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Projeto 270 filmes

O grande debate sobre Clint Eastwood (atualizado)

André Valente. Foto: Alice Prina

André Valente. Foto: Alice Prina

O André Valente, vocês sabem, está executando, um dia por vez, o projeto 270. Durante 270 dias publicará uma ilustração por dia, sobre algum filme que ele viu. Como se trata do André, em vez de apenas fazer a ilustração (que estão ficando ótimas, com experiências muito interessantes em diversas técnicas), também dá uns palpites sobre o filme inspirador da ilustração.

Ele não é um crítico de cinema, apenas um espectador crítico (terá puxado a quem?). E dia desses, sob um desenho com a caratonha do Clint Eastwood, disse o que pensava dele como diretor. E a reação foi grande. Depois que vários se manifestaram, nos comentários e por e-mail, o André deixou uma réplica. Que eu trago pra cá, pra agitar um pouco o final de semana dos cinéfilos e, principalmente, dos fãs do Clint.

Fala, André:

“Olha, eu tenho feito um esforço pra não ofender ninguém e discutir menos na internet, então, por favor, não me levem a mal. Respeito a opinião de todos e não quero briga (especialmente com o povo da capoeira), e sem a menor sombra de dúvida, existem coisas muito piores pra se gostar do que Clint Eastwood, o diretor. Pra começar, concordamos todos que Clint Eastwood o ator, tem uma força carismática fabulosa e a rouquidão de sua voz sozinha já é motivo suficiente pra comprar um ingresso?

Apesar disso, defendo meu ponto de vista: de que acho Clint um cineasta fraco. Peão, e não mestre de obra – muito menos arquiteto. Autor mesmo não se deixa submergir pelas bilheterias astronômicas dos megaprojetos – não é culpa do orçamento que A Troca ficou tão ruim. A Troca nasceu ruim, viveu ruim e morreu ruim. (É conhecida a fama de Clint, o diretor esforçado, que entrega os filmes no prazo e abaixo do orçamento – workmanlike).

Clint continua o mesmo diretor dos terríveis Dívida de Sangue, Crime Verdadeiro e Poder Absoluto todos os três dos últimos 15 anos. Filmes sem tensão, nem paixão, nem nada realmente marcante. Nem mesmo os “finais surpreendentes” surpreendem. Não é a falta de pressa que me incomoda, é a falta de garra. Michael Haneke, autor europeu verdadeiro, faz filmes lentos e enlouquecedores. Os coreanos andam fazendo cinema americano melhor que os americanos. Cronenberg, na sua nova fase, anda reinventando o noir – e sua própria obra. A turma nova de americanos, a do Fincher, Wes Anderson, Alexander Payne, Aronofsky, Kaufman e cia está fazendo filmes mais europeus e de autor que os próprios autores europeus hoje em dia. Mas Clint ainda comete os mesmos erros de Perversa Paixão. Não me importo com gente que erra, acho mesmo um crime repetir no erro – por quase quarenta anos, então… (Onze Homens e Um Segredo está longe de ser perfeito, mas é um erro tão espetacularmente diferente do resto da obra de Steven Soderbergh que merece meu respeito.) Como dizem na abertura do (ironia) fraquinho Elizabethtown: “errar qualquer um consegue, é necessário talento pra ser um fracasso”.

Eu tenho que admitir que bons atores, nos filmes do Clint, fazem miséria. Mas o fazem porque são bons de verdade. Clint, o operário, parece não influenciar muito no que Sean Penn e a Hillary Swank andam fazendo. São craques de verdade e fazem gol, independente do técnico. (O tanto que Sean Penn dá um show, Tim Robbins faz passar vergonha em Sobre Meninos e Lobos).

Quando um roteiro interessante cai na mão de Clint, pode apostar que o filme vai sair como o roteiro. Interessante e só. A faísca que transforma idéias boas em obras-primas parece evitar os filmes dele. Falta tão pouco para Um Mundo Perfeito, As Pontes de Madison, Bird e Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal serem filmes incríveis. Mas eles são aqueles alunos esquecidos e invisíveis, que não são ruins o suficiente pra serem reprovados, e não são bons o suficiente pra serem nota 10.

