// você está lendo...

Governo LHS

ENA: la modernité est arrivée

Vi um anúncio da ENA (a filial da escola francesa de administração pública que o governo LHS está inaugurando aqui na quinta-feira) no DIARINHO e me chamou a atenção o fato de se dizer ali que, se alguém quiser maiores informações, precisa passar um e-mail. Não há, como seria de se supor num empreendimento que é anunciado como o suprassumo da modernidade administrativa, um site onde se consiga saber tudo sobre o empreendimento, datas de vestibulares, corpo docente, etc e tal.

Como na idade da pedra lascada da informática e do gerenciamento de informações, o eleitor/contribuinte terá que passar um e-mail. Aí, algum comissionado, com pouca coisa pra fazer, abrirá cada um dos e-mails e enviará alguma resposta, padronizada ou não, dependendo do caso.

Pra variar, a ENA-Brasil ocupará instalações de particulares, no conjunto comercial Corporate Park, às margens da esburacada e incompleta SC 401, em Santo Antônio de Lisboa. Como se trata de escola de alto padrão, o aluguel deverá custar os olhos da cara e o mobiliário, outro tanto. Tudo retirado dos nossos fundilhos ou do tesouro sem fundo.

Enquanto não se resolvem as questões burocráticas, inicialmente serão oferecidos três cursos de curta duração, apenas para funcionários públicos estáveis (concursados): Turismo e territórios, Gestão Pública e Aglomerações Urbanas. Maravilha, os queridinhos dos chefes conseguirão vaguinha e poderão tirar uns meses de folga para se aperfeiçoar e quem sabe até praticar o francês com algum professor visitante.

A partir do ano que vem, LHS quer que seja realizado um concurso público para preencher as 40 vagas do curso regular. Ao final do curso, os alunos já serão servidores públicos estáveis.

Os aprovados nos diversos concursos públicos que não foram chamados, ou que foram enrolados, devem estar achando muito legal essa nova forma de ingresso no serviço público, que irá acrescentar um novo complicador à já confusa situação do funcionalismo público estadual.

Esse imbroglio da ENA mostra bem como uma idéia aparentemente boa, que isoladamente é muito interessante (todos queremos servidores públicos melhor preparados), se jogada de qualquer maneira num universo revolto e com inúmeros problemas pendentes, acaba se transformando num problema a mais.

Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé !

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Tio cesar, vamos na inaguração na quinta feira ?

    Posted by Jackson | setembro 15, 2009, 14:41
  2. Novo escândalo envolvendo SC. Observe o número de contratos sem licitação.

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u623537.shtml

    Dono do Guardião
    A empresa Dígitro, fabricante do Guardião, faturou R$ 50 milhões com a venda de equipamentos e serviços de tecnologia de informação para órgãos públicos e empresas privadas de 2002 a 2007. Segundo a Folha, o dono da empresa, Geraldo Faraco, é amigo pessoal do diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa. A PF é o principal cliente da empresa. Ainda segundo o jornal, a plataforma Guardião registra áudio de ligações interceptadas, monta redes de relacionamento de investigados e transcreve gravações.

    De acordo com contratos a que a Folha teve acesso, 12 Estados (RJ, RS, SC, MT, CE, PE, MG, SP, ES, PR, TO e PA), o DF, quatro superintendências da PF (SC, PR, SP e RJ), a Procuradoria da República, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e uma seguradora compraram o Guardião, por um total de R$ 49 milhões. Em dois dos 25 contratos houve licitação. A dispensa de licitação e sigilo nos contratos foram amparados na Lei das Licitações. A Senasp e a Dígitro afirmam que o Guardião é vendido só a “entes nacionais”.

    ———————
    De acordo com o site da própria empresa, a Dígitro forneceu tecnologia para os Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos, Rio 2007.

    Os gastos deste evento não estão um tanto quanto obscuros ainda? Ou será que estou confundindo coisas? É que são tantos rolos, é fácil fica perdido neste emaranhado.

    Posted by Aline | setembro 15, 2009, 14:52
  3. esse Leôncio faz coisa…

    Posted by Petit | setembro 15, 2009, 15:40
  4. Tio César,
    Vê se descobre quem são os professores desta nova escola, quem pagará seus salários e se há muita diferença entre o salário de mercado.
    Ah, se os professores forem Brasileiros, é bom verificar se os títulos acadêmicos são a filiação partidária!

    Posted by lh | setembro 15, 2009, 17:27
  5. Numa das muitas reformas administrativas promovidas por Sua Majestade, havia a criação de uma tal Escola de Administração Pública, vinculada à Secretaria da Administração. Essa escola chegou a ter diretor nomeado e tentou andar. Aí, de uma hora para outra, foi esquecida e apareceram com a ENA. Aliás, também existe uma Escola Fazendária (funciona na Tenente Silveira). Será que esta também vai sucumbir aos francos?

    Posted by Fernando Silva | setembro 16, 2009, 09:21
  6. Nofffaa, que chic,né não? :)

    Em matéria de burocracia a França é mesmo um modelo…

    Ri muito quando o Janer contou a novela pra pegar o diploma de doutorado dele lá na terrinha do papier…Acabou desistindo.

    E o correio então?Nofffffa, chose de loque.Na França um cartão ficou perdido atrás de um armário durante décadas.Não faz muito tempo foi achado por conta de uma mudança de local dos armários e voilà,entregue no destino.A Destinatária já havia morrido há 40 anos,o cartão levou 72 anos pra andar.E ainda queriam cobrar da família o tempo de “guarda” da correspondência,uma pequena fortuna.

    Tsktsk

    Já tivemos um Ministério da Desburocratização que se tivesse vingado estaríamos melhor no filme da gestão da coisa pública.Acabou justamente porque atrapalhava o circuito de criar dificuldades para vender facilidades…Quem não tivesse um parente,amigo ou conhecido nas repartições estava ferrado.Tinha de ter padrinho ou morria pagão sem conseguir o que queria ou precisava.Eram tempos do carimbo,dos manuscritos e máquinas de escrever “Underwood”.

    Mudou alguma coisa?Vai mudar com a francesada?

    Duvideodó.Em vez de gastar com frescuras que pagassem digitadores para digitarem portarias,por exemplo,no Iprev.Será que a tal escolinha francesa vai ensinar como um processo não ficar 3 meses num Ipesc da vida?

    Não seria mais barato e simples lançar desafios entre os funcionários para que achem modos de racionalizar procedimentos?Quantas ideias boas perdidas,gente talentosa que não é vista e ouvida,pelo contrário,quando tenta fazer melhor é logo colocado de escanteio,pra não fazer “sombra” aos chefes…
    A diferença agora é que burocracia com sotaque e biquinho ficará muito ulalá…:>)

    Não sem razão o termo “bureaucratie” vem donde,donde?Ganha uma balinha azedinha quem souber…

    Posted by Lia¬¬ | setembro 16, 2009, 21:52

Posts recentes

Férias!
26 de janeiro de 2012, 15:16
Por Cesar Valente
O engenheiro amador
26 de janeiro de 2012, 7:58
Por Cesar Valente
Finalmente! O ano do Dragão!
24 de janeiro de 2012, 6:07
Por Cesar Valente
A cadeia que não prende
20 de janeiro de 2012, 10:14
Por Cesar Valente
O dia em que deu tudo errado…
19 de janeiro de 2012, 6:07
Por Cesar Valente

Comentários

Arquivos