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AGOSTO – QUATRO ANOS DE OLHO

O susto dos manezinhos

[Nota da coluna de 20 de agosto de 2005]

Foto: CV/Palhares Press

Foto: CV/Palhares Press

Quem não é de Florianópolis ou não mora na cidade há muito tempo, pode estranhar a gente ter ficado tão comovido e emocionado com um incêndio que, afinal, não machucou ninguém e provocou prejuízos materiais, é verdade, mas numa área confinada do centro.

Acontece que justamente essa área que o incêndio atingiu faz parte de um símbolo, um ícone. O Mercado Público de Florianópolis, faz tempo, não é mais apenas um prédio que abriga lojas e onde se vende e se compra uma variedade enorme de coisas. Uma espécie de avô dos shops-cents.

O Mercado é uma parte da nossa identidade cultural. Passar pelo Mercado e ver os conhecidos, comprar um peixinho, tomar um gole, ver como anda o movimento, caminhar na Conselheiro Mafra, são pequenos gestos que ajudam a gente a sentir-se em casa.

O manezinho pode visitar mercados no mundo todo (e no mundo todo os mercados são sempre muito interessantes), mas só aqui, neste mercado que o fogo ontem de manhã feriu, sente-se à vontade, na sua terra.

Por isso, quando boa parte da cidade viu no céu aquela coluna assustadora de fumaça preta, se assustou. Mas quando soube que a origem daquilo tudo era o Mercado Público, o coração ficou apertado, o susto virou pavor. Porque aquela fumaceira toda dava a impressão que não ia sobrar nada.

Imediatamente, a gente, que conhece a cidade e suas fragilidades, começou a pensar no resto do centro, também de casas antigas, tudo muito perto umas das outras. Sorte que não ventava. Como eu, muita gente só sossegou um pouco quando foi lá olhar de perto o tamanho do estrago. Foi grande, foi triste, mas foi menor que a fumaceira no céu agourava.

Não é impossível restaurar, não é impossível socorrer o pessoal que levou prejuízo. A cidade é solidária e assim como a outra ala se recuperou do incêndio na década de 80, esta ala também vai se recuperar. E só temos que aprender mais algumas lições, para que esses acidentes fiquem cada vez mais difíceis de acontecer.

Discussão

Comentários estão desativados para este post.

  1. Alguma coisa ja foi feita pra evitar que isso aconteça na outra ala novamente? Eu chorei naquele dia, sai do onibus e fiquei ali, pasmo e chorando, olhando aquela cena triste, não consegui trabalha naquele dia. muito triste.

    Posted by Adriano Flor | agosto 11, 2009, 17:58
  2. PENA QUE ESTA DESVERTUANDO,,COM MUITA MALADRAGEM..FALTA BANHEIROS DECENTES..CAIXA BANCARIOS , UNIDADE PARA PRONTO SOCORRO.ETC
    FALTA ATÉ TELEFONE PUBLICO DENTRO DELES

    Posted by paulo dutra | agosto 11, 2009, 19:58
  3. O Mercado já não é mais o mesmo. Donos de boxes estão expandindo suas atividades para os corredores e, como resultado desses aparentes abusos (não sei se os contratos com a Municipalidade justificam tais procedimentos), os espaços para a circulação de visitantes e clientes estão cada vez mais escassos. Entre os dois pavilhões, os espaços foram tomados por mesas e cadeiras de resturantes, com ostensiva propaganda de cervejarias e fabricantes de refigerantes, como se a área tivesse sido doada àquelas indústrias para sua publicidade.
    O Ministério Público precisa verificar a legalidade de tais atitudes, que reputo repulsivas.

    Posted by SANTOS, Izidoro Azevedo dos ... | agosto 11, 2009, 21:33

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