Depois que inventaram essa história de internet e que os blogs se popularizaram, todo mundo acha que pode sair por aí divulgando o que acha certo e errado. É o tal de “jornalismo cidadão”, que acaba expondo situações que a imprensa estabelecida, séria e pagadora de impostos, preocupada com o bom relacionamento que se deve ter com os três poderes, trataria com maior cuidado. Diria mesmo que com o maior cuidado.
Vejam só que absurdo isso que um leitor, metido a jornalista, mandou:
“Como faço todos os dias, passei hoje em frente à sede do TRE, na Rua Esteves Júnior, no Centro de Florianópolis, e um detalhe me chamou a atenção. Em frente ao órgão há um estacionamento em 45° (foto acima) com uma placa indicando que, ali, é proibido estacionar, “exceto veículos oficiais TRE” .
Parados no local havia uns seis automóveis, todos aparentemente privados, não oficiais, já que não possuíam placas brancas ou qualquer inscrição que indicasse ser o veículo um bem público. Por lei, apenas veículos destinados à investigação policial podem circular com placas “frias”, que a polícia chama de “placa de segurança”.
Um carro particularmente me chamou a atenção. Era um Golf preto, último tipo, que trazia no pára-brisa a inscrição “Justiça eleitoral, veículo a serviço”. Aparentemente um adesivo meia boca, facilmente destacável, feito para “dizer” que o carro é “oficial”.
O detalhe é que qualquer mortal que queira parar nas imediações do TRE, tem que comprar bilhete da Zona Azul ou acaba sendo multado por parar em alguma das ditas vagas exclusivas.
Ora, ora, isso lá é assunto que se divulgue? Tanta coisa importante acontecendo na cidade, tantos bons serviços o TRE já prestou à democracia e o cidadão inventa de olhar com lupa um problema menor. Assim não pode, assim não é possível. Onde vamos parar? Pelo menos em frente aos tribunais deveria poder existir um pouco de relaxamento na dura lex, sed lex. Não dá pra querer que, além do cidadão comum, também as autoridades cumpram a lei ao pé da letra. Vamos com calma. E devagar, que o santo é de barro.
Por mim, suas Excelências podem usar o adesivinho de tapear guardinha municipal, podem colocar nos estacionamento de carros oficiais todo o tipo de veículo que quiserem. Só que agora precisam ter um pouco mais de cuidado, porque esses inxeridos metidos a “jornalista-cidadão” estão à solta, com suas línguas de trapo e suas câmeras digitais paraguaias.
Também não aguento mais o injustiçado “jornalista-cidadão” implicante e, acrescentando mais um adjetivo, desassistido (tadinho!). Na real, morro é de pena desse tipo de gente, que por causa do ócio, enche a internet de bobagens desnecessárias e irrelevantes. Pronto falei! Beijos, querido!
Pô, as “excelências” colocam um dístico citando uma lei que ampara o transporte de eleitores em dia de eleição:
“LEI No 6.091, DE 15 DE AGOSTO DE 1974.
Dispõe sobre o Fornecimento Gratuito de Transporte, em Dias de Eleição, a Eleitores Residentes nas Zonas Rurais, e dá outras Providências.”
Aí, o cidadão só pode ficar consuso mesmo, achando que tem marmelada!
Mas quem é o implicante. O cidadão que fez as fotos ou o jornalista blogueiro??? Ou ambos “os dois”???
Cumprir a lei . Nem pensar. O papo é transgredir , fazer como esse funcionário do TRE. Aplicar golpe é o melhor negócio.
essa parece a lição
Então tá. Fiz faculdade de jornalismo e fui aluno do tio César. Aprendi que sempre devemos ouvir o outro lado. Cadê a versão do TRE? Assim fica fácil…
César, acho que o “povo” tem que denunciar o que vê, porque o que ele não vê fica para quem tem a visão. Assim, cada qual faz a sua parte.
Jairo, estás certo, poderiamos ter ouvido o TRE. Mas tenho a impressão que, no caso em tela, o TRE se manifestou antes, ao permitir o estacionamento, diante do seu prédio e sob aquela placa, de automóveis particulares. E mais, falou publicamente. O que estás sugerindo é que a gente tome conhecimento das justificativas para essa interpretação heterodoxa adotada pelo TRE. Coisa que, cá entre nós, não muda o fato: havia carros particulares estacionados sob uma placa que reservava o espaço para carros oficiais.
ex-jornalista: e se tudo isso for apenas ironia?
Bem que poderíam botar um toldo para os carros não ficarem ao relento.
Strix.
é Cesar, acho que você caiu naquele problema de ser irônico.
Quando o outro não entende a ironia, o irônico acaba parecendo o idiota.
Concordo, professor. Mas, ainda assim, não seria o caso de perguntar: 1) a direção do TRE tem conhecimento? 2) se tem, como explica? 3) se não tem, o que fará? Claro, as imagens falam por si mesmas (será?) e talvez não fosse imprescindível à compreensão da matéria ouvir o outro lado antes. Por cautela, penso que, quando se trata de “jornalistas-cidadãos”, é necessário certificar-se. Não estou falando do caso concreto, mas a observância dessa deontologia pode ser o diferencial dos jornalistas profissionais. Grande abraço.
Jairo, vou fazer um sobrevoo nas imediações da Justiça Federal para verificar se está tudo nos trinques..
Ironia???? Pensei que o blog retratada assuntos sérios – sem ironia. Mas esqueci: ironia é tua marca registrada, não é???
Ex, costumava ser o sarcasmo, mas, com a idade, acho que estou perdendo o jeito…