18 de agosto de 2005 – TIO CESAR TE COLOCA NO BANCO DOS RÉUS
Faz de conta que quem tá na CPI és tu. E eu sou o Senhor Deputado que vai te fazer perguntas. Faz aí uma cara de coitadinho que eu vou começar o interrogatório.
– Cidadão, leitor do Diarinho, conte pra nós, com sinceridade: de onde você achava que seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado tirava o dinheiro para a campanha? Espere, não responda agora que eu tenho outra pergunta: ou por acaso você nunca fez as contas e descobriu que ele (ou ela) jamais conseguiria ganhar, em quatro anos de mandato, o suficiente para pagar as despesas da campanha? Vamos, responda, conte tudo!
– …
– Ah, esse seu silêncio diz tudo. Você sabia, não é? Você sabia que ali tinha alguma coisa muito errada! Você sempre desconfiou, mas nunca fez nada! Continuou votando quietinho. Você sabe que sua omissão também é crime? Que você pode ser condenado a perder o restinho de vergonha que ainda tinha nessa cara?
– Mas, mas Senhor Deputado…
– Nem mas, nem meio mas. Diga aí, diante da nação brasileira, se você nunca foi ao gabinete de um vereador, de um deputado, pedir um favorzinho, um empreguinho, uma ajuda para um processo andar? Hem? Confesse! Explique de que forma você, com seus pedidos, estimulou o tráfico de influência. Não sabe o que é isso? Eu explico: é quando o deputado seu amigo liga para o prefeito, para o secretário, para o governador, para tentar resolver seu problema. E aí, para ser atendido, tem que topar votar a favor disso ou daquilo. Ou vai me dizer que não sabia de nada disso?
– Não, Senhor Doutor Deputado, eu não tinha conhecimento de na-da, nadica de nada disso…
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