No mundo do cinema, Clint permanece na sua varandinha, xingando os vizinhos e se recusando a levantar pra fazer algo diferente. Preservando o espacinho que palmilha, quando poderia morar numa fazenda de hectares. Tão nostálgico que não percebe que está repetindo os clichês e os erros de 20 anos atrás. Gran Torino celebra aquele cinema e simbolismo requentados de 1990, do “direto ao vídeo”. E ainda acha que está inovando. Como um Karatê Kid inverso.”

OK, have a nice weekend.

—–

Você pode acompanhar a série aqui, ou ver as imagens maiores no flickr e no meme.

ATUALIZAÇÃO DO DOMINGO

O polemista filho deixou, nos comentários, respostas aos debatedores (em especial à Aline e ao Nei Duclós) que, não sei não, poderão render novos debates. Nem vou me meter, pra evitar confusão…

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Então – eu escrevi meio na pressa, na caixinha dos comentários. Se eu soubesse que ia parar aqui ia revisar mais algumas vezes.

    O negócio do Karatê Kid é que a estrutura de Gran Torino é a mesma de Karatê Kid: menino tímido encontra um vizinho velho e sábio que lhe ensina a viver e se defender.

    Posted by André | agosto 15, 2009, 10:09
  2. Poxa, assisti Gran Torino ontem e gostei bastante. Assisti também “O dia em que a Terra parou”, que não é do Clint, e achei um lixo. Por fim, assisti “O incrível Hulk”, não é do Clint tb, e achei outro lixo. Gosto é gosto neh…

    Posted by Aline | agosto 15, 2009, 19:51
  3. Em “Os Imperdoáveis”, o ex-pistoleiro sai do seu sítio, sai de sua limitação, do seu cercado, para enfrentar o destino. Representa bem este que, no dizer de Sean Penn, “é o único herói americano que não nos decepcionou”. O grande faroeste de Clint Eastwood, não por acaso, nem é citado aqui.

    Mas este é um debate inútil. Nem Clint, com seus filmes, conseguiu convencer o autor do necrológio.

    Posted by Nei Duclós | agosto 15, 2009, 22:15
  4. Aline, realmente, esses filmes que você viu são ruins pra diabo. Gosto é gosto, mas esses filmes realmente são uma porcaria, pode acreditar. Perto desse Dia que a Terra Parou qualquer filme vira obra-prima.

    —-

    Nei, eu tinha falado no outro texto que adorava Imperdoáveis. E eu gosto mesmo.

    Mas Imperdoáveis é escrito pelo mesmo cara que escreveu Blade Runner e 12 Macacos.

    Alguém me lembrou do Caubóis do Espaço, que eu gosto e acho bem leve e divertido (tipo Sessão da Tarde). E Caubóis do Espaço é do mesmo cara que escreveu Muppets no Espaço.

    Enquanto Gran Torino é o primeiro roteiro da equipe que escreveu. Sim, eles também escreveram curtas e um piloto de seriado que não deu certo. E ninguém tá enterrando o Clint não. Eu não queria nada além de ver o Clint provando que eu tô errado. Mas não sei porque isso foi tão longe, quando eu só quero dizer que o cara é um diretor operário, e só. O roteiro que cai na mão dele é o roteiro que vira filme. Pronto. Quando cai um grande roteiro, a possibilidade de virar um grande filme é boa. Mas ele não faz nada pra melhorar um roteiro ruim.

    Pessoalmente, eu acho Gran Torino um roteiro ruim. O padre que não serve nenhum propósito além de dar um discurso no final. A mãe dos vizinhos hmong (é assim que escreve?), que poderia muito bem ser uma lâmpada ou abajur e não faria diferença. Os vilões. Céus, os vilões. Bidimensionais e rasos como uma folha de papel. Eles não tem motivação nenhuma além de “está escrito no roteiro”. Nem como vilões de desenho animado eles registram, porque faltam ainda umas boas quinze páginas de roteiro pra que eles virem vilões de desenho animado. Como está, eles são um pouquinho além de cenário. Cenário incrivelmente malvado. Mas cenário.

    E as atuações? O Daniel San realmente me convenceu que tinha algum retardo mental. Eu pensei, “que impressionante, contratarem alguém assim, meio lento”. Mas aí os personagens começaram a dizer que ele era normal, e ele não convenceu. Imagine um ator que tem dificuldade pra convencer que NÃO tem retardo mental.

