
Meireles, praia e paredão
Inevitavelmente uma viagem a trabalhou ou a passeio provoca comparações. Aqui em Fortaleza onde estou atendendo a um evento esportivo não seria diferente e, ao dar meus primeiros passos, na Avenida Beira Mar, praia do Meireles, sequência da praia de Iracema, lembrei de Balneário Camboriú, com enorme vantagem para este belo pedaço catarinense.
São enormes as diferenças, a começar pela limpeza. O mar, é claro, não merece confiança em termos de balneabilidade.
O visual é bonito. Mistura jangadas com navios que atracam no terminal da Petrobrás em um dos extremos da praia. As semelhanças começam no paredão formado por prédios residenciais e hotéis que impede a circulação de ar. Menos mal que o vento quase constante refresca quem está à beira mar. O efeito da sombra também fica para mais tarde. Impressiona o nauseabundo cheiro de fezes e urina em determinados locais da avenida.
Mendigos, achacadores, caçadores de turista vendendo pacotes – não só de passeios –, e bares suspeitos que aqui chamam barracas, contribuem para a poluição visual e o medo. Não se ouve o sotaque dos nossos vizinhos da América do Sul. Os europeus são os donos do pedaço. Um amontoado de barraquinhas é chamado de centro de artesanato. Parece um camelódromo, pouco artesanato, muita bugiganga.
Um pequeno grupo da delegação catarinense sentiu o poder da prática do arrastão que já chegou ao Ceará, importada talvez dos noticiários e dos manuais de violência das praias cariocas. Foi na periferia, no pedaço da famosa Praia do Futuro cujo presente serve de alerta para turistas desavisados. Levaram bolsas e máquinas fotográficas numa ação rápida e que terminou com os assaltantes localizados logo adiante, como se nada tivessem feito minuto antes. Não havia policiais para molestá-los. E também ninguém se aventurou a encará-los. Era mais seguro voltar para o hotel com o prejuízo.
Pelo jeito Fortaleza não é diferente da maioria das capitais do nordeste. Salvam-se aqueles endereços periféricos aonde a ocupação imobiliária ainda não chegou, o meio ambiente está preservado e os turistas não viraram alvos de oportunistas e bandidos. São cada vez mais raros os destinos de paz e tranqüilidade no mapa do turismo brasileiro. Felizmente ainda estamos um pouco distantes deste inevitável comprometimento de qualidade de vida. Quero voltar logo para Santa Catarina e para Florianópolis.
Boletim on-line de balneabilidade das praias de Fortaleza: http://www.semace.ce.gov.br/servicos/praias/
Cesar. Tive a mesma impressão que tu teve. Fortaleza resume-se a praia de Iracema, com inumeros infortúnios enquanto caminha pela orla. Quando lá estive cansei de ser abordado por vendedores de tudo, tudo mesmo. Não troco nossas praias do sul, mesmo com os problemas que enfrentamos aqui.
Diogo, o post é do Mário Medaglia.
Morei em Recife no final dos anos 80 – qdo uma revista de circulação nacional classificou a cidade como a ‘capital nacional da mendicância’. Mas o mesmo acontecia nas outras capitais; era só estacionar o carro e lá vinha o flanelinha, ao entrar em um S.Mercado havia um corredor ladeado de pedintes. O mau cheiro do Mercado São José, a fedentina dos rios e canais, além do lixo ao longo das ruas são de revirar o estômago. O lado bom: Clima, temperatura da àgua, sucos, queijo de coalho, e claro as festas de S. João e os carnavais de Olinda.