O Tribunal de Contas do Estado pegou (de novo?) o governo do estado com as calças na mão e com o SAMU de fora. A auditoria do TCE que avaliou o serviço de atendimento móvel de urgência em Santa Catarina identificou vários problemas e determinou que o governo conserte a coisa.
O texto do TCE é cheio de dedos e escrito numa linguagem cuidadosa, mas eu, que sou ninguém, posso traduzir pra vocês: o troço parece que foi montado pra fazer de conta. Uma fachada de eficiência e, por trás, contratos mambembes, falta de gente e um descaso básico com a população em seu momento mais crítico, que é quando procura, às vezes desesperada, um atendimento de emergência ou urgência pré-hospitalar.
Quantas vezes vocês já viram fotinhas e notinhas de inauguração do Samu aqui, ali e acolá, né? Tem oito centrais no estado, que controlam os atendimentos e em todas faltam profissionais especializados em número suficiente. Sem falar que os números de urgência (190, 192 e 193) ainda não estão integrados e o pobre coitado que pega o telefone pra pedir socorro porque alguém está morrendo, corre o risco de não conseguir falar com a pessoa certa. E, se falar, corre o risco de não ter viatura, ou não ter gente. Porque às vezes há só uma ambulância pra atender vários municípios. Mas nada disso é informado quando inauguram, com pompa e banda de música, o serviço de urgência naquela região.
Claro que, como tudo, essa dura que o TCE está dando no estado pode acabar em um acerto entre compadres. Mas, pelo menos, o governo LHS e suas secretarias (principalmente da Saúde, da Segurança e da Fazenda) sabem que a gente sabe que o troço tá meia boca.
Pra ler na íntegra a nota divulgada pelo TCE, clique aqui.
Ontem foi apresentado isso na sessão ao vivo da TVAL. Não pode esqueçer (foi citado também) da culpa do Governo Federal também.
Me lembrei de um detalhe, foi mostrado na apresentação uma foto das ambulâncias aqui em Florianópolis estacionadas na rua e no estacionamento das ambulâncias os carros particulares. Sem contar aqueles problemas conhecidos aqui de medicamentos guardados em condições fora do ideal.
O TCE tinha é que proibir o estado de contratar os tais ACTs,e não só na saúde, mas na educação, também. Parece que tudo é temporário por aqui, em vez de fazer concurso público e admitir servidores, é mais fácil fazer uma seleção “meia boca” e contratar temporários. Esse “modus operandi” do estado é ilegal, mas o TCE fica só na recomendação, quem pegou mais pesado foi a Justiça do Trabalho, que está determinando, sob pena de multa, a substituição de todos os ACTs da saúde, por considerar isso terceirização ilegal.
Êste pessoal (do executivo), se especializou mesmo é em assinar convênios, entregar cheques (simbólicos) e claro, e como já foi dito aqui pelo Grande César – a festa da entrega das chaves das viaturas e das solenidades de lançamento de pedras fundamentais. Aliás solenidade e pompa é do que mais gostam. Trabalhar é apenas para os trouxas aqui da planície que precisam honrar com seus compromissos, como pagar impostos por exemplo.
Pois é, já fui vítima desse atendimento “pré-hospitalar”. Deveria ser pré-funerário. Ano passado, numa sexta-feira a noite de agosto, precisei de atendimento para levar meu pai ao hospital. Ele estava sem evacuar há 3 dias, e sua barriga inchada. Primeiro liguei ao 193 e fiquei sabendo que os bombeiros só servem para atender vitimas de transito. Depois tentei ligar 30 minutos para o SAGU e ninguem atendeu. Liguei novamente aos bombeiros e o atendente disse que ligaria para o SAGU. Deu 5 minutos o SAGU me liga informando que não havia ambulancia a disposição, pois estavam em outros atendimentos e que eu teria que esperar. Demorou 3 horas e meia para o atendimento, não veio nenhum médico na ambulancia, apenas um motorista e um auxiliar. O avaliação foi feita sabe como? A auxiliar pegou o celular e ligou ao médico do SAGU, descreveu o que ocorria com o meu pai e recebeu as instruções. Conclusão: meu pai estava com a barriga trancada (designação científica SAGUNIANA) e deveria tomar óleo mineral e procurar o posto de saúde na segunda-feira de manhã. Perguntei se não era necessário levar ele ao hospital para realizar alguns exames mais precisos, e com toda a sua boa-vontade de funcionários públicos numa sexta-feira a noite afirmaram que não (nada contra funcionários públicos, minha mãe e eu somos, no entanto gostamos do que fazemos, como muitos outros existentes). Tentanto simplificar: no sábado e não suportando ver a agonia do meu pai o levei ao hospital, e imagina; a simples barriga trancada que deveria ser curada com óleo mineral era nada menos que um cancer de reto, que obstruiu o seu intestino, que inclusive já estava iniciando a putrefar, e ele foi submetido a cirurgia para tirar metade do órgão. Os médicos falaram que se passasem mais 5 horas o intestino romperia e não poderia ser salvo. Graças ao SAGU, e se dependesse do grande interesse dos “profissionais” em desempenhar suas funções o teria perdido naquele dia. E o cancer? ele luta até hoje. Outro exemplo de que carros pintados, logotipos de governo demonstrando cooperação dos entes federativos, sem uma verdadeira capacitação, sem qualidade, é dinheiro público jogado fora. E nós? É cada um por si.
Desculpe-me o desabafo. Pela minha experiência com esse serviço, que espero nunca mais precisar utilizar, acabo ficando furioso. Sou leitor assíduo do blog. Parabéns! Abraços.
Sem contar que a população de uma cidade pede, e os médicos de outra cidade, bem distantes, negam, sem saber da gravidade da coisa.
Esse TCE não apita nada. E os guard-rails das pontes? Não haviam dado o ul-ul-ul-ultimato?
Ontem eu estava parado sob a Pedro Ivo, naquele trânsito bacana, quando olhei para cima: Tudo enferrujado. Não é oxidação leve não. É ferrugem mesmo.