Permitam-me, neste final de tarde friorento e cinza, que compartilhe com vocês algumas reflexões superficiais que a bela foto acima, feita na quinta-feira, inspirou.
Os dois senadores que aparecem na foto aproximaram-se, na década de 80, por uma dessas armadilhas do destino. Tancredo Neves seria presidente, Pedro Simon, um de seus ministros. No meio do caminho, uma diverticulite mudou a história.
José Sarney, que entrara na chapa, como vice, para acomodar alguns setores mais “à direita” (mais ainda que o próprio Tancredo), deveria ter ficado à sombra, mas foi levado, sem estar preparado, a um protagonismo inesperado, com a morte do presidente eleito.
Acompanhei o primeiro ano de Sarney presidente bem de perto. Eu era editor geral da Empresa Brasileira de Notícias, autarquia federal, vinculada ao Ministério da Justiça, responsável por colocar no ar, todos os dias, a “Voz do Brasil” e alimentar jornais, rádios e TVs com o noticiário oficial, usando uma rede de telex e rádio que cobria o país todo, com sucursais em todos os estados.
O Ministro da Justiça era Fernando Lira. O Ministro da Agricultura, Pedro Simon. Ambos do tal grupo “autêntico” do PMDB. A EBN era dirigida pelo Carlos Marchi, jornalista que fora assessor de imprensa de Tancredo na campanha. A grande aposta, nas mesas dos bares frequentados pelos jornalistas, era quando iria ser concluída a “sarneização” do governo. Coisa inevitável, mas não se sabia, no início, o ritmo em que seria feita.
Todas as semanas eu ia ao Palácio do Planalto, acompanhado de um técnico de som, gravar o programa “Conversa ao pé do rádio”, em que o presidente Sarney apresentava suas idéias, fazia comentários e tentava comunicar-se coloquialmente com a população.
Embora Sarney lesse o texto, sempre tinhamos que gravar mais de uma vez. Ele hesitava, encontrava uma palavra, uma expressão, que não tinha ficado bem, que parecia não soar direito. E ia fazendo mudanças. Com idas e voltas. Parecia inseguro, às vezes. Apenas um preciosista, outras vezes. Mas, no governo, a “sarneização” avançava rapidamente, a passos largos e sem hesitações ou dúvidas.
Em pouco mais de seis meses o governo que Tancredo sonhou, preparou e costurou, tinha ido com ele para a sepultura. Não sei se teria sido melhor ou pior do que o que se seguiu. Mas o fato é que, a partir daí, José Sarney, que era apenas mais um político nordestino, ganhou foros de instituição nacional.
Te livrasse desse rato
é verdade que o Sarney virou presidente por causa de uma “vírgula”?
Sarneização seria o Roberto Marinho sabatinando ministros?
Tio César,
Que o Sarney não presta já se sabe aos borbotões.
Agora, seu Ministro falastrão,o Simon, é outro que não sustenta um de seus argumentos de crítica assim que aparteado. Um verdadeiro “macho frouxo”!
Ave, César
Desses dois vetustos senhores, o do Maranhão, já o conhecemos sobejamente, por 50 anos ou mais de vida pública, como ele mesmo disse , mas nem tudo publicável, como se vê! Minha preocupação é com o Pedro Simon. Ele já me decepcionou numa encruzilhada anterior. Não lembro bem , mas acho que foi no caso do fim da CPFM. Deu uma desmunhecada de fazer inveja ao finado Clodovil. Agora, no episódio “carrancas do collor” esboçou uma reação estranha. Nem precisa ser psicólogo, para perceber que balançou. Haverá algo de podre nesta que se pensa e pretende a quase última muralha da moralidade da república? Depois do PT, pensei que restariam os autênticos. PMDB autêntico? Isso é possível ou ficção política?
abr, waltamir
Waltamir,
Lembra que depois do Plano Cruzado o Brasil estava salvo por ter o PMDB vencido as eleições em quase todos os estados e acabado de vez com o autoritarismo e a CORRUPÇÃO ??
Pois é, depois veio o PT com Lula e o mesmo discurso…
Aí apareceu Dirceu com seu mensalão, graças ao Roberto Jeferson…
É assim que o Brasil segue seu rumo
Ave, César!
Ao Carlos A:
Memória não é o meu forte, talvez seja por isso que eu, de fato, não lembre mesmo que o PMDB tenha acabado “DE VEZ” com a corrupção.
Waltamir,
Pelo menos ELES, do PMDB, diziam que íam acabar com o autoritarismo e a corrupção (que era coisa dos militares), como depois, os do PT adotaram o mesmo discurso, até o Roberto Jeferson desmascará-los !