[Nota da coluna de 21 de agosto de 2005]

O prefeito (e) e o governador em exercício (de paletó), tiveram que colocar capacete para entrar na ala destruída. Mas o fotógrafo, cabeça dura, não precisou. Foto: Antônio Carlos Mafalda/SECOM
Impressionante como apareceu gente dizendo que tinha avisado, que esse foi um incêndio anunciado, que isto e aquilo. Bom, essa conversa é a que menos adianta, hoje. Todos estamos carecas de saber que o centro de Florianópolis, com seus prédios geminados, velhos e mal cuidados, é candidato a um incêndio. E a hora de botar a boca no mundo, exigir providências, reclamar, é antes de acontecer. No dia em que as labaredas estiverem crepitando, não adianta mais ficar no “eu não disse?”.
Agora que a ala mais antiga do mercado queimou, a cidade tem que aproveitar a oportunidade para mostrar que sabe conviver com prédios históricos: fazer uma reforma que recupere as principais características arquitetônicas e dotá-la de equipamentos básicos de conforto e segurança.
Claro, se alguém tem informações seguras ou provas sobre desleixo, descaso, imprudência, imperícia ou o que seja que possa ter agravado a situação do Mercado ou facilitado o incêndio, deve procurar a polícia ou o Ministério Público Estadual, para ajudar de alguma forma a que as coisas fiquem mais claras e que se reduza a impunidade.
Quem anda pelo centro vê como é que os prédios do centro são: antigos e grudados uns nos outros. Se acontece alguma coisa num, é muito fácil passar para o vizinho. Bem que a prefeitura podia, aproveitando a oportunidade, dar uma geral no centro, identificando os principais problemas, né?
Não é só em Florianópolis.
Passei dois dias no Rio, hospedei-me em um hotel menos caro, no Centro, e passeei pelas ruas históricas: Ouvidor, Rosário, Misericórdia, Alfândega, Primeiro de Março, Ramalho Ortigão, bairros do Catete,Glória, Laranjeiras…
Prédios magníficos. Perspectivas de dar água na boca de qualquer fotógrafo. Um tanto de Lisboa, Porto, Paris… tratado como o mais remoto subúrbio de Dacca, a capital de Bangladesh.
A prefeitura pensa que todos que vão lá querem ir à praia. Mas as daqui são pelo menos tão boas quanto as de lá. Há quem procure outras coisas, como eu, ao reencontrar o povo e a Historia.