
Nosso discreto mestre de cerimônias
Amanhã, duas da tarde, tem jogo da seleção lá em Taillinn, contra a Estônia. Eis um adversário que não inspira o mínimo respeito. E nem pode. Nunca foi à Copa do Mundo e não vai de novo. A temível Estônia está em último lugar no seu grupo da atual eliminatória e, se for procurada no ranking da Fifa, será encontrada entre o centésimo qualquer coisa. O que justifica um amistoso tão chinfrim a estas alturas dos campeonatos?
Perguntem à CBF e aos seus patrocinadores a razão para montar este circo mambembe com o nosso Brasileirão a mil e a temporada européia iniciando. Imagino o humor da diretoria do Atlético Mineiro que nesta quarta-feira vai enfrentar o líder Palmeiras no Mineirão sem o artilheiro Diego Tardelli, convocado justo agora por Dunga. Como ele fez com o Inter que ficou sem Nilmar um mês, chamado para a Copa das Confederações. Pra que, se no tempo que entrou em campo não deu nem para sujar o uniforme? Pode acontecer o mesmo com o jaraguense Filipe.
Experiências na montagem do time para a Copa, treino para os jogos de setembro pelas eliminatórias, um deles contra a Argentina. São as justificativas de plantão. Tudo balela. Na verdade, nem dá para falar muito mal do Dunga que, ao seu modo, vai dirigindo o espetáculo na parte que lhe toca. O problema está no andar de cima, com os negócios de Ricardo Teixeira e sua troupe.
Não consigo aceitar uma seleção com o peso e o prestígio da nossa jogar contra tanto adversário rastaquera. Não vejo, por exemplo, as principais seleções européias andarem pelo mundo à caça de euros contra qualquer timeco que se apresente. Vá lá, um joguinho beneficente aqui, outro pela paz acolá. Mas com a gente vale tudo. Nós não nos damos ao respeito e, diante dos estonianos, vamos covarde e inutilmente bater em bêbado. Bom para Dunga contabilizar outra vitória, muito melhor para a CBF engordar mais um pouco sua conta bancária.
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