O enterro do Chico Amante foi triste e bonito, como normalmente são as despedidas das pessoas queridas. O Chico dedicou sua vida a fazer amigos. E a defender Florianópolis. Quem era amigo de Florianópolis, gostava do Chico. E o Chico gostava de quem gostava de Florianópolis. Simples assim.
Foi muito bem lembrado, pelo Ricardinho Machado, ao fazer uma emocionada despedida à beira do túmulo, que ele provavelmente gostaria que todos cantassem o Rancho do Amor à Ilha, o hino de Florianópolis, composto pelo Zininho. Não por acaso também grande amigo do Chico. E deu-se uma emocionada execução, a capela, da música que incorpora a essência da cidade. Quem resistia às lágrimas, sucumbiu. E o pranto musical e a tristeza da despedida uniu aquelas várias dezenas (uma centena? mais?) de amigos do Chico, que estavam ali, olhos vermelhos e a alma apertada, tentando entender os mistérios da vida.
O filho do Chico, o Marcos, disse, do fundo da sua dor, o que todos estávamos pensando: morreu um homem honesto. Íntegro. Um grande exemplo para todos nós e enorme orgulho para todos que tiveram o privilégio de conviver com ele.
“O Chico saiu à francesa”, disse-me a Lúcia, quando estávamos descendo a ladeira do cemitério. Ninguém que o conhecia pode imaginar o Chico enfermo, preso a uma cama, sofrendo com tratamentos prolongados. O Chico nunca ficou doente em mais de setenta anos. Certamente iria sofrer demais com tudo o que um tumor no intestino pode representar em termos de complicações e perda de qualidade de vida.
Se sentia alguma coisa, fez boca de siri. Queixou-se um pouco no domingo, levaram-no ao médico. Na terça piorou, foi operado de urgência. Na quarta, ainda na UTI, pediu a conta e saiu. À francesa. Sem incomodar ninguém. Sem criar dificuldades. Leve e discreto como sempre viveu.
Aos que ficam, tristes com essa ausência repentina, resta o consolo, poderoso consolo, de um homem que viveu bem a sua vida, espalhando alegria, esperança e amor pelas coisas da nossa terra. Claro que seria muito melhor que ele não tivesse ido agora. Mas com um homem da estatura moral do Chico, a gente não discute. Se ele resolveu ir embora, deve ter tido suas razões. Até porque – e disso ninguém duvida – já tinha cumprido, com galhardia e sobras, sua missão.
EM TEMPO
Transcrevo nota do blog do Moacir Pereira, que tem uma boa informação sobre o novo livro do Chico:
“A Despedida
A fina flor da representação ilhoa marcou presença nas últimas homenagens prestadas ao escritor Francisco Amante, o mané Chico Amante, sepultado no Cemitério São Francisco de Assis, com as bênçãos do padre Edgar e do diácono Glauco. Lideranças comunitárias, autoridades, deputado Edison Andrino, profissionais de imprensa, familiares e amigos estiveram na despedida.
O irmão João Amante recordou, durante a cerimônia religiosa, as virtudes do falecido. Destacou que Chico Amante marcou toda sua vida pela humildade, simplicidade, serenidade. Nunca levantou a mão ou a voz contra familiar ou semelhante. Foi exemplar na escola e na vida.
Padre Edgar sentenciou: “Chico era um espírito justo e uma alma boa. A vela se apagou, mas a sua luz irradiante e comunicativa pemanece”.
O comendador Roberto Laus confirmou para os próximos dias o lançamento do livro “Almoço das Estrelas”, que Chico Amante escreveu e autografaria em setembro. A obra terá lançamento em mais uma homenagem póstuma ao falecido.”
Obrigada Cesar.