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Caraminholas

A pátria, a independência e eu com isso…

O lindo pendão

O lindo pendão

Um dos conceitos que levei mais tempo para compreender foi o de Pátria. Porque sempre que a coisa começava a ficar clara entrava um complicador: o governo. E por aqui a gente mistura muito e atribui ao governo o poder de fazer coisas que só os habitantes do País podem, se quiserem, fazer. Ao mesmo tempo, o governo se mete demais onde não é chamado. Cobra impostos demais. Promete o que não está ao seu alcance. Cria expectativas vãs.

Por isso a data que comemora a independência do nosso País é tão cercada de contradições. No fundo, eu gostaria de comprar fogos, vestir-me de verde e amarelo (ou azul e branco, se fosse avaiano) hastear, na frente da casa, uma bandeira nacional. Mas algum vizinho há de pensar que faço isso porque apoio Lula, ou Luiz Henrique, ou porque trabalho no governo, ou porque alguma companhia de telecomunicações está me patrocinando. Talvez uma comemoração tardia da vitória da seleção.

Vivemos num belo País, fazemos parte de uma gente admirada no mundo todo. Temos muita coisa boa que o resto do mundo não tem. Do clima ao idioma único. E, sabe-se lá por que, só vemos, acima e além de tudo, os problemas. E curvamo-nos impotentes diante de todos eles. Como se fossem fatalidades. Esperamos, como crianças ingênuas e tontas, que governantes resolvam os problemas que só serão resolvidos quando todos levantarmos a cabeça e colocarmos mãos à obra.

Temos, enfim, uma Pátria que podemos chamar de nossa. Que, mal ou bem, nos abriga. E se examinarmos um a um os quase 200 países que existem por aí, é um dos poucos onde nos sentimos em casa.

Às vezes temos vontade de mudar. Ir embora. Eu sinto isso sempre que somo tudo o que pago, como pessoa física e como microempresa, para o governo, todo ano, o ano todo. Ganho pouco e mesmo assim, a cada queda de renda, baixa também o limite de isenção. Continuo pagando mesmo tendo a renda toda rasgada, farrapos que mal e mal cobrem-me as vergonhas. E o dinheiro recolhido de todos nós não volta, quase não aparece. A gente não vê.

Ainda assim e com tudo isso, aprendi a gostar deste lugar e da maioria das pessoas que o habita. Do jeitão, da forma de tocar a vida. E sinto mesmo, cá dentro, uma vontade de comemorar a data em que passamos a ter identidade nacional. É o meu País. O nosso velho e querido Brasil.

Amanhã a gente volta a pensar nos problemas e procurar saídas para as dificuldades, mas agora acho que a gente merece um final de feriado de tranqüila comemoração. Parabéns.

Discussão

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  1. Pô, Cesar, gostei!
    Tenho um sentimento parecido, principalmente, esta dificuldade de entender o conceito de “pátria” e de civismo… é tudo tão contrário aqui dentro que hesitei e nem escrevi nada sobre isso no blog. Fica pro próximo ano… até porque vc já disse muito aqui…

    Posted by rogerio christofoletti | setembro 7, 2009, 20:10

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