
Carro destruído, imagem preservada (Foto: Top News)
Os marqueteiros da Ferrari foram rápidos e muito eficientes na tentativa de neutralizar os efeitos negativos para a imagem da fábrica com o acidente grave de Felipe Massa, o período de hospitalização e seu conseqüente afastamento das pistas. As fotos e imagens de televisão da quase tragédia eram muito fortes e o mundo inteiro passaria a conviver com elas durante muito tempo, junto com aquela churumela na frente do hospital. Tudo acabou bastante diluído com o anúncio sobre a volta de Michael Schumacher às pistas. Um gesto de nobreza e solidariedade, típico de um grande esportista.
Ato contínuo o alemão foi ao hospital visitar o companheiro de equipe e que já foi seu fiel escudeiro. Schumacher era um piloto competente, mas nunca foi flor que se cheirasse, principalmente em se tratando de ganhar corridas. Nada o afastava de seus objetivos. Se fosse preciso tirava adversários do caminho com manobras nada legais e até obrigava Barrichelo, em nome do chamado “jogo de equipe”, a abrir mão de vitórias para beneficiá-lo na disputa pelo título. Os fatos estão registrados nas coberturas da Rede Globo, que noticia só a perfumaria da Fórmula I, como uma porta voz da organização.
No caso presente, estava na cara que o esperto Schumacher mais uma vez faria o tal jogo de equipe (e do patrão), encenando sua volta às pistas durante o tempo que durasse a recuperação de Massa. Só que, por força de regulamento, ele não poderia testar o carro atual da Ferrari. Limitou-se a dar algumas voltinhas no carro velho, quase um calhambeque. Só pra constar, escondidinho na pista da fábrica. A cada notícia ficava mais evidente que o grande Schumacher não correria o risco de um mico em altíssima velocidade
O jogo de cena tinha sempre como pano de fundo suas dores no pescoço, conseqüência de um acidente de moto. Era a preparação para que, quando tudo estivesse sob controle, com o brasileiro em casa e o noticiário só em cima dele Schumacher, viesse a informação reveladora: o grande campeão não poderia voltar a correr por causa do pescoço. Que é imenso, por sinal, parecido com o de uma galinha de angola. A solução natural estava onde sempre esteve, com o piloto de testes da Ferrari, o italiano Luca Badoer. Ele é quem vai substituir Felipe Massa no resto de temporada, presume-se. Simplesinho e eficiente, não? Sim, e bastante mentiroso também. É o jornalismo sem um pingo de curiosidade e que se dá por satisfeito apenas com a versão oficial.
I r r e t o c a v e l. Curiosidade deveria estar na primeira aula de qualquer faculade de Jornalismo. Quem se contenta com versão deve mudar de lado no balcão.
Mas esse “jornalismo sem um pingo de curiosidade e que se dá por satisfeito apenas com a versão oficial” não o que vigora em Florianópolis e “Por Toda Santa Catarina” com o monopólio gaúcho ?
Por que será que eles denunciam no Rio Grande do Sul e por aqui fica tudo tão tranquilo ?
Denunciam no Rio Grande do Sul, mas só quando a coisa se torna irreversível. Antes disso, dá-lhe peneira para tentar tapar o sol…