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Política

As razões da litoralização

O ex-governador Esperidião Amin (PP) enviou-me um pequeno artigo, dando umas alfinetadas no atual governador e levantando alguns temas que muito provavelmente povoarão os debates políticos de 2010. Como eu acredito que os eleitores só têm a ganhar com a discussão, pelos líderes partidários, das questões que nos afligem a todos, vou esperar, de páginas abertas, que alguém do governo (o próprio LHS, quem sabe), faça o contraponto.

Taí o artigo do careca:

“Litoralização!!!
Por Esperidião Amin

Descentralização e Deslitoralização foram as palavras-compromisso do então candidato a governador do PMDB, em 2002.

Dentre as subsidiárias da expressão descentralização, o fim da ambulanciaterapia era oferecido como remédio que resultaria dessa linha de governo.

A descentralização, na prática, resultou no “vitorioso” (em termos eleitorais) modelo de “cabides de empregos”. A ambulanciaterapia, em vez de ser extinta, resultou em ambulâncias maiores e mais potentes, com a justa concessão de prêmios aos seus heróis-motoristas.

Quanto à litoralização, ao contrário do que o candidato de 2002 proclamava, os recentes dados demográficos do IBGE demonstram que o movimento no sentido do litoral aumentou.

Há razões objetivas e decorrentes da ação ou inação governamental para isto.

Por que, para exemplo, União do Oeste perdeu mais de 20% da sua população? Além das razões mundialmente presentes, o inexplicável abandono de programas bem sucedidos como o de reflorestamento com antecipação de renda, crédito fundiário e outros que contribuem para elevar a renda das nossas famílias de agricultores. Sem renda, só uma estrada é, há séculos, conhecida: a do êxodo rural, em Santa Catarina, para o litoral.

Educação de qualidade, renda sustentável, privilegiando produção orgânica, acesso a serviços de saúde de alta complexidade e investimentos em infraestrutura são fatores fundamentais para a preservação e modernização do modelo demográfico e fundiário de nosso Estado.

Soluções “exóticas” e politiqueiras como a da extinção das regiões metropolitanas, que exclui nosso Estado da rede de observatórios metropolitanos, resultam na realidade indesmentível dos números do IBGE.

Contudo, com bons advogados, é possível “desmoralizar a realidade”!”

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Simples, sintético e verdadeiro!
    Espero que a resposta venha de próprio punho, e não do cabedal cultural da Contigo!

    Posted by lh | agosto 16, 2009, 14:01
  2. A extinção das regiões metropolistanas foi, de fato, um dos erros da reforma administrativa.

    Felizmente em outros pontos a reforma administrativa andou bem, como a criação das secretarias regionais.

    Como sempre, o problema não é número, alto ou baixo, de cargos comissionados e sim o critério exclusivamente político que em muitos casos se utiliza para preenchê-los.

    Imaginem que maravilha seria esta imensidão de cargos comissionados nas esferas federal, estadual e municipal ocupados por gente idônea e com preparo técnico para função, marchando sob a liderança de estadistas de verdade a lhes cobrarem planejamento, metas e resultados?!

    Posted by Ernesto São Thiago | agosto 16, 2009, 15:24
  3. A idéia da descentralização é interessante, no entanto foi muito mal executada em SC. Foi apenas uma jogada de marketing, uma jogada política.
    O principal, que seria o oferecimento de serviços no interior, não foi implementado.

    Posted by Ale | agosto 16, 2009, 15:34
  4. E quem disse que as pessoas que saem do interior em direção ao litoral são oriundas apenas da zona rural? Talvez parte das razões da litoralização seja justamente a concepção de que o restante do estado deve ser apenas produtor agrícola.

    Posted by Larissa | agosto 16, 2009, 15:57
  5. Tem razão o ex-governador. durante mais de 2 anos (2005/2007) viajei por mais de 100 municípios de SC. , o que vi foram ambulâncias na estrada e as sedes das SDR´s lotadas de comissionados oriundos de prefeituras onde o PMDB perdeu as eleições. As cidades com infra-estrutura perdem moradores por que não tem emprego com salário decente. Entopem as cidades de frigoríficos e querem que os jovens virem mão de obra barata. Preferem ser vigilantes no litoral. Ganham o dobro e com vista para o mar. As elites do interior não oferecem oportunidade para quem não é do círculo familiar.
    Vi isso em Xanxerê. Sem sobrenome de empresário não tem chance. Por outro lado a Universidade pública UFSC/UDESC não existe. Os campus em Chapecó e em Araranguá são uma piada petista. Poucos cursos e nem preencheram as vagas. Só fachada para proselitismo político. Quem vai querer ficar numa região (oeste) ambientalmente devastada e com uma elite predadora. Nem meu cachorro ia querer

