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Moribundices

O apelo do Nei: “Não esqueçam do meu caso!”

O tempo é um grande aliado daqueles que preferem varrer para debaixo do tapete os casos mais cabeludos. Vejam só a história do livro “A descentralização no banco dos réus”, onde o dono da revista Metrópole conta como eram feitos os negócios com os três poderes estaduais, para que fossem publicadas edições especiais, artigos louvaminheiros e capas mimosas, nutrindo o que, no jargão, se chama de “imprensa a favor”.

Incomodado com o conteúdo do livro, o governo do estado resolveu inverter o jogo e acusou o Nei de extorsão. Depois de passar vários meses cobrando (e recebendo) dinheiro que ele achava que lhe era devido pelas publicações relativas à Descentralização, num belo dia a polícia foi acionada e deu o “teje preso” por ocasião de mais um dos pagamentos.

O “flagrante” rendeu um processo, que está andando. O livro acabou censurado previamente (oficialmente o que  circulou era apenas uma cópia xerox dos originais). E os indícios de crime relatados no texto, ainda não produziram nenhuma ação judicial. O  Ministério Público garante que está investigando e que, assim que tiver algo concreto, proporá uma ou mais ações.

Mas o tempo passa e nada acontece. A memória do povo, já dizia Nixon, é fraca, e seu coração, complacente. Sei que as coisas não acontecem dessa forma, mas, aqui de longe, tem-se a impressão que se está esperando o resultado da ação de extorsão, para só depois ver o que fazer com aquele lamaçal insinuado pelo livro.

A Márgara Hadlich, contato comercial e repórter da revista, afirma que o Nei tem dívidas trabalhistas com ela. E reclama da forma como é mostrada no livro. Mas, no começo, parecia disposta a contar toda a história, confirmando o que estava escrito. Disse muita coisa para mim e para outros jornalistas. Mas, de uma hora para outra, resolveu calar.

A justificativa que me deu é que sua vida pessoal tinha virado de ponta-cabeça com as insinuações feitas no livro e que o Nei teria sido desleal com ela. E queria se afastar do caso, para tentar tocar seu dia-a-dia sem essa assombração. Ontem mesmo, pelo MSN, queixou-se que a divulgação, pelo advogado do Nei, que tinham sido juntadas novas provas ao processo, inclusive gravações de conversas dela com o governador, voltou a criar um clima ruim para ela. Muita gente procurando-a para ouvi-la e a ressurreição das suspeitas, estariam criando constrangimentos para seus familiares.

Há quem ache muito estranho o silêncio da Márgara, que se uniu ao editor da revista Metrópole, o Danilo Gomes e teria escrito um outro livro, ainda não publicado, para mostrar “a verdadeira face do Nei”. O próprio comportamento do Danilo Gomes é pra lá de estranho. Depois de assinar o prefácio do livro censurado (usando um sobrenome pouco divulgado: Danilo Prestes), calou-se e pelo jeito trabalha contra seu ex-sócio e colega. E, como todos sabem, o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Logo, os silêncios de Márgara e Danilo são música para os ouvidos do governo.

Réu, com o Nei, no processo de extorsão, Danilo tem feito o possível para atrapalhar o andamento do processo: fornece endereços inexistentes ou não fornece endereço, dificultando sua citação. E ajudando no que parece ser a principal estratégia no caso: empurrar com a barriga até que todo o caso seja esquecido. Ou que prescrevam os eventuais crimes que possam render algum incômodo às autoridades citadas no livro.

De tempos em tempos o Nei manda e-mails dizendo, com algumas variações, a mesma coisa: “não esqueçam de mim!”. Ele sabe que, se a Metrópole e suas edições especiais for esquecida, se ninguém mais lembrar por que aquele sujeito está sendo processado e se se apagar a relação do governo LHS com o caso, ele estará, literalmente, frito e mal pago. Olha só o e-mail que ele enviou ontem, comentando sobre o processo contra a publicação do livro:

“Prezado César, há mais de um ano que estou aguardando pelo julgamento do mérito na 3ª Vara Civel de Florianópolis processo n° 023.08.035690-0 para publicar meu livro o qual sofre censura prévia “A Descentralização no Banco dos Réus”. Contudo já anexei aos autos do processo excesso de provas sobre as denúncias de desvio de conduta do governo Luiz Henrique da Silveira, onde cito no compêndio. Porém até então o processo esta em um escaninho qualquer das prateleiras do Fórum. Ora com a censura quem ganha são os políticos que estão acima do bem e do mal. Portanto perde a sociedade que fica sem o direito a informação.

Nei Silva – superintendente da Revista Metrópole e autor do livro censurado.”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Esse cidadão espera alguma coisa da justiça? Esqueça! Depois daqueles 6 votos lá no TSE, acabou qualquer expectativa que pudesse haver em relação à atuação da justiça brasileira, seja ela qual for. Como sou herege, nem na divina eu acredito. Tá tudo dominado!

    Posted by Carlos | setembro 4, 2009, 14:31
  2. Só a alternância no poder, com novo governo, de outra sigla, de preferência um que integrar a oposição agora, é que vamos conhecer a verdadeira cara do Nei ou do Luiz Henrique. Lamentavel a atuação do Judiciário e do MInistério Público no caso, como a omissão tambem da Assembléia Legislativa. Enquanto isto, o erário sangra….

    Posted by Belmiro | setembro 4, 2009, 15:23
  3. César
    Seu texto está “supimpa”. Esclarecedor, passo a passo, conta tudo que ocorreu em relação ao caso. Suas colocações são oportunas para que isso não caia no esquecimento.
    Também acho muito estranha a repentina e “voluntária” mudança de comportamento de Márgara e Danilo. Algo hay…

    Posted by Luiz Carlos Schneider | setembro 4, 2009, 17:00
  4. O Nei está bem longe de ser assim o nosso Nildo…

    Se meteu em rabo de foguete porque esperava se dar bem,ao contrário do caseiro.

    No que os casos guardam alguma semelhança então?No desfecho da Justiça…O Nei tá mais pra
    Mattoso,vai levar no tampo sozinho.

    Posted by Lia¬¬ | setembro 6, 2009, 15:24

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