    Se fosse qualquer outro ator naquela varanda, num filme dirigido pelo Clint, a gente nem teria essa conversa. Porque o que carrega o filme é o carisma do Clint. Eu assistiria duas horas do Clint sentado numa poltrona reclamando do que passa na TV. Não seria um filme particularmente bom, mas eu assistiria. E isso que o Sergio Leone, quando trocou o Clint por Robert deNiro em “Era Uma Vez na América” falou, “que alívio, finalmente trabalhar com um ator de verdade”.

    O mesmo Leone que disse que “não se pode fazer filme como se estivesse colocando pele no salame. Você tem que sair de um projeto com a boca seca, com a cabeça em chamas e com a alma em pedaços”. E eu não vejo isso acontecendo com o Clint. Adoraria que ele fizesse isso antes de morrer. Mas acho bem difícil. Quando sair o filme do Mandela que ele anda fazendo estarei lá pra ver se ele me desmente.

    Posted by André | agosto 16, 2009, 16:12
  5. O menino que encontra o herói é um tema clássico no cinema. Acho má vontade colocar Gran Torino na linhagem de Karatê Kid. Prefiro sintonizá-lo com algumas obras dos mestres do cinema, como O Garoto, de Chaplin, ou Shane, de George Stevens. O herói parte para sempre, como em Shane, deixando o menino entegue à memória e à solidão. Trágica em Shane, prazerosa em Gran Torino.

    Mas é claro que não podemos colocar Clint no panteão dos gênios. Ele não é John Ford, mas é também um cineasta com linguagem própria, uma obra sólida que, pela longevidade, teve altos e baixos.

    Citei Os Imperdoáveis porque, ao deixá-lo de lado, você reforçou os argumentos contra Clint. Foi um ato falho de uma argumentação que quer atingir seu objetivo, “esquecendo” o que o alvo da crítica fez de melhor.

    Muito se pode dizer de Clint, menos que ele seja um canastrão sem importância. É uma personalidade, como Paulo César Peréio, aparentemente sempre o mesmo. Não se pode compará-lo a Robert de Niro, que considero execrável do Cabo do Medo à Máfia no Divã, pelo excesso de caretas e pela soberba. De Niro tem certeza que é um ator fundamental como Marlon Brando, mas não é.

    Clint tem dúvidas e essa é sua fragilidade e humanidade, o durão que no apagar das luzes faz a autocrítica da violência e que se transforma sem mudar na essência. Um herói tradicional que não foge ao seu destino de mudar profundamente, como acontece sempre nas sagas e nas narrativas épicas.

    Aquele que não se arrepende nem perdoa, que reconhece o Outro, seu oposto, e que só tem contas a prestar ao Criador e não aos seus intermediários. Para esses, como o padre de Gran Torino, a distância que uma lenda deve manter sempre em relação aos pobres mortais.

    Posted by Nei Duclós | agosto 16, 2009, 18:41
  6. Ô Nei, (lembrando que, não quero briga, não tenho mágoas, quero apenas participar de um debate saudável).

    Jóia.

    Concordamos que o tema recorrente do “garoto que passa pela tutela de um herói para chegar na vida adulta” existe desde sempre, que como Joseph Cambpell dizia na Jornada do Herói, é um mito e independe de crença. Isso se repete desde Shane até Guerra nas Estrelas, passando por quase todo filme, como Karatê Kid, Gran Torino, Harry Potter e o diabo a quatro.

    Agora, o que importa é o que se faz com esse mito. E eu acho que Gran Torino não vai muito além dos estereótipos culturais asiáticos de Karatê Kid, um exemplo de embate e aprendizado entre cultura oriental e ocidental, que teoricamente resolve de forma mágica os problemas de ambos. A diferença é que o Clint de Gran Torino não arma o garoto da força pra enfrentar seus problemas, muito pelo contrário. Admite uma postura de “resolvo eu”, deixando que o garoto termine o filme tão criança como quando começou – tá certo, no final ele sabe arrumar calhas e falar palavrão, grande progresso. Talvez nessa reversão de papéis, o sábio branco americano não pode confiar para o aprendiz asiático as ferramentas (metafóricas, as físicas ele emprestou) pra que ele ande com as próprias pernas.

    Concordamos que Clint não é nenhum John Ford. Concordamos que, com a longevidade ele vai ter mais altos e baixos do que gente que acabou de começar.

