O deputado Sargento Soares (PDT) é um político experiente, ligado ao bolivarianismo, admirador do Hugo Chavez. Não é de estranhar que defenda uma proposta que é típica do “novo Estado revolucionário” ou neo-socialista, que se quer implantar, aos poucos e sem causar alarde, na América Latina. Alguns países, como a Venezuela, estão mais avançados e outros, como o Brasil, agem mais timidamente. Mas, aos poucos, vão sendo propostas, aqui e ali, como quem não quer nada, as ferramentas necessárias para que a democracia representativa seja “adaptada” a um formato que lembra mais o de uma república popular socialista. Movida a reeleições sucessivas e abundantes “consultas populares” ou plebiscitos.
Olha só um trecho da nota distribuída hoje pelo gabinete do deputado sobre um projeto que ele apresentou:
“Projeto de lei exige consulta popular para autorizar privatização de bens e serviços públicos
A alienação, a permissão e a concessão de uso de bens e serviços públicos para privatização somente poderá ser autorizada pelo Poder Legislativo após realização de consulta popular. Essa é a proposta apresentada pelo deputado Sargento Amauri Soares, líder do PDT na Assembleia Legislativa, através do Projeto de Lei 393/2009. “Não estamos propondo a aceleração do processo de privatizações, nem tampouco, sugerindo limitações, mas instituindo a obrigatoriedade de se consultar a sociedade antes de proceder a alienação de serviços públicos essenciais”, explica Soares.”
(A íntegra do projeto está aqui)
Aos leitores que acham legal substituir a democracia representativa por consultas populares, devo esclarecer que o que me incomoda é a forma como os bolivarianistas entendem essas consultas, que não é a mesma dos suíços (que a utilizam bastante), por exemplo. Assim como a fórmula de eleições periódicas tem, na Venezuela de Chavez, entendimento diverso do que, por enquanto, no Brasil. O objetivo, uma vez conquistada a lealdade de uma massa cativa de eleitores, é dar aos movimentos “sociais”, a capacidade de brecar ou acelerar mudanças, conforme a conveniência de seus líderes.
Não entendi a crítica. É excesso de democracia que faz mal ao país? Vale mais então deixar tudo na mão do parlamento e não consultar a população sobre grandes temas? Eleger alguém é dar um cheque em branco? A plebe ignara é iludida e manipulada quando vota em A, mas não quando vota em B? Uma vez por semana tem que dar pau no Chávez? Andas lendo o Tambosi demais?
Cesar, acho que tens que fazer um desenho, porque parece que tem gente que não entende a diferença entre democracia e chavismo/bolivarismo!
Acho que nem é crítica. É lamento. Se tivesses lido direito (ou se eu tivesse me explicado melhor), verias que o problema não é consultar a população sobre grandes temas. A plebe ignara, até por definição, é sempre iludida e manipulada (senão não seria ignara, certo?). E quanto ao Chávez, posso não gostar dele, do que ele representa e do seu governo? Ou preciso mesmo fazer parte da multidão que acha o Zelaya ótimo, o Chávez um avanço, o Lula o supra-sumo e Cuba uma pérola? E mais, posso discordar dos lulistas e dos chavistas sem ter que gostar e me abraçar com o Sarney, o Renan e o Collor? Ah, pois é, a minha utopia é um regime onde se possa marchar com o passo errado. E olhar pra qualquer lado. Não usar uniforme. Não ter que pedir permissão pra sair do país. Nem pra entrar. E não se sentir perseguido apenas porque não tem, a respeito das coisas, das pessoas e das idéias, a opinião hegemônica, aceita e cristalizada. E faz tempo que não leio o Tambosi.
È tio Cesar, e como já dizia o saudoso e imortal Roberto Campos: “A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”. E, penso que “O perfeito idiota Latino Americano” se propaga feito erva daninha.
