Hoje é um daqueles dias que, por ser feriado, todo mundo acha muito legal. Mas é claro que ele é feriado porque, em alguma época, alguém quis reforçar o significado desta data.
Uma pena que a maioria não goste muito de estudar e que o Estado brasileiro não forneça muitos anos de escola gratuita de qualidade. Graças à inacreditável superficialidade com que tudo é tratado nos bancos escolares e a completa falta de rigor nas cobranças do aprendizado, é provável que polêmicas, dúvidas e debates sobre a independência do Brasil não interessem a muita gente.
E há vários pontos que podem render boas discussões. A data é um deles. Há quem defenda 12 de outubro como o dia em que efetivamente o Brasil tornou-se independente de Portugal (comentarei brevemente sobre isso em outro post, mais tarde).
Outro é a forma como se deu a independência. O filho do rei de Portugal assumir o governo da ex-colônia não pode ser considerado um divórcio litigioso. Talvez uma rusga familiar, impulsionada por interesses econômicos de parte a parte.
E assim que, pelo menos nos documentos oficiais, nos livramos do “jugo português”, abraçamo-nos e fomos abraçados pelos pragmáticos ingleses, que fizeram aqui excelentes negócios, tal como se fossemos um protetorado.
Enquanto prosseguem os debates, não custa, numa das idas a São Paulo, visitar o Museu do Ipiranga (oficialmente é o Museu Paulista, da USP), onde está a tela do Pedro Américo (pintada uns 60 anos depois) que descreve, romanticamente, o gesto que D. Pedro teria feito naquele local. Na tela, aparecem os soldados que acompanhavam o príncipe, com seus uniformes brancos, com detalhes vermelhos. Este batalhão hoje é conhecido como os “Dragões da Independência” e faz a guarda de honra do presidente da República, mantendo uniformes semelhantes aos usados em 1822. Na foto mais acima, escoltando o presidente Lula, participaram do desfile de hoje, em Brasília.
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