    Agora, é com a parte do “cineasta de linguagem própria” que eu fico encucado. É possível identificar as particularidades visuais e textuais de Clint sem ver nos créditos o nome dele? O que tem nos filmes dele que é tão marcante? Onde está essa assinatura, que faz com que a gente lembre só de meia dúzia de filmes, numa carreira que teve mais de 30?

    Como que eu “esqueci” Os Imperdoáveis, se é o primeiro filme que eu citei? Antes mesmo de falar de Gran Torino, eu fiz questão de pontificar Os Imperdoáveis como uma raríssima exceção na filmografia do sujeito! Mas, mesmo que você me acuse de “argumentar para atingir meu objetivo” ou não, concordamos que é o que ele fez de melhor.

    Da mesma forma, posso também dizer que você fez questão de “esquecer” os filmes ruins dele quando o chamou de “craque”. E também posso argumentar que você se contradisse no primeiro comentário, dizendo que ele faz “cinema de autor” pra no mesmo parágrafo dizer que ele também faz filmes “para levantar trocados”. Que tipo de autor é esse, que faz filmes ruins de propósito, por dinheiro?

    Ao mesmo tempo, você falou antes que ele é um dos poucos “gênios de hollywood”, pra agora dizer que “não podemos colocar Clint no panteão dos gênios”. Ora, será que essa contradição toda não é um “ato falho de uma argumentação que quer atingir seu objetivo”?

    Concordamos que Clint, o ator, é uma personalidade, uma persona, aparentemente sempre o mesmo. Sergio Leone (cito ele repetidamente porque é o cara que fez de Clint a lenda que é) rebatia as críticas contra Clint dizendo “ele é um ator muito versátil, atua com o cigarro na boca e sem o cigarro na boca”.

    Quem comparou Clint com o De Niro foi o Leone, e não eu. Graças a deus, Leone morreu antes de ver o De Niro em filmes como Alceu e Dentinho e O Enviado. Quando Leone morreu, De Niro tinha acabado de interpretar Capone nos Intocáveis, teve a sorte de não saber o que viria depois.

    Mas, me diga, as porcarias que o De Niro faz hoje apagam o que ele fez no passado? Por conta do 15 Minutos e Entrando Numa Fria Maior Ainda a gente tem que esquecer o ator que ele foi, com Taxi Driver, Touro Indomável, ou compartilhando um personagem com Brando em Poderoso Chefão Parte 2? Existe na geração de De Niro outro ator que conseguiria não fazer feio contra Brando?

    Ao mesmo tempo, você diz que Brando foi fundamental, e esquece a quantidade interminável de porcaria que ele fez antes de morrer. Ou será que A Ilha do Dr. Moreau apaga o Selvagem da Motocicleta?

    Quando você diz que Clint tem dúvidas, você está falando de Clint, o ator, o diretor, ou o personagem que Clint interpreta em Gran Torino? O durão que faz a autocrítica da violência ao apagar as luzes é quem?

    Porque o “herói que tem o destino de mudar profundamente” não é Walt, o personagem de Gran Torino. Ele foge da resolução do conflito com os filhos da mesma forma que foge da resolução da perda da esposa, da mesma forma que foge da resolução do conflito com a sua aposentadoria. O filme inteiro ele foge da resolução de conflitos, se anulando das questões e deixando que façam o que quiserem com ele. E no grande “sacrifício” final, ele foge da mesma forma que sempre fugiu. Você chamou continuar na insistência de velhos hábitos ser um “herói tradicional”? Que narrativa épica essa? Que arco de evolução de personagem é esse?

    Agora, se você disse que Clint, o diretor, tem dúvidas, como que isso se enquadra na “obra sólida” dele?

    Eu não entendi seu último parágrafo. O padre tem que manter distância de quem?

    Acho que você está fugindo um pouco do ponto. Eu realmente adorei Os Imperdoáveis, e desde então venho seguindo de perto tudo que Clint fez. Lá pelo quarto ou quinto filme depois de Imperdoáveis eu percebi cacoetes que se repetiam. Falhas, erros. A medida que eu fui vendo mais filmes, fui identificando isso como direção ruim – sem sal. Hoje, quando volto aos filmes que eu gostava, me decepciono. Eu gosto de Imperdoáveis hoje, mesmo que perceba seus erros. E Os Imperdoáveis não é um filme perfeito, nem de longe. Mas é uma aposta, é um projeto ambicioso, e prum cara que fez faroestes com o Leone resolver fazer uma lápide do gênero (e Os Imperdoáveis é isso) precisa ter muita paixão pelo projeto. Coisa rara na filmografia dele.