Não acho nenhum deles o supra-sumo. Aliás nem sei direito quem é o Zelaya. Não acho Cuba uma peróla (aliás, tática batida de quem quer questionar os “esquerdistas” é falar de Cuba). Só acredito que pau que bate em Chico também bate em Francisco e o que estraga ainda mais a política e a conversa a respeito dela é esse (des)critério, sem falar no pobre jornalismo. Chavez, Evo e agora Zelaya, são ditadores. Uribe e o terceiro mandato? Deixa quieto.
Putz, eu devia procurar uma resposta que dei a outro comentário, em outro lugar, sobre essa história de não poder falar mal do Chico se também não lascar o pau no Caetano. De preferência no mesmo parágrafo. Mas agora tou sem tempo. Tá na hora feliz do final do expediente…
Pelos níveis dos comentários brilhantes e educados de Max e Carlos, já percebi o nível da conversa. Fico por aqui então, deixando o assunto com os “democratas” de verdade.
Acho que o desenho não ficou bem feito, ou então é caso de internação, mesmo!
Enquanto Lula perde tempo e gasta nosso dinheiro em aventuras dignas de países de terceiro mundo, os brasileiro continuam morrendo de gripe suína.
Já estamos com 1.056 óbitos contabilizados, fora os “não contabilizados”.
E ai , Temporão, você não fala mais nada? Silencio proposital…
O Brasil não está se transformando em lixeira… Já é uma ,desde que essa patota de parasitas assumiu os poderes e aparelhou tudo, formando uma horda imensa de melancias do lixo da humanidade. E afirmo sempre que quem acha que chegamos ao fundo do poço é porque nada entende de poço!
C.Saampaio,
Agora é o poço que afunda com o nosso peso. hehehe
Pior do que os Chaves e Uribes da vez é ter os Lulas e os FHCs com o discurso de que muito fizeram.
FHC, pra ilustrar, pegou o país com uma dívida de 150 e entregou com 250 e, pior ainda, vendeu todos os ativos e conseguiu aumentar a dívida. Caso inédito no universo.
Palavras do eterno ministro da Fazenda – Antonio Delfim Netto. Que não era nenhuma flor que se cheirasse.
Imagina o resto.
E vamos pra eleição. Os candidatos, todos sabem, levados pela mídia nos deixarão duas opções – ou votar no PT (Dilma e curiola) ou votar no Serra (sem esquecer os genéricos – o tal 1 bi pago ao único laboratório com condições de levar o projeto pra frente – o fato de ser de um cunhado do Serra era só coincidência). Também palavras do Delfim.
Caro César,
O “Chavismo” se espalha pelo mundo, não esqueçamos que o prefeito de Nova Iorque, Bloomberg, aprovou em seu benefício uma alteração a lei daquele local que permite reeleições ilimitadas. Todavia, este fato passa depercebido pelos grandes meios de comunicação, que estão mais preocupados em insultar os novos líderes latino-americanos.
lulla, movimentos sociais, ongs, sarneys, chavez, zelaya… são todos chantagistas sociais, demagogos e bravaterios.
Novos líderes latino-americanos? O tempo é o senhor da razão. Estes caras são tão virulentos que vão se envenenar com a própria saliva. Vejam o caos em que está se transformando a Venezuela. Mas deixa prá lá – ainda tem quem ache o Fidel o máximo e o Chaves o redentor do continente.
Também há quem diga que a DITA foi BRANDA, bem como fãs de Uribe, que seguindo as lições Chaves engendrou seu terceiro mandato, sem esquecermos do novo herói latino-americano, Micheletti.
O Chavismo foi fundado por FHC quando este institucionalizou a reeleição. Foi ele quem trouxe a idéia de se mudar a lei para continuar a “não ter que tocar em maçanetas”, que era como ele gostava de descrever o “pudê”. Depois vieram Chaves, Uribe e, se a Dilma não pegar, quem sabe o Lula tenta mais uma.
O resto é balela da Veja, de suas sucursais e de outros truculentos, como o Max aí de cima, que só tem Fidel na língua e, sem nunca ter ido a Venezuela ou conversado com um Venezuelano, baseado em uma ou duas matérias de revista, aponta “o caos em que está se transformando a Venezuela”.
Neguinho faz de tudo pra não pegar na maçaneta.
