33
  8. Valmir, mesmo em Cuba a mesmice está com seus dias contados. Ainda são poucas as vozes discordantes, mas é só uma questão de tempo. E aqui, o que não tem é monotonia. Ainda é possível ler opiniões de todo tipo. Tanto as que nos fazem bem aos ouvidos, porque elogiam quem a gente gosta, quanto aquelas que nos irritam, porque discordam de nós. Acho que não entendi direito o final do teu comentário, porque, segundo as pesquisas, a multidão que toca uma nota só é maciçamente favorável ao Lula e a seu governo. É a isso que te referes?

    Posted by Cesar Valente | setembro 23, 2009, 16:43
  9. César, Cuba é a única nação do mundo onde se busca, com extremas limitações e dificuldades, construir novos valores e, num mesmo gesto, uma nova sociedade. Nada, ainda, indica que tal construção se assenta em terreno firme. Chaves e outros são bem vindos. Lula não vai. Pena!
    Ir contra a corrente e desafiar o santo mercado não é (nunca foi) tarefa fácil.
    Para quem quer olhar a Ilha e ver tirania, não faltam, na blogosfera, dedicados especialistas na configuração dos argumentos.
    Limitar à democracia representativa liberal as possibilidades de exercício da soberania popular é tão grave equívoco quanto considerar liberdade de expressão a apropriação privada (oligopolista) da comunicação de massa.
    É nesse ponto (da comunicação) que pude contar, nesses últimos anos, com teu texto diário.
    Considerar que teu leitor deseja opiniões “que fazem bem aos ouvidos, porque elogiam quem a gente gosta” é argumento simplista que ofende teu talento.
    Sugerir que teus críticos à esquerda são invariavelmente petistas ou lulistas, idem.
    Lula está sendo o melhor presidente que já tivemos. Nada demais. É que até então a plutocracia vicejou. Desejo um muito melhor a partir de 2011.
    Por fim, se você me permite a liberdade, pq não trazer para seu blog (ressuscitado? rs) a necessária discussão sobre os temas e debates propostos (e boicotados pela multidão dos jornalistas de aluguel) pela Conferência Nacional de Comunicação?
    Sou um otimista.

    Posted by Valmir | setembro 23, 2009, 18:19
  10. Esse Valmir aí é aquele que ajudou a fundar o partido da boquinha aqui em SC?
    Sendo ou não, que ideias atrasadas! Ainda não passou dos anos 80.
    Meus pêsames.

    Posted by Tambosi | setembro 24, 2009, 19:01

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