    Apesar da lenda toda, Clint não é um diretor excepcional. Recentemente escolhe e se associa a projetos interessantes e polêmicos. De uma forma burocrática e afastada. Bom pra ele. Mas os filmes, pra mim, continuam sem sal. Só isso. Ele não estraga todo projeto em que encosta, só alguns. Ele também não faz muitos filmes incríveis. Que é o que eu vinha dizendo desde o começo, que ele só faz o necessário. Como ator, uma lenda. Como diretor, nenhuma lenda, apenas um pobre mortal.

    ——–

    Tô achando muito bonito o meu pai botando lenha na fogueira sem participar da discussão. Então, só continuo discutindo se o Sr. Cesar Valente participar e responder essas questões:

    1) Gran Torino é uma obra genial de um dos “raros cineastas americanos”, ou um filme sem sal estrelando um dos maiores carismas do cinema? O status de diretor de Clint é influenciado pelo apreço que temos pela sua caratonha?

    2) É possível um cara que já foi político e prefeito continuar sua vida e fazer arte com paixão? Será que um não polui o outro?

    Não adianta dizer que “só falo de política aqui”, porque a pergunta 2 é sobre política. E não adianta dizer “não vi o filme”, porque eu sei que consegues ver o filme em menos de 24 horas.

    E aí, vais encarar?

    Posted by André | agosto 16, 2009, 23:13
  7. Putz, qualé? Tou achando ótimo assistir o meu filho ter com o meu ex-colega Nei uma discussão que nunca tive a oportunidade de ter (nem com o Nei nem com o André). Não sei se quero me meter. Acho que, antes, vou perguntar pra tua mãe o que é que eu faço.

    Posted by Cesar Valente | agosto 17, 2009, 07:32
  8. Continuo recomendando: Cartas de Iwo Jima. Visão da guerra pelo lado japonês. De Clint Eastwood.

    Posted by Marlos | agosto 17, 2009, 08:22
  9. André, quem falou em brigas, mágoas? Achei superficial tua crítica ao Clint e por isso rebati. Sobre os trocados: todo autor precisa, ao longo de uma vida longeva, fazer concessões. isso não o desmerece. Pode ser que o que produziu em troca de uns trocados, abrindo mão de sua posição de autor, seja ruim, mas isso não enterra sua obra de autor.

    Por que o cara que fez ou fez política não pode fazer arte com paixão? De onde vem essa a lei? Não seria apenas uma crítica politicamente correta ao republicano, uma maneira de usar a biografia política para desmerecer o artista? Talvez seja isso que esteja na raiz das tuas críticas ao Clint. Não te deixa ver com clareza a contribuição de Clint ao cinema, ainda mais nesta época tão vanguardista, em que a velha idéia do andar falso, usado por Hitchcock, serve para celebrar o ego de John Malkovitch (“espelho meu, espelho meu, existe alguém mais ator de lábios túmidos do que eu?”).

    Clint em relação à maioria dos cineastas hoje, é excepcional. Um autor acima da média, que não chega a ser um John Ford, mas pertence à linhagem dos mestres. Talvez venha daí minha dupla utilização da palavra gênio, com a contradição que tão bem apontaste.

    Sobre as dúvidas: Estava me referindo ao que vc chama de caratonha. É a estampa, o carisma da personalidade, a empatia que gera nos telespectadores, a força que empresta aos personagens. É a cara dura de alguém que duvida da própria força. Basta ver Clint em O bom, o Mau e o Feio. Seu Blondy, mirando na corda do enforcado, antes de atirar, tem aquela expressão de dúvida sobre quem ele é e o que está fazendo. Já o De Niro é a imposição de uma série de caretas, na maioria dos filmes onde atuou. Digo que isso vem da certeza que De Niro tem de que é um grande ator, quando não é. Para mim é um canastra, e dos piores. Mas isso já me deu muita dor de cabeça. Que fazer? Também gosto de chutar a balde.

    Posted by Nei Duclós | agosto 17, 2009, 10:16

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