Essa de que FHC é o mentor do Chavez, o pai do bolivarianismo, o inspirador de todos os aspirantes a ditador, é nova. Mas, naturalmente, óbvia. Assim como, em SC, tudo é culpa dos Amin.
Um Brazilianista (O William Rotter ? – acho), no início do governo de FHC escreveu, e foi publicado no Estadão: “Êle (FHC) não é de nada, nunca fez nada e nem irá fazer”. Concordo totalmente. Pois não é à toa que era tratado como Fernando ‘viajando’ Cardoso – é o que êle mais sabia fazer: Viajar pelo mundo como intelectual e/ou sociólogo, fantasiado como Presidente, receber títulos de Dr.”Honoris Causa”. A falta de compostura quando perdeu a eleição para a Prefeitura de S.P. na disputa com o Jânio Quadros, já mostra muito do caráter deste falador. E, durante o seu mandato Presidencial se empenhou realmente apenas em 2 oportunidades; primeiro para evitar a CPI da compra de Votos no Acre, e para conseguir aprovar a emenda da reeleição. Realmente foi êle quem iniciou esta história de reeleições no Continente. Mas, tivemos um sociólogo e agora um sindicalista paparicados por meio mundo. Continuamos bem arranjados. Gostaria de esclarecer que não sou filiado a nenhum Partido, como também não tenho preferência ideológica, mas sei reconhecer o está certo ou errado. E todos sabem,(ou deveriam saber) que a intolerância a críticas é a principal característica dos Regimes Totalitários e Fascistas. E isto, assim como a corrupção endêmica, a falta de sensibilidade no raciocínio e comportamento dos “detentores do poder” me assustam.
Se no século XIX o escritor Alemão Karl May escreveu os melhores romances sobre o Oeste Americano sem nunca ter estado lá. por que em plena era da Globalização das informações não podemos saber o que ocorre no mundo? Ou será que hoje Jornalista é sinônimo de mentiroso? Acho que alguns acreditam nisso.
Gente, Max, Cesar, eu acho que, dentro das possibilidades – que parecem não serem muitas – FHC foi um bom presidente. Acho que Lula se esforça também. O que eu não gosto é dessa separação entre o bem e o mal, essa coisa maniqueísta que a imprensa (é vocês, jornalistas) tentam nos passar como óbvias.
Tais e tais caras são ruins, fanfarrões e tudo que vier deles não presta.
Muita gente fala que os petistas diziam serem ignorantes os que não eram petistas. Mas, hoje, uma fatia enorme da imprensa diz que é ignorante quem não aceita essa organização de idéias por ela “pregada”. E para as pessoas rezam nessa cartilha, quem não o faz é “idiota latino-americano”, fanfarrão, alguém para quem se tem que desenhar, que precisa de internação, etc. Quem pensa diferente ou quem apenas levanta uma dúvida, por mais pertinente que seja, é sempre tratado com galhofa e aquele ar de superioridade.
E se falam de Chaves, vão buscar fidel. Se falam de lula, vão buscar Chaves. Se falam de Uribe, vão buscar Bush. Se alguém fala que Honduras passou por um golpe de estado e quer, sei lá como, se solidarizar com os hondurenhos, é porque não passa de um bolivariano.
Acho que vocês erram.
È, “o labirinto legislativoem que andamos perdidos, a desordem tributária que nos empobrece e escraviza são oytros exemplos da nossa perspectiva no erro…. Tudo isso parece provar, de geração em geração, que aqui de nada adianta argumentar e mesmo provar o que está erraddo porque não se erra porque se erra, mas porque se insiste deliberadamente em errar e porque isto engendra privilégios. E isso arrebenta a fibra moral da Nação, tornando-a, a cada volta do parafuso, mais e mais vulnerável à corrupção e à violência”. Trecho do Jornalista Fernão Lara Mesquita, no jornal OESP, com o título “Vicios públicos, desgraças privadas”. A mim párece que no Brasil sempre querem reinventar a roda – caramba, não é pecado nem vergonhoso aprender com os outros.