Por causa da lambança burocrático-política que emperrou as obras de recuperação do porto, o jornal criou uma campanha “Porto Já”, para tentar mobilizar a cidade e a região, chamando a atenção para a importância de resolver a questão do porto de Itajaí imediatamente. Nem amanhã, nem depois do Natal, nem semana que vem: já. Segundo a direção do jornal, “a campanha é supra partidária, sem fins lucrativos, com o único objetivo de ajudar a fazer funcionar essa importante locomotiva da economia da nossa região”.
Nada muito pretensioso: a campanha consiste em promover debates, fazer matérias jornalísticas e, brandindo perguntas no ar, como porretes de cidadania, ir atrás de respostas para a demora no reestabelecimento do funcionamento normal do porto.
Tio César,
O comentário que tenho a fazer “em defesa do Porto e da Cidade” pode parecer contraditório, mas requer uma análise crítica de consistência. Na realidade a Cidade de Itajaí e o Porto estão umbilicalmente ligados e dependentes um do outro, porém o Porto se encontra em processo de decadência resultante de um processo simples de relações de mercado internacional, onde a concorrência e a privatização tem reduzido o volume de embarques/desembarques. Veja o quadro atual em Santa Catarina: o Porto de Itapoá ém fase final de implantação vai movimentar até 5.000 containeres por embarcação porque possui dois fatores determinantes: calado natural de 15 metros e porto privado com alta tecnologia operacional; Portonave em Navegantes, totalmente, privado e com operacionalização de 5 portaineres, Porto de Imbituba, privado, calado natural de 15 metros em fase de expansão logística, Porto de São Francisco do Sul, estatal, calado natural de 15 metros, opera com diversos tipos de carga; e finalmente, Itajaí, porto municipal com arrendamento de berços e pátios para iniciativa privada com calado máximo de 10 metros. Portanto, não tem Senadora Ideli, Deputados Décio Lima e Vignatti que consigam mudar este quadro estrutural adverso ao Porto de Itajaí.