    Posted by amilton alexandre | agosto 16, 2009, 17:58
  6. Sim.Concordo em parte. E o que fazer? Esse é o problema. Só critica e nao aponta soluçoes, por isso, tem perdido tantas eleiçoes.Quem critica alguma açao ou falta dela, tem por obrigaçao demonstrar como faria para que saísse certo, ou do seu jeito.Criticar assim fica fácil.

    Posted by francisco gercino | agosto 16, 2009, 19:15
  7. Qual o principal objetivo ao criar as Secretarias Regionais? Seria a descentralização de que? Da administração? Para facilitar ou agilizar os projetos e obras? Parece que esse objetivo não foi cumprido. Também não tenho notícia de que em algum ano, antes da descentralização, alguma obra deixasse de ser realizada por falta de uma secretaria regional. Pelo contrário: o antigo DER, hoje Deinfra, sempre foi atuante nesse ponto. Os demais órgãos do Estado já estavam descentralizado há muito tempo: Epagri, Cidasc, Casan, Celesc, Sec Educação, Sec.Saude, são alguns dos exemplos. O povo não viu nada mais próximo do que já estava: o agricultor precisa é do escritório municipal da Epagri e da Cidasc, o que já tinha e onde continuam indo. O estudante quer uma escola boa e perto: já tinham, e continua tudo igual. Os doentes, querem postos de saúde, médicos e hospitais perto. Continuam os mesmos postos de sáude e os mesmos hospitais. O Deinfra continua mantendo as rodovias existentes e acompanhando a construção das novas. Então eu pergunto: qual o benefício que as SDRs trouxeram para o povo, para o cidadão comum? Eu não vejo nenhum objetivo, pois o povo não entra nas Secretarias REgionais. Se lá vai, é para tomar um cafezinho. Em verdade, as secretarias foram criadas para abrigar os políticos perdedores da tríplice aliança. Voces conhecem algum ex prefeito, ex deputado, ex dirigente politico da tríplice aliaça sem uma boquinha nas Regionais? De outra banda, as regionais serviram de represa dos prefeitos e a liberação do governo para suas viagens turisticas mundo a fora. O Governo ficou livre dos ex (prefeitos, deputados, vereadores) e dos atuais prefeitos, e, sabiamente, conheceu o mundo todo por conta do tesouro. Benefícios dessas viagens? ainda não vi nenhuma, como tambem, não vi benefício direto nem indireto para o cidadão. Ah, só um exemplo: ao destinar um troco para a recuperação da Catedral Metropolitana, nas barbas do governador, lia-se numa placa: Mais uma obra da descentralização! Isto não é uma piada? sim, por duas razões, entre outras: uma) o povo não pediu; duas)se não fosse a descentralização a catedral não seria reformada? Esse exemplo serve para as demais obras que foram construidas no Estado

    Posted by Belmiro | agosto 17, 2009, 02:25
  8. Fica uma certeza: As SDRs são uma forma de criar musculatura política, pois os atuais detentores de cargos vão “suar sangue” nas próximas eleições para não perder a “bocada”.

    Posted by Max | agosto 17, 2009, 10:53
  9. Como parece que o Francisco Gercino não leu o artigo do ex-governador, vamos repetir:

    “o inexplicável abandono de programas bem sucedidos como o de reflorestamento com antecipação de renda, crédito fundiário e outros que contribuem para elevar a renda das nossas famílias de agricultores.
    Sem renda, só uma estrada é, há séculos, conhecida: a do êxodo rural, em Santa Catarina, para o litoral.
    Educação de qualidade, renda sustentável, privilegiando produção orgânica, acesso a serviços de saúde de alta complexidade e investimentos em infraestrutura são fatores fundamentais para a preservação e modernização do modelo demográfico e fundiário de nosso Estado.”

    Posted by Carlos A | agosto 17, 2009, 13:17
  10. [...] Para ler o post do Cesar Valente, clique aqui.   [...]

    Posted by Esperidião Amin começou a campanha de 2010 « Blog do Ike | agosto 19, 2009, 21:36

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